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Tecnologia que monitora crescimento agrícola tem patente depositada no Inpi

O “dendrômetro eletrônico” agrega um microcontrolador de transmissão de dados captados sobre o crescimento da cana-de-açúcar

por Gabriela Rodrigues - Jornalista publicado: 08/02/2019 10h58 última modificação: 08/02/2019 12h00

Fechando o primeiro ciclo da série “Patentes”, vamos relembrar um invento, desenvolvido por um grupo de docentes e estudantes das áreas de Engenharia Industrial e Internet das Coisas, do Campus Maceió, que fez história em inovação tecnológica, dentro do Instituto Federal de Alagoas (Ifal). Em 2017, o pesquisador Edson Camilo, três outros docentes e dois alunos da unidade comemoraram o depósito da primeira patente depositada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), pela instituição: o “dendrômetro eletrônico” é um dispositivo de medição que permite mensurar a produtividade em plantações, especialmente de cana-de-açúcar. Desde então, ele vem passando por diversos aperfeiçoamentos.

O equipamento agrega um microcontrolador que transmite, via internet, dados captados sobre o crescimento da cana. O aparelho verifica, em determinados períodos de tempo e a partir da emissão de sinais de ultrassom, o aumento no diâmetro da cana e a expansão da produtividade, em metros lineares.Microchips captam e transmitem informações on-line.jpg

Os dados assimilados são transmitidos online pelo microcontrolador e permitem ajustes nos parâmetros da produtividade. A partir dos sinais enviados, também é possível perceber a influência de fatores externos, do solo agricultável e a deficiência hídrica da planta, possibilitando avanços nas técnicas de produção. A tecnologia também pode ser usada na produção de eucalipto e árvores frutíferas.

A engenhoca agrega conhecimentos de Eletrônica e Informática, especificamente na área da chamada “Internet das Coisas”, ou computação embarcada, focada na informática aplicada à área agrícola. A inovação surgiu da pesquisa de doutorado do professor Edson Camilo, em 2014,  que teve durante a pós-graduação na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Dispositivo portátil usa microcontrolador.jpegO professor assumiu o desafio de desenvolver uma técnica eficiente para avaliar quantas toneladas de cana por hectare seriam produzidas em um determinado período de tempo, e o quanto a produção poderia ser incrementada, a partir do uso da tecnologia.

“O dendrômetro, desenvolvido no laboratório multidisciplinar Septo, no Campus Maceió, evoluiu neste contexto como uma solução eficiente por coletar dados de forma mais eficaz que um paquímetro, transmiti-los de forma online e agregar tecnologias simples que podem ser empregadas pelas usinas e melhorar a agricultura de precisão”, explica o professor e coordenador da pesquisa.Sensores de Ultrasson fazem parte da engenhoca.jpg

O projeto teve apoio do CNPq no período de 2014-2016, com investimento de quase 30 mil reais. Foram investidos inicialmente 6 mil reais na elaboração do primeiro protótipo. O grupo teve também o apoio da Pró-reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação (PRPPI), na fase de prototipagem do dispositivo.

Mais inovação

Tecnologia é voltara para a agricultura de precisão.jpgA engenhoca já foi experimentada em regiões produtivas de usinas na Bahia e em Alagoas, e continua sendo aperfeiçoada mesmo após o depósito da patente, podendo, inclusive, gerar um novo invento: O Ultra Brix. Trata-se de uma nova tecnologia voltada à medição do teor de água na cana-de-açúcar, e que também está em desenvolvimento no Septo, no Campus Maceió.

O Ultra Brix também reúne as tecnologias já utilizadas no dendrômetro, além de promover uma captação mais precisa, por meio da tecnologia de sinais de ultrassom. “É uma forma mais avançada de monitoramento online da deficiência hídrica, na plantação, que permite estimar a produtividade e colher no tempo certo, sem destruir a cana com cortes”, explica Edson Camilo.Edson Camilo desenvolveu a tecnologia no Campus Maceió.jpeg

Expansão e uso

As tecnologias que aliam a informática à agricultura de precisão podem ser atrativas para usinas no Brasil e no mundo, a partir de parcerias do Ifal, com grandes empresas que vendam equipamentos e os coloque "à pleno vapor” nas áreas agricultáveis.

“É preciso avaliar quando de fato essas inovações podem chegar ao mercado e produzir resultados. Há uma possibilidade interessante e eficaz que é a parceria direta entre empresas de tecnologia e as instituições públicas geradoras do conhecimento, como o Ifal. Gerar resultados de forma mais rápida e dinâmica. Se por um lado o processo de patente protege a inovação, por outro, dificulta um pouco a expansão e o uso dessas tecnologias em tempo hábil, por conta dos entraves burocráticos e que demandam muito tempo”, avalia o pesquisador.

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