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Palestra destaca atuação do químico industrial e abre semestre letivo da graduação no Ifal Penedo
O semestre letivo 2026.1 do curso superior em Química Industrial do Instituto Federal de Alagoas – Campus Penedo teve início na última segunda-feira (1º), reunindo calouros e veteranos da graduação presencial, no auditório da instituição. O primeiro dia oficial de aulas foi marcado pela palestra “Muito além do laboratório: a atuação do químico industrial nas usinas”, ministrada pelo engenheiro químico Aldevan Henrique da Silva Júnior, gerente industrial da Usina Caeté S/A – Unidade Marituba.
A atividade fez parte da programação da Semana de Integração em Química Industrial, que vem sendo realizada desde o dia 26 de maio com minicursos e oficinas voltadas aos estudantes ingressantes. Antes da palestra, houve mais uma ação de acolhimento, com a participação da equipe gestora do campus e de representantes de setores que acompanham a trajetória acadêmica dos estudantes, entre eles a Assistência Estudantil, o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi), o Núcleo de Gênero, Diversidade e Sexualidade (Nugedis), além das coordenações de Pesquisa e de Extensão, responsável também pelas demandas relacionadas aos estágios.
Ao dar as boas-vindas à comunidade acadêmica, o coordenador do curso, Mirelle Márcio Cabral, destacou os desafios e perspectivas para o novo período letivo. “2026 é um ano de muitos desafios. Passamos por uma grande reformulação no PPC [Projeto Pedagógico de Curso], que impacta principalmente as turmas iniciantes, e estamos em processo de reconhecimento do curso pelo MEC [Ministério da Educação]”, ressaltou.
Antes de apresentar o palestrante convidado, o docente também enfatizou a histórica parceria entre o Ifal e a Usina Caeté. “Além de o Grupo Carlos Lyra ter doado o terreno onde o campus foi construído, a usina sempre abriu as portas para a instituição, colaborando com projetos, oferecendo vagas de estágio e contratando profissionais formados aqui. Temos hoje egressos que são funcionários da usina, assim como temos funcionários que são nossos alunos”, destacou.
Mercado de trabalho e oportunidades na indústria
Engenheiro químico formado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e com MBA em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral, Aldevan Henrique da Silva Júnior possui mais de 20 anos de experiência na indústria sucroenergética. Atualmente, ocupa o cargo de gerente industrial da Unidade Marituba da Usina Caeté, tendo atuado anteriormente em funções ligadas à supervisão de produção e engenharia de processos.
Durante a palestra, o profissional apresentou aos estudantes as múltiplas possibilidades de atuação do químico industrial no setor industrial e sucroenergético, reforçando que o exercício da profissão vai muito além das análises laboratoriais. Segundo ele, esses profissionais participam diretamente do controle e da otimização de processos, da gestão da qualidade, do desenvolvimento de produtos, do tratamento de água e efluentes, do controle ambiental, da pesquisa aplicada e da tomada de decisões estratégicas.
Em sua apresentação, ele agrupou os campos de atuação em quatro grandes áreas: indústrias, serviços e setores transversais; setores industriais de base e transformação; setores industriais de consumo, saúde e agro; e materiais, energia e sustentabilidade. Também foram apresentadas as principais atribuições da profissão, dados sobre o mercado de trabalho e informações do Conselho Regional de Química (CRQ), que contabiliza quase 34 mil registros ativos na região Nordeste entre profissionais da área.
O palestrante destacou ainda a relevância econômica do setor sucroenergético para a região, responsável pela geração de emprego, renda e energia renovável. Segundo Aldevan Júnior, atualmente, o Nordeste conta com 55 usinas em atividade, sendo 15 delas localizadas em Alagoas. Além disso, o setor representa 6,37% do Produto Interno Bruto (PIB) nordestino.
O gerente industrial também compartilhou os resultados da safra 2025/2026 da Unidade Marituba, os investimentos em inovação tecnológica que contribuíram para o aumento da produção e a importância do acompanhamento diário do boletim industrial para a tomada de decisões.
Ao apresentar as oportunidades de carreira existentes em uma usina, o engenheiro químico mostrou aos estudantes diferentes cargos que podem ser ocupados por químicos industriais, desde funções técnicas e analíticas até posições de gestão e direção, com faixas salariais que variam de aproximadamente R$ 2 mil a R$ 100 mil mensais.
“O químico industrial atua muito além do laboratório, contribuindo para a gestão, o controle e a melhoria contínua dos processos produtivos. Em um setor estratégico como o sucroenergético, a qualificação profissional, a inovação tecnológica e a integração entre indústria e sustentabilidade são fundamentais para garantir eficiência, competitividade e desenvolvimento regional”, destacou o palestrante ao final da apresentação.
Incentivo para estudantes e docentes
Além dos estudantes da graduação em Química Industrial, a palestra foi acompanhada por turmas do curso técnico em Química subsequente, como forma de incentivar os futuros profissionais a considerarem a continuidade dos estudos no ensino superior.
Para o diretor-geral do Ifal Penedo, Felipe Thiago Souza, a atividade serviu não apenas para motivar os estudantes, mas também para inspirar a equipe docente. “Nós, enquanto professores, nos sentimos ainda mais desafiados a nos empenharmos para que nossos alunos alcancem essas cifras e possam transformar suas vidas. Também é muito satisfatório saber que já temos egressos trabalhando na usina”, afirmou.
A fala fez referência à presença de ex-alunos do antigo curso técnico em Açúcar e Álcool que atualmente integram o quadro de profissionais da Usina Caeté. Bruno, Everton, Maria e Carla acompanharam a palestra e representam um exemplo concreto das oportunidades existentes no setor. Os quatro atuam em diferentes áreas da indústria, como laboratório, refinaria e destilaria, incluindo funções de supervisão.