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Revista Educte conquista Qualis B3 em avaliação da Capes
Por Alexandre Abreu
Após um período de reestruturação editorial, a Educte, revista científica online do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), começa 2026 com bons motivos para comemorar. Agora em janeiro, conquistou o Qualis B3, referente ao quadriênio 2021-2024, em avaliação realizada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Para a Pró-reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (PRPPI), o resultado coloca o periódico em destaque no cenário acadêmico nacional, como um importante espaço de divulgação científica.
“Sem dúvida, a obtenção do Qualis B3 é um avanço muito significativo, e progressos como este devem ser celebrados, sim. Isso marca positivamente uma nova fase da Educte, de fortalecimento editorial e de reorganização de suas políticas. Tudo graças ao trabalho e à dedicação do Comitê Editorial da revista e do Conselho Editorial do Ifal”, ressalta a professora Eunice Palmeira, pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do Ifal.
O Qualis Periódicos, sistema de avaliação da Capes, tem como finalidade classificar os periódicos científicos utilizados para a divulgação da produção intelectual dos programas de pós-graduação stricto sensu no Brasil. Essa classificação considera critérios como qualidade editorial, regularidade, impacto, abrangência, rigor do processo de avaliação por pares e relevância acadêmica, distribuindo os periódicos em estratos que vão de A1 (mais elevado) a C. Nesse contexto, a classificação B3 da Revista Educte representa o reconhecimento da consistência científica e da credibilidade do periódico, observa a pró-reitora.
“Após um período de descontinuidade iniciado em 2014, a revista foi retomada e relançada em 2020. Tanto o Conselho como o Comitê Editorial foram incansáveis neste processo, dando vazão aos artigos submetidos neste período e que estavam represados. Então, a conquista da classificação Qualis B3 representa o reconhecimento do esforço coletivo de editores, pareceristas, autores e da instituição mantenedora, reafirmando a Educte como um periódico comprometido com a qualidade científica, a ética editorial e a democratização do saber”, reforça a gestora, lembrando que o relançamento foi simbolizado pela publicação de quatro edições referentes aos anos de 2017 a 2020, reafirmando o compromisso institucional com a continuidade e a qualidade do periódico.
Fundamentais para a reestruturação da Educte, o Conselho e Comitê Editorial estão nos planos da PRPPI para este ano. Conforme a pró-reitora Eunice Palmeira, estão sendo estudadas possibilidades de ofertas de ações formativas para os integrantes do corpo editorial da revista.
“Estamos pensando ainda qual será o formato disso, mas poderá ser um seminário, uma visita técnica a outros institutos federais que possuem revistas, para que haja uma efetiva troca de experiência. Outra possibilidade é articular junto a recém-criada Câmara de Editoração, dentro do Forpog [Fórum de Pró-Reitores de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação, órgão de assessoramento do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif)], discussões, atualizações e troca de informações nessa área editorial”, projeta.
Selo de reconhecimento
À frente do Conselho e do Comitê Editorial entre os anos de 2023 e 2024, o servidor Edcleyton Fernandes acompanhou bem de perto os avanços da Educte. Segundo ele, nesse período, o Conselho Editorial buscou alinhar as perspectivas da comunidade como um todo, com o objetivo de dar maior amplitude às demandas dos pesquisadores do Ifal. Esse esforço, aponta, contribuiu diretamente para o crescimento da revista após a retomada das publicações no último quadriênio (2021-2024).
“Uma medida relevante, que certamente colaborou para a elevação do Qualis da Educte, foi a mudança na periodicidade das publicações, que passaram a adotar o modelo de publicação contínua, ou de fluxo contínuo. Nesse modelo editorial, os artigos aprovados são publicados individualmente e de forma imediata no site, sem a necessidade de aguardar o fechamento de uma edição periódica completa, como ocorre em números trimestrais ou semestrais. Tal prática agiliza a disponibilização do conteúdo, beneficiando autores e leitores, que passam a ter acesso mais rápido às pesquisas. Outra ação igualmente importante é a divulgação da revista junto aos Programas de Pós-Graduação externos, possibilitando, cada vez mais, a submissão de artigos de pesquisadores de diferentes níveis acadêmicos e instituições”, detalha Fernandes, que também cita os desafios enfrentados pelo periódico.
“Os principais desafios no âmbito da Educte podem ser analisados sob duas perspectivas. A primeira refere-se à necessidade de investimentos, que são importantes, necessários e fundamentais para o desenvolvimento da atividade científica, mas que ainda representam um gargalo para as instituições públicas. O segundo desafio está relacionado à escassez de avaliadores para o processo de avaliação por pares, decorrente, em grande medida, da falta de incentivos para o exercício dessa atividade”, enumera.
Contudo, Fernandes acredita que, apesar dos obstáculos, a obtenção do Qualis B3 mostra uma clara evolução da Educte, que pode ser atribuída, sobretudo, à atuação destacada do corpo editorial da revista.
“A conquista do Qualis B3 da Revista Educte representa o reconhecimento de um trabalho coletivo e contínuo, que não deve ser interrompido. Ao contrário, faz-se necessário olhar atentamente para os desafios existentes e buscar soluções, a fim de fortalecer cada vez mais o crescimento da Educte e ampliar seu destaque no cenário dos periódicos científicos brasileiros”, afirma.
Atual editor-chefe da Educte, o professor Rusanil dos Santos Moreira Júnior avalia que a obtenção do estrato B3 se deve à manutenção da periodicidade anual da revista; ao rigor do processo de avaliação por pares em regime duplo-anônimo, que assegurou a qualidade científica dos manuscritos; e principalmente à atração de artigos de pesquisadores vinculados a Programas de Pós-Graduação. Para o docente, o novo Qualis tem um peso estratégico para a imagem do Ifal.
“Embora o Qualis avalie tecnicamente a produção dos Programas de Pós-Graduação e não as instituições de forma direta, seus efeitos práticos impactam profundamente a visibilidade e a credibilidade acadêmica da nossa instituição. Em primeiro lugar, há um ganho direto na atratividade para autores. Pesquisadores vinculados à pós-graduação priorizam periódicos melhores classificados. Assim, a consolidação no estrato B3 atrai manuscritos com maior rigor acadêmico, ampliando a circulação científica da revista e reforçando a presença do Ifal no circuito nacional de difusão do conhecimento. Além disso, o Qualis atua como um selo de reconhecimento. No sistema científico brasileiro, especialmente em instituições públicas, ele é o principal indicador para editais de fomento e políticas de incentivo à pesquisa. Esse novo patamar fortalece o capital acadêmico do Ifal, projetando uma imagem institucional associada à produção qualificada. O reconhecimento externo legitimado pelo Qualis justifica e incentiva investimentos contínuos na política editorial, como o apoio técnico e outros incentivos à equipe editorial. Em síntese, o novo estrato não apenas eleva o patamar da Revista Educte, mas também consolida o Ifal como um espaço de excelência que articula com vigor o ensino, a pesquisa e a extensão”, explica.
Sobre a revista
A Educte é o periódico mais antigo do Ifal. Seu primeiro volume foi publicado em 2010, e, em 2025, celebrou seus 15 anos com uma edição comemorativa, contendo 11 artigos, além do editorial, que destaca o recente processo de reorganização editorial, abordando a adoção de boas práticas contemporâneas de publicação científica, a revisão de fluxos e rotinas editoriais e a conclusão de passivos históricos.
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Atualmente com periodicidade anual e submissões em fluxo contínuo, a revista nasceu com a missão de socializar conhecimentos de diferentes áreas, adotando um perfil multidisciplinar e acolhendo trabalhos inéditos que dialogam com campos como ensino, linguística, química experimental, sociologia, geografia, saúde, entre outros. Desde sua origem, tem como princípio o rigor científico aliado à diversidade temática e institucional.
A Educte está ligada ao Conselho Editorial do Ifal, vinculado à PRPPI e presidido pelo professor Fabiano Duarte Machado. É administrada por um Comitê Editorial composto por servidores do instituto federal, tendo o professor Rusanil dos Santos Moreira Júnior como editor-chefe, além dos seguintes integrantes: Arley Santos Leão, Bruno Rodrigo Tavares Araújo, Cícero Julião da Silva Júnior, David Gomes da Costa, Ênio Gomes Flor Souza, Fabiano Duarte Machado, Romildo Barros da Silva e Sarah Medeiros Souto.
Já o Conselho Editorial conta com os seguintes servidores: Fabiano Duarte Machado (presidente), Emerson Magalhães dos Santos (vice-presidente), Genilda Castro de Omena Neta (secretária), Rusanil dos Santos Moreira Júnior, Vanusia Amorim Pereira Dos Santos, Cícero Julião da Silva Junior, Sarah Medeiros Souto, Arley Santos Leão, Ênio Gomes Flôr Souza, Alan César Vanderlei Moura, Ritaciro Cavalcante da Silva, Kleyfton Soares da Silva, Adriana Thiara de Oliveira Silva, Romildo Barros da Silva, Wagner Titara Juliasse, David Gomes Costa, Bruno Rodrigo Tavares Araujo e Thayná Samilla dos Santos.
