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Portal inicia série de reportagens com servidores que foram alunos do Ifal

Em primeira matéria, docentes de Palmeira e Maceió relatam como chegaram a sua “2ª Casa”

por publicado: 04/10/2019 10h12 última modificação: 10/10/2019 15h18

Monique de Sá, Bartolomeu Honorato e Gabriela Rodrigues - jornalistas

As trajetórias de quatro docentes do Campus Palmeira dos Índios e Maceió, Jakson Nascimento, Raffaela Germano, Márcio Azevedo e Alisson Luiz, dão início a nova série de reportagens especiais do Portal do Instituto Federal de Alagoas (Ifal). Neste mês de outubro, em homenagem ao Dia do Servidor (28), vamos contar histórias de servidores que atuam no lugar onde iniciaram sua formação. São profissionais de Edificações, Informática, Agropecuária e de outros cursos ofertados pela instituição que mais oferta cursos técnicos no estado. Nesta primeira edição, vamos mostrar servidores que atuam em laboratórios e nas salas de aula do Ifal. Eles tiraram um pouco de seu tempo para nos relatar como é trabalhar em sua 2ª Casa.Márcio Azevedo à época em que ainda era estudante.jpg

Foi em 1998, com apenas 14 anos, que Márcio Azevedo teve seu primeiro contato com Ifal. De lá para cá, ele passou por diferentes fases da instituição. Quando entrou para o curso técnico em Eletrotécnica, o Ifal se chamava Escola Técnica Federal de Alagoas (Etfal). Anos mais tarde, em 2002, ao concluir o técnico, Márcio entrou como profissional da área para o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), de Palmeira dos Índios, no curso em que hoje coordena, Superior em Sistemas Elétricos.

Nesse tempo, o docente pôde vivenciar diversas experiências de estágio e práticas profissionais, atuando inclusive em um cargo diretivo de coordenador de operações da antiga Eletrobras, mas era a docência que o atraía e o motivava, tanto que já havia atuado como professor do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e de outras instituições. Em 2016, ao saber do edital para contratação de docentes do Instituto, Márcio não perdeu tempo e se inscreveu.

Márcio Azevedo relata gratidão à instituição de ensino que mudaria sua vida.jpg“Nunca pensei que retornaria como docente, mas já que assumi este compromisso, penso que como ex-aluno acabo me tornando um exemplo. Como professor, sei da responsabilidade de motivá-los e incentivar o aluno, afinal já passei por tudo aquilo que hoje eles passam”, lembra o docente.

Mas ele sempre quis alçar voos ainda maiores. Por isso, em 2017, passou a ser aluno do mestrado em Tecnologias Ambientais, desenvolvido no Campus Marechal Deodoro. “Se hoje eu cheguei até aqui, eu devo a minha mãe e ao Ifal. Todo este desenvolvimento me fez abrir novas visões de mundo, não só na prática profissional, mas também na docência”, comenta Márcio.

Quebrando barreiras

Nascido na cidade de Quebrangulo e de origem humilde, o professor do campus Palmeira dos Índios nos cursos de Eletrotécnica e Sistemas Elétricos, Jakson Nascimento, fez da educação a sua chance de mudar de vida. Aos 23 anos, incentivado por um amigo, ele decidiu em 2009 que prestaria vestibular para o curso de Sistemas Elétricos, ofertado pelo Ifal. Fazia cinco anos que Jakson havia saído da sala de aula e mesmo com este hiato, ele conseguiu sua aprovação.Atuando em Palmeira dos Índios, Jakson Nascimento é um doss exemplos de docentes que agarrou as oportunidades e soube mudar sua própria realidade.jpg

Em sua difícil rotina como estudante, Jakson conciliava o ofício noturno de carga e descarga em uma distribuidora de alimentos em Arapiraca com as aulas no campus. “Era um trabalho estressante, que exigia muito de mim, pois trabalhava das 22h às 7h e seguia logo depois para as aulas. Chegava em casa às 20h e retornava para a distribuidora. Esta foi minha rotina por três anos, mas que, com certeza, valeu a pena”, relata.

Mas aquele não teria sido seu único trabalho, antes de ser docente. Ele lembrou que foi gari concursado da Prefeitura de Paulo Jacinto, entre 2012 e 2013. No entanto, foi após concluir o curso superior em Sistemas Elétricos, que Jakson entrou para o quadro de professores substitutos do Ifal e três meses foi o tempo suficiente para ele participar de uma difícil seleção e ser aprovado para professor efetivo do campus.

“Desde pequeno tinha interesse na docência. Lembro que quando fiz o concurso para professor foi uma seleção difícil e de apenas duas vagas. Concorri com mestres, doutores e eu era apenas um recém-formado”, relata o hoje especialista em Docência do Ensino Superior. Jackson atualmente está concluindo o mestrado em Análises e Sistemas Ambientais.

Raffaela Germano lembra que frutos colhidos atualmente foram iniciados na época em que era estudante de Edificações, entre 1998 e 2001.jpgRaffaela Germano lembra que tudo começou com o curso técnico
Foi entre 1998 a 2001 que Raffaela Germano entrou na instituição pela primeira vez. Ela fez o ensino médio no período da manhã e durante a tarde se dedicava ao curso técnico em Edificações.

“O curso de Edificações foi a porta de entrada para eu ingressar no mercado de trabalho e conhecer a área da construção civil. Foi a partir dele que resolvi fazer a faculdade de Arquitetura e Urbanismo”, lembra.

Como técnica em Edificações, Raffaela trabalhou sete meses na Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) e ingressou no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

Os estudos dela seguiram para o mestrado, em sua área de formação, também na Ufal. “Durante o mestrado, fiz o meu primeiro concurso para professora substituta, na época já era Ifal. A partir daí, enxerguei que essa era a carreira que gostaria de seguir”, conta.Agora docente, Raffaela Germano está em seu doutoramento e espera retornar ao Ifal em 2020.jpg

No mesmo período, ela ainda prestaria concursos em outras instituições federais de ensino, colecionando aprovações. Uma delas ocorreu em 2014, quando Raffaela resolveu voltar para Alagoas para uma temporada a trabalho, em Sergipe. Nesse tempo, ela conseguiu aprovação no Ifal, como docente. “Pretendo ficar, tenho eterna gratidão ao Ifal. Se hoje eu sou o que sou, eu devo à instituição por todas as oportunidades que me foram dadas a partir dela”, agradece.

Atualmente, Rafaela se dedica exclusivamente à conclusão do Doutorado pelo programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da Ufal e, em 2020, deve retornar à sala de aula no Campus do Instituto, em Palmeira dos Índios.

Estudante, técnico e docente

A frase “o bom filho a casa torna" pode parecer clichê. Mas esta afirmação se enquadra perfeitamente na história do professor Allisson Luiz Nascimento, hoje docente do curso de Eletrotécnica do Campus Maceió. Em sua “bagagem", ele tem experiências pessoais e profissionais marcadas por outras duas passagens pelo Instituto: a primeira delas como estudante, quando iniciou o curso técnico em Eletrotécnica, em 1997.

Quase duas décadas se passaram para que Allisson voltasse à instituição. Mas talvez o mais surpreendente é que ele teria dois motivos para isso. No dia 19 de janeiro de 2019, ele tomou posse como técnico de Laboratório em Eletrotécnica, mas só ficou até o dia 5 de julho, quando Allisson assumiu o cargo de docente, também vinculado à Coordenação de Eletrotécnica.Alisson Luiz Nascimento é professor de Eletrotécnica do Campus Maceió

Passando pelos três “papéis” que compõem a comunidade acadêmica, hoje Allisson diz ter uma visão abrangente sobre o funcionamento do Instituto e sobre a importância da educação de cunho profissional e tecnológica integrada ao Ensino Médio. “O Ifal possibilita viver teoria e prática, além de uma sequência de oportunidades e uma nítida formação de carreira em várias profissões que iniciam com uma formação técnica e sólida. Trabalho na instituição profissional que mais respeito, pela qual tenho um enorme carinho e que fez e faz parte da minha história", diz o professor.

“E o melhor: na função que mais me identifiquei, professor. Hoje, ajudo a educar e formar estudantes e profissionais na área de Eletrotécnica, ao lado de alguns daqueles que foram muito importantes na minha formação. E o Ifal é isso: troca de experiências, reencontros e ciclos”, completa o docente.

Alisson relata que o gosto pela área de eletrotécnica vem de família. “Em 1992, aos 11 anos, eu acompanhei meu pai, que é eletrotécnico, na verificação de um gerador, instalado numa estação repetidora de telecomunicações.  Enquanto meu pai trabalhava, eu observava o motor, o gerador, o painel e brincava com um abafador de ruído aeronáutico, que lá havia. Quando ele terminou, pediu para eu pôr o abafador nos ouvidos.  Neste momento, ele acionou o disjuntor, as luzes do painel do gerador acenderam, ele deu o comando de partida, o motor começou a roncar... percebi a vibração da máquina, as luzes acendendo e eu, fascinado com tudo aquilo, perguntei ao meu pai: o que devo fazer para trabalhar com isso? Ele respondeu: “Estude, passe na prova da Escola Técnica e faça Eletrotécnica. Isso se tornou uma meta”.

Ele comenta que foi a partir daquele dia que decidiu o que queria fazer na vida. “Apesar das orientações, no dia da inscrição para o exame de seleção, meu pai me convenceu a concorrer para Eletrônica. Cheguei a preencher a ficha para Eletrônica, mas na hora de entregar a ficha... saí da fila e preenchi outra, para Eletrotécnica!”, recorda o professor, que se diz apaixonado pela profissão e pelo mundo de práticas e vivências que envolvem o ensino técnico.

O período de estudos na antiga Etfal permitiu que Allisson conhecesse realidades novas, além de construir amizades e de ser mais ativo no processo de aprendizagem. A motivação para permanecer no Instituto e a sensação de “pertencimento” ao ambiente de Educação Profissional e Tecnológica moveu Alisson a continuar estudando: foram 32 cursos de capacitação entre 2001 e 2004, uma graduação em Engenharia Elétrica pelo Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac) e a jornada de concursos públicos, culminando com o retorno de Alisson em 2019, como técnico em laboratório e, posteriormente, como professor alguns meses depois.

“Nessa escola tive grandes experiências que me fizeram evoluir como pessoa e me deram as bases para me tornar o profissional que sou”, finaliza.

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