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Educação Especial Inclusiva foi destaque na abertura do Encontro Pedagógico do Ifal Penedo

Pedagoga convidada e profissional do Napne abordaram desafios e possibilidades da inclusão na prática pedagógica
por Lidiane Neves publicado: 10/04/2026 09h57, última modificação: 10/04/2026 19h38

A Educação Especial Inclusiva foi o tema central das atividades de terça-feira (7), primeiro dia do Encontro Pedagógico 2026 realizado pelo Instituto Federal de Alagoas – Campus Penedo. A programação reuniu os servidores da unidade de ensino em momentos de formação voltados à reflexão sobre práticas pedagógicas mais acessíveis e comprometidas com o direito à aprendizagem de todos os estudantes.

As atividades começaram com a palestra da pedagoga do Campus Maceió, Wanessa Melo, que abordou os princípios da educação inclusiva e os desafios enfrentados pelas instituições de ensino na promoção de um ambiente escolar que respeite as diferenças e valorize a diversidade. Durante o momento formativo, foram apresentados conceitos, orientações legais e estratégias que contribuem para o fortalecimento de práticas voltadas ao atendimento educacional especializado.

 “Não há fórmula, é percurso, aprendizagem cotidiana. É buscar entender que cada deficiência tem um jeito específico de aprender. Requer sair da caixinha, pensar nas necessidades do aluno, porque se não pensarmos nas necessidades, não vamos conseguir pensar nas alternativas”, destacou a palestrante convidada, que, além de servidora do Ifal, atua como professora do Estado de Alagoas na área de Educação Especial.

Wanessa Melo também abordou o conceito de capacitismo e suas formas de manifestação, definindo-o como atitudes, comportamentos e estruturas sociais que perpetuam preconceitos e dificultam a autonomia e participação plena de pessoas com deficiência. “É preciso olhar a pessoa para além da deficiência. Muitas vezes, o capacitismo não é explícito, está na linguagem superficial”, alertou.

Parceria e compreensão das particularidades de cada estudante

Na sequência, Raísa Coutinho, profissional de Atendimento Educacional Especializado (AEE) do Campus Penedo, realizou uma apresentação baseada na experiência prática do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (Napne), detalhando como acontece o acompanhamento dos estudantes atendidos e destacando a importância da integração entre todos os setores da instituição. Segundo ela, a inclusão depende de uma atuação articulada entre professores, equipes dos diferentes setores do Ifal e família. “A inclusão acontece quando há parceria, não sobrecarga”, ressaltou.

 Na ocasião, a profissional explicou a importância de instrumentos fundamentais para o acompanhamento dos estudantes, como o Plano Educacional Individualizado (PEI), além de apresentar o novo requerimento que será adotado no protocolo de identificação e intervenção pedagógica. Esses mecanismos, conforme destacou, contribuem para que as estratégias pedagógicas sejam planejadas de acordo com as necessidades e características de cada estudante.

Outro ponto enfatizado foi a importância de conhecer o estudante em sua individualidade para promover uma formação adequada. “Não existe uma única forma de aprender, mesmo entre estudantes com o mesmo tipo de transtorno ou deficiência”. Raísa também reforçou a necessidade do envio antecipado de conteúdos e materiais didáticos pelos docentes, como forma de possibilitar a adaptação pedagógica mais adequada e garantir condições equitativas de participação e aprendizagem.

Ao apresentar dados referentes aos atendimentos realizados pelo Napne nos últimos seis anos, a profissional chamou atenção para o crescimento no número de estudantes encaminhados ao núcleo em 2025. A análise dos casos revelou que cerca de 80% dos encaminhamentos estavam relacionados a dificuldades de aprendizagem decorrentes de lacunas na formação básica, especialmente no ensino fundamental, e não necessariamente à presença de transtornos ou deficiências diagnosticadas.

Das discussões à prática inclusiva

Fechando a programação do primeiro dia, no turno da tarde, os docentes participaram de uma oficina voltada à construção de estratégias pedagógicas inclusivas. A atividade, conduzida pela pedagoga convidada e pela profissional do Napne, debruçou-se sobre os casos de alunos com alguma deficiência ou transtorno de aprendizagem já acompanhados pelo núcleo do Campus Penedo.

A proposta foi a de fazer um planejamento para elaboração do Plano Educacional Individualizado (PEI) e do Plano de Adaptação Curricular (PAC) dos cinco estudantes previamente escolhidos. A atividade permitiu que os docentes refletissem sobre estratégias pedagógicas adequadas às necessidades específicas de cada aluno, considerando suas potencialidades, desafios e formas de aprendizagem.

O Encontro Pedagógico integra o calendário institucional do campus e tem como objetivo promover a formação continuada dos profissionais da educação, contribuindo para o aprimoramento das práticas pedagógicas. Os temas da edição 2026 foram definidos pela gestão com base em um questionário respondido pela equipe docente e outros servidores ligados à área do ensino.

 As atividades do encontro seguiram na quarta (8) e quinta-feira (9) com outras discussões e momentos formativos. No segundo dia, a programação incluiu uma oficina ministrada pelo professor do Campus Piranhas, Tâminez Farias, sobre o Sistema Unificado de Administração Pública (SUAP), que está em implantação no Ifal e substituirá o Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA), além de uma reunião para avaliação pedagógica do ano letivo de 2025 e planejamento 2026.

No último dia, o tema central foi a Inteligência Artificial na Educação. Pela manhã, no auditório, o professor do Campus Satuba, Everton Marques, trouxe a palestra “Uso de Inteligência Artificial no Ifal: a conversa que não podemos mais adiar”. À tarde, ele conduziu a oficina “IA na Prática”, apresentando ferramentas e possibilidades para a prática docente.