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Relação estreita entre TAEs e Ensino vem produzindo frutos no Ifal; veja histórias de destaque

publicado: 14/11/2017 11h12 última modificação: 14/11/2017 11h48

Gabriela Rodrigues e Roberta Rocha - jornalistas

Uma atuação mais forte no eixo Ensino nas instituições de educação é mais comumente observada quando se trata da relação professor-aluno. No caso de técnicos administrativos (TAEs), considerando que o desenvolvimento de atividades que contemplam e perpassam o Ensino não integra o seu rol de atribuições, ações com esse foco são tidas como destaque, especialmente nos campi localizados no interior de Alagoas. Esta reportagem da série “Técnicos em Ação” traz servidores que contribuem para uma das missões mais importantes do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), que é a de ensinar ou educar, beneficiando diretamente o público-alvo da instituição, que são os estudantes.

A primeira personagem que terá sua história contada nesta série atua em uma área muito carente no nosso Estado, a cultural. Sua ideia é pensar a biblioteca como uma atividade viva e cultural, e não como um “depósito de livros”. É com este propósito que a bibliotecária Monick Gomes, responsável pelo acervo e pelas ações da biblioteca Benevides Monte, do campus Maceió, desenvolve atividades que transpõem as barreiras do campus, buscando expandir o conhecimento e a consciência da comunidade do Ifal sobre a importância da biblioteca.

Monick desenvolve ações voltadas para a área cultural  entre os estudantes do campus MaceióMonick criou o projeto “Explorando Museus”, em vigor entre estudantes do nível médio e das licenciaturas em Hotelaria e Turismo da unidade. A atividade promove visitações periódicas e em grupo a diferentes museus da cidade de Maceió, com o objetivo de aproximar os participantes da cultura local, permitir o conhecimento e acesso aos equipamentos culturais disponíveis na capital alagoana, promover alteração consciente sobre patrimônios culturais, incitar a sensibilização dos estudantes por meio da arte e agregar conhecimentos gerais aos alunos. A bibliotecária já proporcionou aos estudantes vivências nos Museus da Tecnologia do Século XX e do Comércio, no Museu Palácio Floriano Peixoto e no Museu da II Guerra Mundial. As próximas visitas estão agendadas para a Casa do Patrimônio (IPHAN), Museu de História Natural da Ufal e Museu de Arte Sacra Pierre Chalita, todas ainda neste ano. A servidora também é uma das idealizadoras do projeto cultural “Unidos, Leremos” que promove feiras de trocas de livros e parcerias com eventos e movimentos literários da cidade de Maceió, promovendo a movimentação de livros e a difusão do hábito da leitura na capital alagoana.

A contribuição dos TAEs em educação para o cotidiano da instituição também se traduz nos trabalhos conduzidos pela técnica em assuntos educacionais Edilene Torres, lotada no campus Palmeira dos Índios. Na instituição desde 2004, a servidora pública já coordenou a Educação de Jovens e Adultos (EJA) do referido campus durante quatro anos.Essa vivência tem forte ligação com minha primeira experiência profissional, que foi como professora alfabetizadora de jovens e adultos na comunidade rural da qual faço parte. A educação do campo, assim como a EJA, são discussões que sempre estiveram presentes em minha vida pelo fato de eu ser de zona rural, de ver familiares e amigos frequentando”, detalha Edilene.

Edilene é lotada no campus Palmeira dos ÍndiosA graduação em Pedagogia e o mestrado em Educação deixaram o olhar da técnica ainda mais atento às questões inerentes ao processo educativo, daí o envolvimento de Edilene no suporte às práticas de ensino no Ifal Palmeira, seja integrando o colegiado dos cursos técnicos de Informática e de Edificações, seja participando ativamente de comissões, processos seletivos ou da organização de fóruns educacionais e outros eventos integradores. Para ela, o importante é atuar de forma conciliadora, humanizada e com profissionalismo. “Fazemos parte de uma engrenagem em que cada um tem seu papel, sua importância. E, nesse sentido, ninguém é mais ou menos que ninguém. Todos são iguais perante a responsabilidade assumida em um contexto maior, independentemente do cargo ocupado”, aponta.

Três projetos científicos aprovados dentro do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), um artigo resultante de projeto de extensão em fase de publicação em revista científica, orientação de Trabalhos de Conclusão de Curso e acompanhamento de aulas práticas em laboratório: o currículo parece tratar das atividades típicas de um docente, mas estas são as rotinas da bióloga Dilliani Felipe de Oliveira, lotada na coordenação de Biologia do campus Maceió. A mineira que deixou uma universidade gaúcha (Unipampa) e veio parar no Ifal entende que a realização de atividades integradas de ensino, pesquisa e extensão, além das atribuições rotineiras de técnica do instituto, geram oportunidades de aprendizado e transpõem a visão que muitos ainda têm da instituição como “escola técnica”, dando abertura ao conhecimento e fomentando a pesquisa.

Dilliani Felipe é bióloga do campus MaceióAlém da organização e catalogação de peças para estudo no laboratório de Biologia, a servidora desenvolveu, por meio do Pibic, uma pesquisa de iniciação científica na área de fisiologia vegetal, analisando plantas crescidas em solos com alto teor de salinidade. A pesquisa conta com a parceria do Centro de Ciências Agrárias (Ceca) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Outro projeto inovador idealizado por Dilliani foi a utilização de uma técnica nova com o uso de super bonder para análise da epiderme folear (lâminas criadas a partir do contato de plantas com a cola super bonder que registram, como um “decalque”, detalhes da superfície das folhas) e a técnica de “decomposição controlada” para limpeza de ossos de animais (que são expostos à ação natural do tempo quando colocados em um contêiner contendo terra. A intenção do projeto é proteger a saúde do pesquisador e promover a adoção de um meio mais higiênico para a limpeza de ossos utilizados em pesquisas). Já como ação de extensão, a bióloga desenvolve com os estudantes do campus um artigo sobre o uso de tecnologias da informação aplicadas à educação, mostrando resultados de como a ferramenta Google é utilizada em escolas públicas para a socialização do conhecimento.

A assistente de alunos Merandolina Pereira é daquelas profissionais que abraçou a causa da educação pública de qualidade e, desde seu ingresso na instituição, colabora com as atividades de ensino sob diferentes perspectivas. São 20 anos de trajetória no Ifal e muita história para contar. Nos anos em que atuou no campus Satuba (à época Escola Agrotécnica), desenvolveu ações como o Cinema na escola, em parceria com a Ufal, além de um projeto musical onde alunos e servidores mostravam seus talentos no refeitório da unidade de ensino, no horário de almoço.

Escritora e poetisa, Merandolina lançou dois de seus livros no estande do Ifal na Bienal do Livro de Alagoas 2017Graduada em Letras e Pedagogia e com especializações em Orientação Educacional e Planejamento e Gestão de Projetos Especiais, Merandolina atualmente é coordenadora de apoio acadêmico do Ifal Viçosa, seu campus de lotação há pouco mais de 3 anos. “Sou viçosense, já residia na cidade. Cheguei ao campus antes mesmo da autorização oficial para seu funcionamento, quando a unidade se preparava para ofertar os cursos do Pronatec, então fazia de tudo um pouco: coordenava a limpeza geral, a organização dos espaços com mobiliário, e aí foi ficando com outra cara”, conta, entusiasmada.

A técnica administrativa teve seu papel de destaque na etapa inicial da implantação do Ifal Viçosa, junto à equipe gestora e demais servidores, mas a dedicação ao ofício não esmoreceu com o passar do tempo. “Chegaram os cursos subsequentes de Administração e Informática, vieram também novos servidores para preencher o quadro funcional. Com a chegada dos alunos, o campus foi criando uma nova energia e meu coração de servidora pública vem sendo recarregado com essa energia que se renova todos os dias, para eu continuar colaborando no que estiver ao meu alcance, no que for preciso”, conclui Merandolina.

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