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Ifal Penedo tem três patentes de invenção depositadas no INPI

Iniciativas resultam de projetos relacionados à extração de elementos químicos em sedimentos do rio e identidade do mel
publicado: 14/02/2026 08h47, última modificação: 19/02/2026 15h12

Por Emerson Lima (estagiário de Jornalismo)*

O Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) depositou, no último mês de janeiro, três patentes de invenção no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A iniciativa resulta de projetos do Campus Penedo, que renderam três invenções, duas delas de método para otimizar a extração dos elementos químicos Fósforo e Cromo em sedimentos superficiais do rio São Francisco, além de outra para caracterização e determinação da identidade do mel de abelha.

Vinculadas aos Programas Institucionais de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibiti) e de Iniciação Científica (Pibic), as pesquisas foram desenvolvidas entre os anos de 2023 e 2025, sob a coordenação da professora de Química Elisangela Santos. Os estudos e experimentos contaram com a participação de dois estudantes do curso superior em Química Industrial e outros dois do curso técnico em Química.

Extração de Fósforo e Cromo

Juci Alana, bolsista da pesquisa relacionada à extração de Fósforo.pngDe acordo com a professora Elisangela, que vem realizando estudos sobre o Baixo São Francisco, na região entre as cidades de Penedo e Piaçabuçu, desde 2018, o projeto relacionado à extração do Fósforo visou observar os impactos da agricultura intensiva no meio ambiente. Ela identificou que o solo da região é basicamente areia (grossa e fina) e argila composta pelo argilomineral caulinita, que não retém o elemento químico estudado. “Essas características criam risco de contaminação das águas, o que pode impactar na saúde da população local”, alertou a coordenadora da pesquisa.

Os experimentos para otimização da extração de Fósforo foram iniciados em 2023 e tiveram a aluna Juci Alana Santos Silva como bolsista do Pibic e o aluno Doriedson Silva Santos Junior como voluntário. Os estudantes atualmente cursam, respectivamente, o 8° e 6° período da graduação em Química Industrial. Eles utilizaram o bloco digestor para extração e realizaram análises por meio do UV-Vis, equipamento laboratorial de alta precisão que examina amostras orgânicas e inorgânicas, para identificar a presença do elemento químico.

Maria Witórya, voluntária da pesquisa relacionada às análises do Cromo.pngJá o desenvolvimento da metodologia para otimizar a extração do Cromo teve início em 2024 e foi concluído em 2025. A estudante Juci Alana também compôs a equipe como bolsista do Pibic e o projeto contou ainda com a colaboração voluntária da aluna Maria Witórya Silva dos Santos, do 3° ano do curso técnico em Química integrado ao ensino médio. Os experimentos para a pesquisa também fizeram uso do bloco digestor.

Segundo a professora Elisangela, o estudo teve como objetivo identificar, após a análise de Cromo Total em uma determinada amostra de sedimentos superficiais do rio São Francisco, a presença do Cr(IV), uma espécie tóxica do elemento químico. A metodologia desenvolvida consegue precisar a espécie e avaliar riscos ambientais associados à contaminação pelo Cromo. “Diferentemente do Cr(III), o Cr(VI) é nocivo à saúde, pois pode provocar problemas relacionados a modificações no DNA e até causar câncer em humanos”, pontuou a docente.

Caracterização do mel

Nos experimentos para caracterização da identidade do mel de abelha, também realizados entre 2024 e 2025, Doriedson Silva atuou como bolsista do Pibiti e o estudante do 2° ano do técnico em Química, David Antônio Menezes dos Santos, como voluntário.

Doriedson Silva e David Antônio, bolsista e voluntário da pesquisa relacionada à identidade do mel.pngA pesquisa foi realizada nas cidades de Igreja Nova, Penedo e Piaçabuçu e surgiu da demanda de apicultores da região. “Eles procuraram o Ifal Penedo em busca de uma solução para melhorar a qualidade do produto”, disse a professora Elisangela. “Eles observavam que em determinadas épocas do ano, a coloração do mel mudava, seja por questões de clima, florada ou outro fator”, completou Doriedson.

A invenção do processo para a caracterização pretendida fundamentou-se na integração funcional de dados através de análises realizadas nos laboratórios do campus, as quais demonstraram superar limitações relacionadas à variabilidade natural do produto.

Otimista em relação às perspectivas da patente, Elisangela acredita que é possível realizar algumas análises químicas de forma simples e econômica. “É isso que a gente quer: mostrar para a sociedade, e principalmente para o pessoal da apicultura, que é possível investir na qualidade do produto que eles comercializam”, destacou a docente.

Importância para o campus

Profa. Eliangela Santos, coordenadora dos três projetos de pesquisa do Ifal Penedo.JPEGPara Elisangela, que é doutora em Química Analítica, os três projetos demonstram que a pesquisa continua sendo um bom campo de atuação para os estudantes do Ifal Penedo. “A experiência prática de realizar análises em laboratório e desenvolver métodos mais eficientes para tratar de problemas demandados, tanto pela área da Química quanto do Meio Ambiente, tem sido muito importante na formação deles”.

Sobre a importância do depósito das patentes, a professora concluiu: “a gente tem nas mãos toda uma documentação, todo um estudo feito através de processos e análises, algo inovador. Então, é bem interessante e muito importante ter um processo para poder analisar e saber como fazer. Isso é muito importante porque fica bem respaldado na forma de uma patente”.

Após o depósito do pedido de patente junto ao INPI, o processo passa por uma série de etapas até a possível concessão do título. Primeiro, o pedido é publicado na Revista da Propriedade Industrial, o que ocorre, em regra, após 18 meses do depósito. A partir daí, o depositante deve solicitar o exame técnico, etapa em que especialistas do INPI avaliam se a invenção atende aos requisitos legais de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial. Durante essa fase, podem ser feitas exigências técnicas, às quais os inventores precisam responder dentro dos prazos estabelecidos.

Concluído o exame, o INPI decide pelo deferimento ou indeferimento do pedido. A concessão da carta-patente assegura ao titular, que nesse caso é o Ifal, o direito de exploração exclusiva da invenção por até 20 anos, contados a partir da data do depósito.

(*) Sob a supervisão de Lidiane Neves