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Arte em suas diversas linguagens desembarca no Ifal Maragogi

Em sua décima segunda edição, o Interarte reuniu grupos artísticos de Alagoas e de Pernambuco durante dois dias de festa

por Bartolomeu Honorato publicado: 31/08/2026 14h17, última modificação: 31/08/2026 15h24

A arte em suas diversas linguagens desembarcou no Campus Maragogi durante a realização do Interarte, evento que teve apresentações de teatro, de dança, de música e exibição de obras visuais nos dias 27 e 28 de agosto. Em sua décima segunda edição, a festa teve por tema “Líricas do mar”, o qual representa um diálogo entre trabalhos artísticos e o litoral maragogiense.

O Interarte começou por volta das 9h da quinta-feira (27) com um barco artesanal passando de mão em mão no interior do auditório, simulando uma embarcação que navegava pelas ondas do mar. Em seguida, os apresentadores chamaram a diretora-geral Sandra Ferraz para contar a história da atividade cultural, que começou na antiga sede da instituição, na região central da cidade. Depois desse discurso, as apresentações iniciaram no palco.

O cenário do evento também remetia à proposta do tema. O azul e o branco na decoração no teto, as réplicas das estrelas do mar e dos polvos fixadas nas paredes levaram o público a mergulhar no mar caribenho de Maragogi. Na Biblioteca, a imersão no “Líricas do mar” era perceptível nos desenhos e obras plásticas impecáveis. Bem próximo dali, a artista plástica  Fátima Menezes pintava um quadro belíssimo inspirado nos tons da água do mar, na areia branca da praia e no céu azulado da cidade.

Em cada encenação teatral, o público do auditório foi tocado. Os espectadores se sensibilizaram com a história de um jovem que superou seus limites, num show de calouros, para realizar o sonho de ser palhaço de circo, contada no espetáculo “Circo lar” do Coletivo de Artes de Corpo (Caco) do IFPE  Barreiros. Em outra peça, as falas dos atores continham peso de crítica social. Eles chamaram a atenção das pessoas para o problema das desigualdades sociais, de renda e de educação que afetam os negros, as mulheres e a população das favelas.

Já o Grupo Caetés, formado por alunos e egressos do Ifal Maragogi, mostrou a produção " A revolta do rei", aprovada pela Política Nacional Aldir Blanc. A peça conta a história de um destino catastrófico para a cidade de Maragogi em decorrência da degradação ambiental. Os amigos Carlos e Pedro dialogam acerca da tragédia climática que assola o município e seus moradores.

Um palco armado em frente ao auditório foi o local destinado às apresentações musicais e de dança de estudantes do Campus Maragogi, de egressos e de convidados de outras instituições. O povo dançou ao som de clássicos do rock nacional e internacional, do coco de roda e fez as coreografias do samba baiano e do funk carioca. Já o ginásio de Esportes recebeu o grupo “Expressão Cultural”, do município de São Luís do Quitunde, o qual exibiu uma montagem de dança inspirada nas memórias dos povos originários da Amazônia. 

Um dos pontos altos da comemoração foi a performance do balé do Resort Salinas Maragogi, que apresentou o espetáculo Show Brasil, mostrando danças típicas de cada região do país. Os bailarinos exibiram o samba do Rio de Janeiro, o forró nordestino, o carimbó de Belém do Pará e os guerreiros de Alagoas. No final, o público se levantou para aplaudi-los aos gritos.

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Interarte é um espaço de reencontro de egressos do Ifal Maragogi

O Interarte é um espaço onde os egressos do Campus Maragogi retornam para rever os velhos amigos e mostrar seus talentos. Karol de Jesus emprestou sua voz aos sucessos do rock nacional e da MPB, levando as pessoas ao delírio. Para ela, é motivo de felicidade retornar à cena cultural da escola após se formar em 2024. “Eu comecei em 2021 e foi uma experiência maravilhosa. Hoje está dez vezes melhor, pois a galera interage, brinca, canta, desenha…eu fico muito feliz em ver isso”, contou Karol de Jesus, que cursa Administração na UFAL.

A estudante Mariana Ferreira Burgo interpretou a ararinha-azul junto com seus amigos, em um espetáculo que visou conscientizar as pessoas acerca da importância da preservação ambiental. Em sua primeira participação no Interarte, ela se sentiu muito feliz com o que vivenciou.  “É muita energia, muita dança e muita arte. Foi a coisa mais especial que já vivi na vida, um momento inesquecível. Que venham os próximos!”, afirmou.

O Interarte recebeu mais de 400 estudantes de escolas da região, os quais prestigiaram as 52 apresentações de teatro, de música e de dança, observaram as 26 produções visuais e 20 literárias. Participaram ainda dos experimentos  de luz, arte e ação no laboratório de Física e acompanharam a execução de 2 projetos de extensão e 1 de pesquisa. Na fala de encerramento da festa, a professora Marcela Camelo Barros destacou que o evento se tornou possível devido ao trabalho coletivo. “Tanta gente ajudou, houve um pedaço de cada um e quero agradecer a participação de todos, incluindo os artistas que se inscreveram e vieram”, agradeceu. A programação artística contou com o apoio da Secretaria de Cultura da prefeitura municipal.

Fechando as apresentações, um coral de libras subiu ao palco do auditório para encantar o povo com a canção “Esperando na janela”. Em seguida, a professora Jaqueline Alves convidou o público a ficar em pé e fazer os movimentos das ondas do mar para o barco seguir sua viagem de volta, prometendo retornar a Maragogi no ano que vem.