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Iniciativa do Ifal Penedo é selecionada para a final do Prêmio InovaEDU 2026

Projeto cria Observatório Socioambiental do Baixo São Francisco a partir de dados, mapas e diagnósticos produzidos por estudantes
publicado: 23/09/2026 15h57, última modificação: 23/09/2026 15h57

Por Emerson Lima (estagiário de Jornalismo) e Lidiane Neves

O Instituto Federal de Alagoas – Campus Penedo é um dos finalistas do Prêmio InovaEDU 2026, com o projeto “Observatório Socioambiental do Baixo São Francisco: ciência e educação para o território”, na categoria Pesquisa Inovadora. A premiação integra a Semana de Pesquisa, Tecnologia e Inovação na Educação Básica, a SINPETE, que nesta edição ganhou abrangência nacional, passando a receber propostas de Alagoas e de outras regiões do Brasil.

O projeto finalista é coordenado pela professora Neirevane Souza e tem como integrantes da equipe as alunas Maria Eduarda Nunes Santos, Nicole Nery Oliveira e Sophia Adrielle Paulino Manhães, do 2° ano do curso técnico em Meio Ambiente integrado ao ensino médio. Além delas, participam dos processos de investigação e produção dos diagnósticos para o Observatório Socioambiental os demais estudantes da turma, matriculados nas disciplinas de Saneamento Ambiental e Geoprocessamento.

O objetivo do projeto é trabalhar com bases públicas de dados, programas de georreferenciamento e planilhas, para levantar indicadores, produzir gráficos e mapas, além de interpretar condições socioambientais locais. A professora Neirevane explica que as atividades acontecem em sala de aula e no Laboratório de Informática. “Elas estão estruturadas em quatro etapas: levantamento dos dados; organização, análise e representação; construção dos diagnósticos; e construção e socialização do Observatório”, enumera.

Para o desenvolvimento dos trabalhos, os estudantes da turma foram organizados em grupos e escolheram um município do Baixo São Francisco para desenvolver seu diagnóstico socioambiental. Estão entre as localidades trabalhadas Penedo e Piranhas, em Alagoas, e Neópolis, em Sergipe.

 Os estudantes são orientados a extrair dados públicos de bases como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), o Instituto Água e Saneamento (IAS) e o MapBiomas (sistema de acesso aos mapas anuais de cobertura e uso da terra no Brasil), além dos relatórios das Expedições Científicas do Rio São Francisco, realizadas pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). “O trabalho também envolve o uso dos softwares QGIS e Google Planilhas para criar mapas e organizar as informações”, acrescenta a coordenadora do projeto.

Na etapa final, os diagnósticos produzidos pelos estudantes serão reunidos no Observatório Socioambiental do Baixo São Francisco, organizado por município e eixo temático em uma plataforma digital de fácil acesso. Tanto a comunidade escolar quanto o público em geral poderão acessar e visualizar os dados, gráficos, mapas e demais resultados da pesquisa construídos de forma colaborativa.

“Estamos falando de uma iniciativa que integra ensino, pesquisa e extensão, uma ação que consegue transpor aquilo que é trabalhado em sala de aula, disponibilizando esse material para a sociedade e para que também sirva às atividades de educação ambiental nesses municípios ribeirinhos que há décadas sofrem com a degradação do rio e seu entorno”, ressalta a professora Neirevane (CONFIRA VÍDEO sobre o Observatório).

Protagonismo estudantil e feminino

O projeto envolve os estudantes em todas as etapas de construção do Observatório Socioambiental, desde a produção e análise dos dados até a divulgação dos resultados. “A proposta busca desenvolver nos alunos o letramento cartográfico e de dados, o pensamento crítico e a capacidade de compreender os problemas socioambientais do próprio território”, reforça a docente.

 Neirevane também evidencia que a iniciativa valoriza o protagonismo estudantil, com destaque para a participação das meninas na equipe, aspecto que dialoga com o tema da SINPETE Nacional 2026: Mulheres e Juventudes nas Ciências: inovação, empreendedorismo e futuros que se constroem.

Para a aluna Nicole, o interesse pelo projeto surgiu da relação com o próprio território, já que é moradora de Penedo e reconhece o papel do Rio São Francisco para a região. “É fundamental fazer com que as outras pessoas também tenham esse olhar e entendam a necessidade de preservar o meio ambiente”, afirma.

Sua colega Maria Eduarda também ressalta o diferencial de os estudantes participarem diretamente da construção do Observatório. “É de extrema importância a professora nos incluir nesse processo, que nos capacita tanto para nossa atuação futura como técnicas ambientais quanto como cidadãs que podem, a partir do acesso a essas informações, pensar em soluções para nossa própria cidade”, destaca.

Já a estudante Sophia se interessou pela proposta por ter afinidade com os conteúdos de Geoprocessamento, área que utiliza dados e mapas para compreender as características e transformações de um território. “Estou tendo a oportunidade de aprender mais sobre o QGIS [software gratuito e de código aberto utilizado para criar, visualizar e analisar mapas]”, conta a jovem, que pretende se tornar professora de Geografia.

Sobre a premiação

O Prêmio InovaEDU busca reconhecer, valorizar e dar visibilidade a produtos, pesquisas e práticas inovadoras no âmbito da Educação Básica. A etapa final será realizada presencialmente na Ufal, em Maceió, durante a programação da SINPETE Nacional, entre os dias 26 e 30 de outubro. Nesta edição, o evento promovido pela Ufal tem o Ifal como correalizador.

Cada equipe finalista terá um estande para apresentar suas propostas, que serão avaliadas por comissão composta por pesquisadores, professores, técnicos, profissionais da Educação Básica, especialistas, representantes de instituições parceiras e/ou consultores, conforme a natureza da categoria avaliada. Ao todo, foram classificadas para a última etapa 42 produtos, 22 pesquisas e 26 práticas inovadoras. Além de Penedo, outros quatro campi do Ifal (Benedito Bentes, Maceió, Murici, Satuba) estão entre os finalistas com propostas inscritas nas diferentes categorias.

Haverá premiação para os três primeiros lugares, contemplando duas dimensões de reconhecimento: premiação estadual (destinada às propostas oriundas de instituições de Alagoas) e premiação nacional (destinada à concorrência entre propostas classificadas de Alagoas e propostas finalistas de outras unidades da Federação). “Para nós, já é uma alegria muito grande ter chegado até aqui, pois é a primeira vez que o Campus Penedo se inscreve para concorrer ao Prêmio InovaEDU e já foi contemplado com a classificação para a etapa final”, conclui a professora Neirevane Souza.