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Reitores e Reitoras mobilizam Congresso Nacional por recomposição orçamentária
Em uma articulação estratégica para garantir o pleno funcionamento e a expansão da Educação Profissional, Científica e Tecnológica no país, reitores e reitoras de todo o Brasil se reuniram na capital federal, nesta quarta-feira (10), para a Marcha dos Reitores por Mais Orçamento na Rede Federal. O ponto alto da mobilização, organizada pelo Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal (Conif), acontece no Plenário 9 do Senado Federal, com discussões que buscam sensibilizar o Parlamento e os Ministérios sobre a urgência de uma recomposição orçamentária justa.
A pauta central do movimento deste ano foca na consolidação dos recursos destinados ao custeio das instituições e na assistência estudantil. Com a expansão contínua da Rede — que hoje atende a mais de 1,9 milhão de estudantes em todo o território nacional —, os dirigentes alertam que os valores atuais são insuficientes para acompanhar o crescimento real das matrículas e as demandas de infraestrutura.
De acordo com dados consolidados pelo Conif, a estimativa necessária para garantir o funcionamento adequado da Rede Federal e fazer frente aos desafios pedagógicos e de permanência dos estudantes é de R$4,7 bilhões. A receptividade no Parlamento tem se mostrado positiva, convertendo-se em apoio prático por meio de emendas parlamentares.
O senador Paulo Paim recebeu os gestores da Rede Federal e destacou a importância de direcionar investimentos para a Rede Federal. "Eu já não podia enviar emenda para a Universidade e foi sugerido os Institutos. Foi uma excelente indicação", pontuou o senador Paim.
O presidente do Conif, Júlio Heck, defendeu as prioridades elencadas pelos dirigentes e ressaltou a capilaridade e o perfil socioeconômico da comunidade acadêmica que a Rede abraça.
"Falamos em nome de um milhão de estudantes. A cada 50 km tem um IF. Vários motivos nos trazem aqui, mas escolhemos algumas [pautas] que nós, reitores e reitoras, entendemos que garantem o acesso, a permanência e o êxito. Escolhemos a assistência estudantil. Mais da metade da nossa Rede tem renda per capita menor do que dois salários [mínimos]. Mais de 65% deles precisam de ajuda do Estado para prover sua manutenção de vida", explicou Heck.
A fala do presidente do Conselho reverbera diretamente na ponta, onde a realidade dos estudantes expõe o tamanho do desafio. Presente na mobilização, a estudante Saudade Rodrigues dos Santos, do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), trouxe um depoimento contundente sobre a realidade enfrentada pelos discentes que dependem das políticas de permanência para concluir seus cursos.
"O papel do IF é essencial para que os jovens acessem uma educação básica de qualidade com acesso à pesquisa e extensão. Vivemos uma grande contradição que é a permanência. Cerca de 70% dos IFs não dão alimentação e a grande maioria não consegue se formar porque, além das dificuldades para entrar e chegar, permanecer é muito difícil. Hoje nossos estudantes passam fome. É duro, mas é a verdade. Sem alimentação ou auxílio, os estudantes evadem. Não tem nada mais importante do que a construção dos bandejões", desabafou a estudante.
Representando Alagoas no debate diretamente do plenário do Senado, o reitor do Ifal, Carlos Guedes, detalhou os desafios práticos enfrentados pela gestão e a urgência de uma solução institucional definitiva. Para o dirigente, a prioridade máxima e inegociável da mobilização é a alimentação escolar.
"A pauta prioritária é a alimentação escolar. Temos, atualmente, 272 restaurantes estudantis em obras em toda a Rede Federal. Está lá o espaço físico, mas precisamos garantir a comida. Hoje a Rede não conta com um orçamento estruturado específico para a alimentação", alertou o reitor.
O dirigente pontuou os avanços técnicos que já foram desenhados na legislação e o que falta para que eles se transformem em realidade nas mesas dos alunos. "Houve a criação da ação orçamentária em 2025. Agora falta encher esse mecanismo com recursos reais. Estamos em Brasília para pedir emendas de curto prazo, que resolvam a emergência atual, mas também para construir uma estratégia perene de longo prazo. Defendemos a criação de um instrumento definitivo para a captação desse recurso, estruturado por meio de um fundo estável", concluiu o reitor do Ifal.
Com as visitas aos gabinetes que se estendem ao longo do dia e a entrega dos portfólios de investimentos, os reitores agora acompanham de perto a tramitação das peças orçamentárias e as negociações junto ao Poder Executivo e ao Ministério da Educação (MEC). A expectativa é que o Congresso Nacional se mostre sensível aos pleitos apresentados no Plenário 9 e consolide os aportes necessários para o próximo ciclo financeiro, assegurando que os Institutos Federais continuem sendo o principal motor de inclusão social e desenvolvimento interiorizado no Brasil.
Entre as visitas agendadas pela Marcha, a comitiva alagoana esteve com o líder da bancada alagoana na Câmara, o deputado federal Paulão.

