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Projeto do Ifal representa o Nordeste em evento sobre tecnologia, inovação e sustentabilidade no campo
Por Alexandre Abreu
O projeto “Tecnologia digital para o monitoramento sustentável da pesca artesanal continental em sistemas fluviais rurais”, desenvolvido no Campus Benedito Bentes do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), é o único representante da região Nordeste do país no Show Tecnológico Rural do Oeste Catarinense (Tecnoeste), que acontece entre os dias 10 e 12 de fevereiro, em Concórdia (SC).
O trabalho científico do Ifal foi contemplado após submissão ao edital lançado pelo Instituto Federal Catarinense (IFC), uma das instituições promotoras do 18º Tecnoeste, ao lado da Cooperativa Copérdia. O objetivo era selecionar e custear um projeto por região do país, para participação no evento.
Coordenado pela professora Jordana Rangely, o projeto conta com as estudantes Lucia Magalhães e Rayani Oliveira, do curso técnico integrado em Logística, ofertado pelo Campus Benedito Bentes; os professores Ricardo Ribeiro e Diego da Guia, além do servidor da área de Tecnologia da Informação (TI) Ednildo Mascena.
“O trabalho selecionado, através do Edital 94/2025 do IFC, evidencia a qualidade das ações desenvolvidas pelo Ifal e o fortalecimento de suas práticas de ensino, pesquisa e extensão de forma indissociável. Projetos como esse ratificam o compromisso institucional com a formação integral e a produção de conhecimento com impacto social e tecnológico”, ressaltou o professor Gilberto Gouveia Neto, pró-reitor de Extensão do Ifal.
A grande atração do projeto do Ifal que está sendo apresentado no Tecnoeste, considerado um dos maiores eventos do agronegócio no sul do Brasil, é o PescApp, aplicativo para dispositivos móveis desenvolvido como ferramenta tecnológica para o monitoramento, a avaliação e o gerenciamento participativo da pesca artesanal em ambientes fluviais.
“O PescApp nasceu do meu projeto de doutorado. Percebi que, desde 2011, não há um monitoramento da pesca artesanal no Brasil. Trabalhei com o monitoramento de tainhas e verifiquei que o estoque desta espécie de peixe já tinha caído em 20%. Então, o monitoramento é fundamental para se poder fazer a gestão adequada dos recursos”, explicou a coordenadora Jordana, que também é a líder do Núcleo de Estudos sobre Organizações, Gestão, Empreendedorismo, Tecnologia e Qualidade (NeoGetq), grupo de pesquisas do Campus Benedito Bentes.
A docente destacou que o PescApp permite o registro padronizado de dados de desembarque, incluindo espécie, quantidade capturada, esforço de pesca, local de captura, arte de pesca e data, além do armazenamento de imagens e metadados associados. Os dados coletados são organizados automaticamente em relatórios técnicos, possibilitando análises como captura por unidade de esforço e acompanhamento temporal da produção pesqueira.
“Como resultado, o sistema contribui para a avaliação sustentável dos recursos pesqueiros continentais, subsidia a tomada de decisão por gestores públicos e fortalece a formalização da atividade pesqueira, ampliando o acesso dos pescadores a políticas públicas e direitos sociais”, observou.
Ainda segundo a coordenadora, do ponto de vista ambiental, a ferramenta favorece o uso racional dos recursos naturais e a conservação da biodiversidade aquática. Com relação ao aspecto econômico, apoia a organização produtiva e a valorização da pesca artesanal. Já no âmbito social, promove inclusão, reconhecimento profissional e gestão participativa.
“O PescApp configura-se como uma inovação tecnológica aplicada ao meio rural, alinhada aos princípios da agropecuária sustentável e aos objetivos de desenvolvimento sustentável, com potencial de replicação em diferentes contextos fluviais brasileiros”, afirmou.
Recentemente premiado no II International Workshop on Plastic Pollution in the Oceans (IWPPO), um dos mais importantes encontros internacionais dedicados ao debate sobre a poluição plástica nos oceanos, o aplicativo está sendo concebido para dispositivos Android e iOS e em um ambiente de desenvolvimento integrado, utilizando o software Visual Studio Code, o que possibilita maior organização do código, controle de versões e aprimoramento contínuo do sistema. Atualmente em fase de testes, ainda não está disponível para download em lojas virtuais, informou a coordenadora do projeto.
“Nossa participação aqui no Tecnoeste está rendendo bons frutos. Já fomos convidados pelo reitor do IFC para novas apresentações da pesquisa em Santa Catarina, com grandes possibilidades de fecharmos algumas parcerias institucionais para o PescApp”, comemorou Jordana.
Financiado hoje pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI), o PescApp faz parte do Programa Ecológico de Longa Duração (Peld) Costa dos Corais e está sendo desenvolvido em parceria com o NeoGetq, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
