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Projeto de ensino visa aproximar estudantes da poesia por meio da escrita no Ifal Penedo
O Instituto Federal de Alagoas – Campus Penedo conta, neste ano letivo de 2026, com o desenvolvimento de cinco projetos aprovados pela Pró-reitoria de Ensino (Proen) para a permanência e êxito na Educação Básica. Entre eles está o “Escrita-Arte Ifal”, que busca aproximar os estudantes da poesia e estimular a escrita autoral por meio de encontros, atividades literárias e intervenções poéticas no cotidiano do campus.
Coordenado pela professora de Língua Portuguesa, Kleyse Galdino, a iniciativa reúne estudantes que já escrevem ou que têm interesse em conhecer e experimentar a poesia. Já foram realizados alguns encontros, com momentos de conversa e troca de experiências sobre atividades de escrita. Ao longo do projeto, a equipe também tem levado a poesia para diferentes espaços do campus.
Uma dessas ações foi o Jardim Poético, instalado na área em frente à biblioteca. Em pequenos corações espalhados pela grama, foram colocados alguns versos. A proposta foi criar um contato breve e inesperado com a poesia, convidando quem passasse pelo local a parar, ler e refletir. Entre os autores escolhidos estavam Fernando Pessoa e seus heterônimos, Cora Coralina, Carlos Drummond de Andrade, Manoel de Barros e Cecília Meireles. A intervenção também trouxe trechos de músicas e poemas autorais da estudante Joise Beatriz da Silva Santos, bolsista do “Escrita-Arte Ifal”.
Para a estudante do curso técnico em Química, levar pequenos versos para os espaços de circulação do campus pode ser uma forma de despertar a curiosidade de quem ainda não tem familiaridade com a poesia. “A poesia nos emociona e nos toca de um jeito avassalador; o que desperta o desejo de ler e se sentir cada vez mais compreendido. É como olhar e falar: ‘eu não estou sozinha/o, alguém já sentiu isso’”, afirma.
Escrita como espaço de expressão
A relação de Joise com a escrita começou antes mesmo de sua participação no projeto. Segundo ela, escrever sempre esteve associado à possibilidade de transformar sentimentos e experiências em palavras. Foi justamente essa afinidade com a arte e a escrita que a levou a aceitar o convite da professora Kleyse para atuar como bolsista.
A ideia do projeto surgiu depois de um recital de poesia realizado no campus durante o 4º Festival de Arte do Ifal, que contou com poemas autorais de estudantes. A partir daquela experiência, Kleyse apresentou à estudante a proposta de criar uma iniciativa voltada à escrita e à poesia. “Eu aceitei por amar a arte, a escrita, a maneira com a qual as palavras permitem tirar do nosso peito a dor que nenhum remédio cura”, conta a jovem de 18 anos.
A experiência também ganhou espaço para a troca com uma estudante que já trilha um caminho na literatura. Em uma das atividades, o projeto recebeu a egressa Valéria Santos, escritora que já publicou dois livros, entre eles A Receita da Vida, lançado em 2022, quando ainda era aluna do Campus Penedo. Atualmente, ela cursa Sistemas de Informação na Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
Durante o encontro, Valéria compartilhou sua trajetória com a escrita, que começou ainda no ensino fundamental, e falou sobre a importância da leitura e da curiosidade para quem deseja se aproximar dos livros e da produção literária. A conversa também serviu para incentivar os estudantes a persistirem na escrita e a considerarem a possibilidade de publicar suas próprias produções.
Na ocasião, a professora Kleyse compartilhou sua experiência com a escrita e destacou a importância de criar espaços para que estudantes que produzem textos possam trocar práticas, técnicas e experiências. Ela conta que começou a escrever aos 13 anos e publicou seu primeiro livro de poesias, A descoberta: novos sentimentos em uma mente adolescente, somente em 2024, com apoio do Ifal Penedo.
Poesia espalhada pelo campus
Neste mês de setembro, o projeto realizou mais uma intervenção: o Varal Poético na área de convivência do campus. A ação apresentou poemas de escritoras brasileiras como Cora Coralina, Martha Medeiros, Hilda Hilst, Conceição Evaristo, Cecília Meireles e Alice Ruiz, além de autores como Ferreira Gullar, Mário Quintana, Gonçalves Dias, Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes.
Para a aluna Joise, iniciativas como essas ajudam a mostrar que a poesia não precisa estar restrita aos livros ou às salas de aula. “O projeto veio mais como uma forma de reforçar que poesia está em tudo e em todos. Basta um olhar atento ao sentimento”, afirma.
E é justamente esse olhar que ela gostaria de estimular entre os colegas. Para quem deseja escrever, mas acredita que não sabe fazer poesia, a estudante deixa um convite: “não existe um ser humano que não saiba fazer poesia, existe aquele que ainda não está apto a escrever ela. Poesia está em pequenas coisas, em sentimentos, situações, objetos. Vai do seu olhar e desejo de colocá-la em um papel”.
Próximas ações
Até o final do projeto, a equipe prevê uma entrevista com uma editora, para apresentar aos estudantes as diferentes etapas envolvidas na publicação de um livro. “Também pretendemos fazer uma ação em parceria com o Neabi [Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas], durante a programação do Novembro Negro, com destaque para autoras brasileiras negras”, informa Joise.
Segundo a bolsista, a programação deve incluir ainda um recital de poesias e, como resultado final, a proposta é reunir as produções desenvolvidas pelos estudantes em um livro de poemas ou relato de experiências, dando visibilidade à escrita produzida ao longo das atividades. Para a estudante, o principal legado que o projeto pode deixar é o incentivo à leitura e à escrita. “Desejo que os jovens busquem estar perto dos livros, conhecer novos autores, navegar em leitura, plantar palavras e cultivar lindas poesias”, conclui.