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Live aborda a tentativa de desmonte dos movimentos afro-brasileiros

Haverá certificação para os(as) participantes que se inscreverem
por Adriana Cirqueira publicado: 16/11/2020 10h07, última modificação: 16/11/2020 12h00
Consciência Negra 2020

Consciência Negra 2020

Para marcar a passagem do Dia da Consciência Negra, o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) e a Diretoria de Ensino do Instituto Federal de Alagoas Campus Satuba promovem a live "De Palmares à Palmares: a tentativa de desmonte dos movimentos afro-brasileiros".  As inscrições estão sendo realizadas pela plataforma Doity.

O evento acontece no canal do You Tube da Diretoria de Ensino do campus, na próxima quarta-feira (18), a partir das 19 horas. Participam, como palestrantes convidados, o músico Janderson Nascimento e o professor Sergio Ricardo Gomes, unindo a militância à academia para aprofundar reflexões necessárias ao entendimento da conjuntura atual.

Pernambucano radicado em São Paulo, Janderson é Mc, funkeiro e militante. "Penso que o funk, para além de um gênero musical, é uma das armas que tem a juventude para contestar as injustiças sociais. Por isso deposito minhas esperanças no funk consciente e busco não só cantar como também interagir e divulgar obras com capacidade de criticar os problemas sociais".

Em sua visão, o funk se coloca como o estilo mais autêntico da atualidade para se manifestar a negritude. "Apesar da repressão policial, na periferia de São Paulo, os bailes funk são os eventos que reúnem a maior quantidade de jovens na cidade. Enxergo, na configuração desse tipo de evento, uma manifestação cultural legítima que anseia pelo direito à cidade, mesmo com os defeitos que tem", assevera.

"A luta antirracista é parte de um projeto radical e subversivo de transformação social. O debate sobre a questão racial não pode e não deve se circunscrever a datas, ou momentos episódicos, deve, isto sim, compor o conjunto mais amplo de nossas práticas cotidianas, fazendo parte de nossa lente, da forma mesma que olhamos e encaramos o mundo, da trivialidade as nossas visões de mundo mais amplas".
Sergio Ricardo Gomes

Doutor em Sociologia, Sergio é professor do Ifal e participa de grupos de pesquisa em diferentes instituições, atuando nas áreas de Sociologia do Trabalho com ênfase na reestruturação produtiva e seus impactos na base material do capitalismo, teoria do valor e trabalho imaterial e Sociologia Urbana, trabalhando com a temática dos descolamentos pendulares e nos novos padrões dispersos de urbanização.

Sérgio é professor de Sociologia do Campus Satuba e buscará explicar os desdobramentos que o atual estágio de desenvolvimento do capitalismo impõe à sociedade: seu caráter predatório, como se manisfesta, quem são os mais vulneráveis, entre outros pontos. "A falência desse modelo de sociedade, que se impôs virulentamente a todos, repercute dramaticamente sobre aqueles(as) que já carregam sobre si o peso social e cultural da segregação e marginalização peculiares ao Brasil. A população preta, em nosso país, sofre, material e simbolicamente, o preço da escravidão prolongada, o preço de um país míope, de um povo mergulhado na pobreza, de uma classe média leniente com a desigualdade em geral e, em particular, com o racismo e o preço de uma elite racista, boçal e parasitária", analisa o professor, pontuando, ainda, que o racismo, no Brasil e no mundo, só será devidamente apreendido e definitivamente superado, quando todos entenderem que essa questão atravessa toda sociedade, desta forma, um problema de todos.

Para a diretora de ensino do campus, Morganna Morais, a temática escolhida para a live em comemoração ao dia da Consciência Negra é de extrema relevância diante do nosso contexto atual, "frente à realidade de que instituições têm atuado contra os interesses da comunidade negra. Exemplo notório tem sido visto na Fundação Palmares: que foi criada para preservar valores culturais, históricos, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira".

Morganna explica que as discussões travadas no evento prometem ser bastante elucidativas e capazes de gerar reflexões importantes sobre a temática tratada. "Portanto, aguardamos toda a comunidade acadêmica do campus Satuba dia 18 de novembro, às 19h no canal do ensino do Youtube", convida.

As atividades do Neabi Campus Satuba acontecem com regularidade durante todo o ano letivo. Com a suspensão das atividades letivas seguida pelo ensino remoto emergencial, o Neabi se adaptou e organizou atividades de formação on line pela plataforma Google Meet, lives pelo canal do You Tube do ensino e pelo Instagram do Neabi, entre outras ações. Para Richard Plácido, vice-coordenador do Neabi Satuba, "é importante que o núcleo sempre esteja promovendo ações afirmativas, buscando as relacionar com as atividades pedagógicas do campus, unindo estudantes, técnicos e docentes  na busca de um desenvolvimento político e humano".

De natureza propositiva e consultiva, o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) é responsável por fomentar, estimular e promover ações de natureza sistêmica, no âmbito do Ensino, Pesquisa e Extensão, orientadas à temática das identidades e relações étnico-raciais, especialmente quanto às populações afro-brasileiras e indígenas, que promovam o cumprimento efetivo das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008 e normas correlatas no âmbito do Ifal.

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