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Cordas em movimento: projeto do Ifal Viçosa transforma iniciantes em músicos e leva violino às escolas
No interior de Alagoas, onde o acesso à formação musical ainda é limitado para muitos, um grupo de estudantes decidiu encarar o desafio de aprender, ou aprofundarm, o estudo do violino. O resultado foi disciplina, descoberta e um novo olhar sobre o mundo. É assim que se define o “Cordas em Movimento”, curso de extensão realizado no Instituto Federal de Alagoas (Ifal), campus Viçosa.
Idealizado e conduzido pelo professor Eliaquim Teixeira, o projeto nasceu com uma proposta direta, mas ambiciosa: promover educação musical para estudantes da região, combinando teoria e prática instrumental. Ao longo de um semestre de atividades, o curso consolidou um espaço de formação contínua, marcado pelo compromisso dos participantes e pelo fortalecimento da música no campus.
A origem da iniciativa passa por um movimento coletivo. A estudante Edna Martins, que atuou como monitora do curso, conta que a ideia surgiu a partir de experiências anteriores com ensino musical em Viçosa. “Eu fazia parte do laboratório da UFAL no polo de Viçosa. Quando as atividades foram encerradas, surgiu, em uma conversa com o professor Eliaquim Teixeira e com Vandege Ferro, a ideia de criar um novo curso voltado para a comunidade”, relembra.
Segundo ela, a proposta rapidamente ganhou forma. “O professor Eliaquim Teixeira ficou responsável pelas aulas, e eu atuei como monitora. O curso foi pensado para atender a comunidade, trabalhando tanto a teoria quanto a prática do violino”, explica.
Para Edna Martins, acompanhar o processo foi transformador. “Foi uma experiência muito importante e enriquecedora. Pude ver de perto o desenvolvimento dos alunos e auxiliar nas atividades, o que também contribuiu para o meu próprio aprendizado. Foi muito interessante observar a evolução de cada um ao longo do semestre”, afirma.
A turma reuniu perfis diversos. Enquanto alguns estudantes tiveram ali o primeiro contato com o instrumento, outros já traziam experiências anteriores e encontraram no curso a oportunidade de aprimorar técnica, ampliar repertório e consolidar conhecimentos. Essa troca entre níveis diferentes de aprendizado acabou se tornando um dos pontos fortes da formação.
É o caso de Lázaro Souza, natural de Viçosa, que já tinha experiência com o violino antes de ingressar no projeto. Para ele, o curso foi decisivo para avançar no domínio do instrumento. “Eu já tocava, mas aqui consegui desenvolver melhor as técnicas. Foi muito importante também para o meu desenvolvimento pessoal”, afirmou.
A psicopedagoga Vandege Ferro também integrou a turma e destaca o alcance que o projeto vem conquistando. “Toco violino e um pouco de violão, e o Cordas em Movimento trouxe frutos bons. Estamos sendo convidados para eventos, o que mostra a força do trabalho que está sendo feito”, relatou.
Para ela, o impacto chega à comunidade. “A comunidade de Viçosa só tem a agradecer ao campus pelo acolhimento e pela oportunidade. É um projeto que realmente faz a diferença”, completou.
Além de ensinar a tocar, o curso mergulhou os participantes em conteúdos fundamentais da música. Os estudantes aprenderam a ler partituras na clave de sol, desenvolveram técnicas do violino e passaram a utilizar softwares de edição musical, ampliando as possibilidades de estudo. Ao mesmo tempo, foram convidados a compreender a música em diálogo com a História da Arte, conectando som, cultura e tempo.
O impacto, no entanto, não ficou restrito à sala de aula. A turma ganhou palco. Primeiro, dentro do próprio Ifal, com a realização de um recital no auditório do campus, marcando a estreia de muitos alunos e também evidenciando a evolução daqueles que já tinham alguma vivência musical. Depois, atravessando os muros da instituição, com uma apresentação musical na Escola Municipal de Ensino Dr. Manuel Firmino, onde levaram o som do violino a estudantes da rede pública.
A iniciativa também ganhou visibilidade acadêmica ao ser apresentada como projeto de extensão durante a Semana Integrada de Administração (SIAI), reforçando o papel do Ifal como espaço que articula ensino, pesquisa e extensão de forma concreta.
Para o diretor-geral do campus, Bruno Tavares, o projeto merece reconhecimento. “Quando abrimos espaço para iniciativas como essa, estamos ampliando horizontes e garantindo que a educação pública alcance diferentes dimensões da formação humana. Também é importante destacar o trabalho do professor Eliaquim Teixeira, que conduziu o projeto com dedicação e sensibilidade, contribuindo para que a música se fortalecesse como prática formativa no campus”, afirmou.
Ao longo do percurso, o curso foi reunindo elogios de quem acompanhou de perto a evolução dos estudantes. Não apenas pela qualidade musical, mas pelo processo construído. Aprender um instrumento exigiu disciplina, responsabilidade e persistência. Em troca, ofereceu novas formas de perceber a realidade.
O “Cordas em Movimento” entregou uma experiência formativa consistente. Ao longo de um semestre, ajudou a consolidar a música como prática viva dentro e fora do campus, mostrando que, quando a educação pública cria caminhos, a arte encontra espaço para acontecer e segue ecoando para além do palco.