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Estudantes do Ifal Penedo apresentam projeto de pesquisa do Neabi em encontro nacional

Evento aconteceu entre os dias 14 e 16/09, em São João del-Rei (MG), e contou com alunos e servidores de outros campi do Ifal
publicado: 19/09/2023 11h45, última modificação: 19/09/2023 12h04

Por Imarlan Gabriel (estagiário de Jornalismo)*

Entre os dias 14 e 16 deste mês, o Instituto Federal de Alagoas (Ifal) participou do 7º Encontro Nacional de Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Enneabi) e grupos correlatos da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica. O evento aconteceu no Campus São João del-Rei do Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste MG), reunindo delegações de todas as regiões do país.

Do Campus Penedo, a comitiva do Ifal contou com três discentes, que levaram a experiência do projeto de pesquisa “Encrespando as ideias: a relação entre racismo e a dificuldade de aceitação dos cabelos no Ifal Penedo”. O trabalho foi elaborado e apresentado pelos estudantes do 3º ano dos cursos técnicos integrados ao ensino médio, Yara Pereira (Meio Ambiente), Mário Alves (Meio Ambiente) e Paulo Rocha (Química).

A apresentação foi feita oralmente e com o auxílio de um pôster para uma plateia composta por pessoas de diferentes unidades da Rede Federal, além dos avaliadores. “Foi importante levar o projeto ao encontro, porque o evento abrange muito mais gente e de todo lugar do Brasil, além de Alagoas. A experiência de estar lá foi inovadora e revigorante. Ver tanta gente nova e de várias etnias é algo muito bom. O que mais me marcou foram as apresentações, porque nós vemos cada dia mais o nosso espaço sendo conquistado e tomando proporções gigantescas”, disse o aluno Paulo Rocha.

Os estudantes Mário Alves, Yara Pereira e Paulo Rocha acompanhados pela coordenadora de Ações Inclusivas do Ifal, Bárbara Guerreiro.O projeto de pesquisa levado ao Enneabi foi aprovado no edital 02/2023 do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) do Ifal Penedo. Ainda em fase inicial e sob a orientação da professora Eliza Vianna, a pesquisa tem como objetivo mostrar a relação entre a discriminação a cabelos crespos e cacheados e a influência desse preconceito no processo de aceitação dos cabelos, principalmente os de pessoas negras. Inserindo a discussão no ambiente escolar, o grupo busca saber o que pensam os estudantes do campus sobre o assunto e fazê-los conhecer os diferentes tipos de cabelos, com ênfase nos crespos e cacheados, através da representatividade de pessoas públicas.

“O projeto é importantíssimo, pois percebe-se a dificuldade de aceitação dos discentes e de cidadãos do município [de Penedo], assim como a carência de representatividade na vida dos mesmos. Buscamos promover uma consciência de pertencimento e de aceitação de pessoas negras partindo dos cabelos e desmascarar o racismo estrutural que está enraizado na sociedade e na mídia. Promover o conhecimento acerca da temática vai além da comunidade onde se inicia e se aplica o projeto. Tem importância para toda comunidade historicamente oprimida”, explicou a aluna Yara Pereira.

O grupo acredita que a pesquisa pode colaborar para o aumento da autoestima das pessoas com relação ao cabelo delas e aceitação do cabelo de outras pessoas, além de ajudar na quebra de estereótipos e ensinar os estudantes a agir de modo respeitador, dentro e fora do campus, tornando os ambientes educacionais mais harmônicos e respeitosos. Para isso, entre as ações do projeto estão: rodas de conversas, elaboração de cartazes, criação de formulários e outras atividades que promovam o combate ao racismo nas ações cotidianas.

Evento aconteceu entre os dias 14 e 16 deste mês, no Campus São João del-Rey do Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais.Os estudantes do Campus Penedo viajaram para participar do evento no ônibus disponibilizado pela Coordenação de Ações Inclusivas (CAI) do Ifal, setor ligado à Pró-Reitoria de Ensino (Proen), que coordena, além dos Neabi’s da instituição, os núcleos de Atendimento às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (Napne) e de Gênero, Diversidade e Sexualidade (Nugedis). Segundo a coordenadora da CAI, Bárbara Guerreiro, a comitiva do Ifal que marcou presença no 7º Enneabi contou com 29 pessoas, entre estudantes e servidores de oito campi (Arapiraca, Batalha, Coruripe, Murici, Palmeira dos Índios, Penedo, Piranhas, Satuba) e da reitoria.

O encontro nacional e o papel dos núcleos**

O 7º Enneabi trouxe como tema principal a “Rede Federal na Encruzilhada: entre resistências e reconstruções”, com a proposta de discutir o papel dos institutos federais no cotidiano escolar com relação aos fenômenos excludentes que envolvem a discriminação racial, de gênero, sexualidade, religião, entre outras. A perspectiva é de que tais práticas discriminatórias prejudicam o acesso, a permanência e o sucesso escolar dos estudantes que pertencem aos grupos discriminados.

Comitiva do Ifal que marcou presença no 7º Enneabi contou com 29 pessoas, entre estudantes e servidores de oito campi e da reitoria.Daí, entram o papel dos núcleos dedicados aos estudos afro-brasileiros e indígenas, como os Neab’s e Neabi’s, que têm se tornado importantes espaços para discussão e aprimoramento de conversas sobre a temática no ambiente escolar. Os núcleos reconhecem que ainda precisam resistir ao racismo estrutural e institucional que permeia a sociedade e as instituições educacionais. Mas, eles também veem uma reabertura do diálogo em nível federal, para que as pautas identitárias e os processos de inclusão possam fazer mais parte do cotidiano educacional e permitir pensar em reconstrução.

(*) Sob a supervisão de Lidiane Neves
(**) Com informações do site do evento: www.even3.com.br/enneabi_eras2023