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Livro sobre a pandemia tem capítulo com autoria de professora do Ifal Penedo

Intitulado “Pandemia de Covid-19: entre palcos e telas”, artigo é assinado por Eliza Vianna em parceria com outros dois pesquisadores.
por Lidiane Neves publicado: 19/03/2021 13h48, última modificação: 19/03/2021 14h00
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Eliza Vianna, professora de História do Ifal Penedo

Esta semana, o Brasil completou um ano do primeiro anúncio oficial de morte por Covid-19. Desde março de 2020, o país vive a crise causada pela pandemia e, não por acaso, o cenário atual é de agravamento. Nesse contexto, embora não com ações objetivas e imediatas demandadas pela sociedade, as Ciências Humanas têm um lugar importante no enfrentamento à doença, que no Brasil, não por acaso, já ceifou cerca de 280 mil vidas.

“As Humanidades permitem pensar a saúde também como um fenômeno necessariamente social, já que ela está entrelaçada a uma série de fatores, entre eles, culturais, econômicos, geográficos”, destaca a professora de História do Instituto Federal de Alagoas – Campus Penedo, Eliza Vianna, autora de um dos capítulos do livro Sobre a pandemia: experiências, tempo & reflexões, lançado este mês pela Hucitec Editora.

A docente é doutora em História das Ciências e da Saúde pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e assina o artigo “Pandemia de Covid-19: entre palcos e telas”, em parceria com os pesquisadores Dilene Nascimento e Marcos Roma Santa. No texto publicado, eles esboçam uma tentativa de compreensão do contexto atual, partindo das ferramentas de análise da história, que ajude a lidar com a tragédia vivenciada. “Trazemos uma comparação com a pandemia de HIV/Aids, como forma de tentar entender as diferenças e semelhanças com a pandemia de Covid-19”, completa Eliza.

 Segundo ela, tais ferramentas de análise, mais especificamente do âmbito da história das doenças, correspondem ao trabalho de pensar em outros processos pandêmicos com um referencial de passado, neste caso, o da epidemia de HIV/Aids surgida na década de 1980 e espalhada pelo mundo anos depois.

“Isso é realizado não no sentido apenas de procurar semelhanças e diferenças, como se estava fazendo no começo da pandemia atual, comparando-a com a gripe espanhola. O esforço é o de pensar, de modo geral, no contexto de tragédia que a gente está vivendo, e como a História pode tentar entender, por exemplo, como que os diferentes atores sociais trabalham para também reagir”, explica Eliza, acrescentando que uma das concepções trazidas da história da Aids para o cenário de causa de hoje é justamente a ausência de resposta pública, ou seja, o descaso do poder público como agravante da crise sanitária no Brasil.

Outro ponto levantado no texto, baseado na compreensão teórica da história das doenças, é como que as epidemias escancaram grandes problemas sociais, no sentido de mostrar que o combate à doença não se dá exclusivamente enquanto fenômeno biológico, mas também como fenômeno social. “Pensando no contexto brasileiro, temos alguns problemas gerais que vêm sendo evidenciados, que é a questão da desigualdade social e do racismo, e é importante perceber como tudo isso se coloca no contexto de acesso à saúde no momento de crise”.

A pesquisadora cita a suposta dicotomia entre economia e saúde, como um discurso que vem se repetindo desde março do ano passado. “Elas são colocadas neste cenário de pandemia como se fossem coisas opostas e, na verdade, fazem parte de um mesmo problema. Então, em um certo sentido, a história da saúde, a história das doenças, nos ajudam nesse processo analítico amparando essas discussões de saúde pública”.

 Palcos e telas

Ao propor reflexões sobre cada uma das pandemias, o texto publicado evidencia a de HIV/Aids como a pandemia televisionada, levantando as problemáticas do discurso único dos meios de comunicação de massa e de como essa narrativa midiática influenciou o percurso da doença enquanto fenômeno social.

Já a pandemia de Covid-19 é contextualizada na era da web 4.0, um outro momento histórico, no qual a produção de informações já não é exclusividade da grande mídia e as figuras do emissor e receptor da mensagem não ocupam mais lugares distintos. “A respeito desses dois contextos, não buscamos uma conclusão, no sentido de bom ou ruim. Nossa tentativa foi a de apontar essas diferenças analiticamente”, conclui a docente.

Antes de estabelecer pontos de análise entre as duas pandemias, os autores dedicam parte do texto à tentativa de explicar a complexa tarefa do historiador em analisar os fatos, enquanto vive a experiência da Covid-19. “O trabalho do historiador pode ser descrito, grosso modo, como o de um montador de quebra-cabeças. (…) Contudo, a análise dos acontecimentos em tempo presente requer que esse esforço de compreensão se coadune à dramaticidade de viver uma tragédia em tempo real”, diz um trecho.

O capítulo do livro foi escrito a convite do professor da Faculdade de Medicina da USP, André Mota, organizador da obra. No site da Hucitec Editora, onde Sobre a pandemia está a venda, é possível conferir a abertura, sumário e apresentação da coletânea de textos que reúne intelectuais de distintas áreas do pensamento científico, preocupados em traduzir as interações e tensões em torno da pandemia Covid-19. Para conferir, CLIQUE AQUI.