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Ifal Benedito Bentes integra projeto Amazônia 10 com apresentação de jogo digital para jovens das comunidades amazonenses
Equipe do Ifal Benedito Bentes na região amazônica para apresentar o jogo digital para comunidades ribeirinhas
O Instituto Federal de Alagoas (Ifal), por intermédio do Campus Benedito Bentes, integra uma importante iniciativa científica nacional voltada à Amazônia: o projeto Amazônia +10, vinculado ao Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD) Diversidade de Várzeas (DIVA). A participação ocorre em colaboração com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade Estadual de Maringá (UEM), fortalecendo uma rede interinstitucional dedicada à investigação, conservação e compreensão dos ecossistemas amazônicos.
A proposta ganha ainda mais relevância diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, especialmente no que se refere à dinâmica das cheias e secas e seus impactos sobre a organização social, econômica e ambiental das populações ribeirinhas. Nesse contexto, o projeto também busca contribuir para o fortalecimento da resiliência dessas comunidades, articulando conhecimento científico e saberes locais.
A iniciativa conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) e da
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), possibilitando o desenvolvimento de ações que integram ensino, pesquisa e extensão. A inserção do Ifal no projeto ocorreu a partir do convite dos pesquisadores da Ufal, professora Dra. Nídia Fabré e Dr. Vandick Batista, com acolhimento da equipe da Ufam, coordenada pela professora Dra. Flávia Kelly Siqueira de Souza.
Como estratégia de devolutiva social das pesquisas realizadas ao longo de anos na região, foi desenvolvido o jogo digital “Amazônia: Cheias e Secas”, na plataforma Roblox. A ferramenta traduz resultados científicos em uma linguagem acessível e interativa, especialmente voltada ao público jovem das comunidades amazônicas.
No jogo, a personagem Naimá atua como mediadora do conhecimento, guiando os participantes por cenários que representam o ciclo hidrológico da região. Mais do que um elemento narrativo, a personagem simboliza o retorno do conhecimento produzido às comunidades que contribuíram para sua construção, evidenciando o compromisso ético da ciência com os territórios. O desenvolvimento do jogo contou com a programação de Ever Gabriel, licenciando em Química e bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID Interdisciplinar do Ifal, além da participação da estudante Yasmim Luciane, bolsistado no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), envolvida em projetos voltados à criação de jogos didáticos.
A aplicação da ferramenta ocorreu diretamente em campo, em duas comunidades do Amazonas: a comunidade flutuante do Catalão, localizada no rio Negro, e a comunidade Ilha da Paciência, no rio Solimões. As atividades envolveram crianças, jovens e adolescentes, promovendo espaços de interação, escuta e construção coletiva do conhecimento.
A experiência permitiu à equipe aprofundar a compreensão sobre a influência do ciclo de cheias e secas na
vida cotidiana dessas populações, evidenciando como aspectos ambientais estão diretamente relacionados às práticas culturais, econômicas e às formas de organização social. O contato direto com as comunidades reforçou a importância de abordagens científicas que dialoguem com os saberes locais.
No âmbito institucional, a ação é coordenada pela professora. Jordana Rangely, líder do grupo de pesquisa NEOGETEQ, com a colaboração dos professores Diego da Guia e Ricardo Ribeiro. A iniciativa destaca o potencial do uso de tecnologias educacionais no ensino de Ciências, ampliando o alcance e a compreensão do conhecimento científico.
Para a professora Jordana Rangelly, a participação do IFAL no Amazônia +10 consolida o papel da instituição em projetos de relevância nacional, reafirmando seu compromisso com uma ciência socialmente referenciada e com a formação de estudantes envolvidos em práticas interdisciplinares e inovadoras.




O que é o Amazônia10
O programa Amazônia 10 tem o objetivo de apoiar a pesquisa científica e o desenvolvimento tecnológico sobre a floresta tropical, as interações natureza-sociedade e o desenvolvimento sustentável e inclusivo da região.
A iniciativa possui um Comitê Gestor, formado por um representante de cada uma das Fundações de Amparo à Pesquisa da Amazônia Legal, membros natos, e por um representante das Fundações de Amparo signatárias do termo de Parceria da Iniciativa Amazônia +10, bem como por representantes de doadores que contribuam com ao menos 5% do valor referente a soma das contribuições das FAPs participantes.