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Desenvolvida no Campus Penedo, farinha à base de pinha tem patente depositada no Inpi

Elaborada a partir do bagaço do fruto, produto pode diminuir a carência nutricional de formulações tradicionais

por Lidiane Neves - jornalista publicado: 05/02/2019 09h43 última modificação: 06/02/2019 10h09

Entre as quatro patentes depositadas pelo Instituto Federal de Alagoas (Ifal) neste ano, no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), uma delas está relacionada ao projeto de pesquisa do Campus Penedo, que resultou na criação de uma farinha nutritiva, a partir do bagaço da pinha. O estudo foi coordenado pelo professor Felipe Thiago Souza, entre os anos de 2015 e 2016, e já rendeu a publicação de um artigo na revista científica Journal of Food Quality, periódico internacional, com foco em pesquisas sobre a qualidade dos gêneros alimentícios.

O pedido feito ao Inpi, refere-se ao processo de obtenção de reconhecimento da invenção da farinha à base do resíduo da Annona squamosa L., cujas propriedades apresentam características nutricionais e farmacêuticas. “Trata-se de um produto novo que poderá ser utilizado como fonte de complementação e suplementação alimentar em farinhas tradicionalmente utilizadas na indústria de panificação, que possuem baixa quantidade de nutrientes”, explicou o coordenador da pesquisa.A pinha também é conhecida como fruta-do-conde, ou ata.jpeg

Cultivada principalmente na região Agreste de Alagoas, a pinha coloca o Estado entre os três maiores produtores do Brasil. “Inicialmente, o projeto de pesquisa buscou propor soluções para minimizar os desperdícios da cadeia produtiva da pinha, que gira em torno de 30%, segundo a literatura”, informou o professor, referindo-se aos frutos que não atingem o padrão para comercialização.

A partir daí, a equipe buscou avaliar o potencial biotecnológico da fruta. O resultado foi a elaboração de uma farinha com nutrientes que suplementam e complementam as formulações já em uso na indústria alimentícia, que geralmente são deficientes em minerais essenciais e componentes fenólicos (substâncias químicas com propriedades antioxidantes que inibem doenças degenerativas).Farinha com uso da pinha dá destino aos resíduos do fruto, que significam os 30%  desperdiçados na cadeia produtiva.jpg

Quanto ao valor nutricional da farinha, além da quantidade desejável de fenóis, os resultados obtidos foram significativos, com destaque para o Cobre, Ferro, Manganês, Zinco, Cálcio e Magnésio, atendendo mais de 20% do índice de ingestão diária recomendada de nutrientes.

Durante a realização da pesquisa, a equipe contou, em grande parte, com a estrutura de laboratórios do próprio Campus Penedo. “Apenas alguns testes para caracterização dos componentes da fruta foram realizados no Campus Maceió”, afirmou Felipe Thiago, que também destacou o recebimento da bolsa de produtividade em pesquisa, concedida pelo Ifal, como um incentivo ao desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação no âmbito do Instituto. A bolsa é pleiteada anualmente por professores do quadro ativo permanente, com titulação mínima de mestrado e reconhecida produção científica, cultural e ou tecnológica.A farinha elaborada a partir do bagaço da pinha pode diminuir a carência nutricional de formulações tradicionais.jpg

Além de Felipe Thiago, que é doutor em Química dos Materiais, com atuação na elaboração de produtos a partir de resíduos agroindustriais, o depósito de patente feito pelo Ifal inclui o nome de mais sete pessoas, à época participantes do projeto de iniciação científica. Entre elas, dois ex-estudantes do curso técnico em Açúcar e Álcool do Campus Penedo, Elenilson Santos e Jeisiely Silva, além de pesquisadoras docentes e alunas do Campus Maceió e da Faculdade Figueiredo Costa, na capital alagoana, Leane Silva, Nicole de Andrade, Thalyta Rabelo, Iara Valentim e Mônika Oliveira.

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