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Necessidade de inclusão leva à capacitação de servidores e projeto de ensino sobre a cultura surda

por Anny Rochelly - jornalista publicado: 14/05/2018 08h47 última modificação: 17/05/2018 10h03

A chegada de uma aluna surda ao curso de Agroecologia do campus Murici do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), em fevereiro deste ano, acabou por estimular o investimento na capacitação de servidores e o desenvolvimento de um projeto de ensino que trata de diversidade e inclusão por meio do conhecimento à cultura surda.

O projeto de ensino “Diversidade e inclusão: conhecendo a cultura surda” teve início em março deste ano e tem como objetivo envolver a comunidade acadêmica nas especificidades e vivências das pessoas surdas, além de abordar a língua de sinais Libras. Financiada pela Pró-Reitoria de Ensino do Ifal, a pesquisa conta com o auxílio de duas alunas bolsistas do campus.

A coordenação do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (Napne) do Ifal em Murici, Rafaella Viana, ressalta que a temática inclusão já vem sendo trabalhada há mais tempo na unidade, mas foi intensificada em 2018. “Realizamos projetos de ensino com alunos dos primeiros e segundos anos, falando sobre as deficiências, características, entre outros aspectos, e na disciplina Educação Física, nas turmas de segundo ano, os alunos estudam o conteúdo Educação Física Adaptada, o que auxilia no respeito com o próximo, independente de suas características”, detalhou. Com todo esse aparato, a servidora acredita que a aluna surda foi muito bem recebida quando chegou ao campus e ressalta que os estudantes de Murici também demonstraram interesse em aprender Libras.

Em 2016 e 2017, Viana continua, houve a chegada de alunos com necessidades específicas, dentre elas alguns transtornos, como dislexia, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, deficiências físicas e visuais. “Nesse período, o foco foi trabalhar a quebra das barreiras atitudinais e preparar todo o campus, ou seja, docentes, alunos e técnicos, para receber os alunos com deficiência. Nesse sentido, propomos algumas formações com pessoas externas especialistas na área”, declarou.

Servidores que fazem o curso de Libras proposto pelo Napne MuriciOs servidores também não ficam de fora. Em março, eles iniciaram um curso de Libras para iniciantes, com carga horária de 40h, ministrado pelo professor de Educação Física Bruno Pedra e pela pedagoga Isabel Alvin, ambos surdos. “Esses cursos são realizados pela Associação dos Amigos e Pais de Pessoas Especiais em Maceió e participam professores e técnicos. Encerramos em maio a primeira etapa do curso e no começo de junho iniciaremos a segunda etapa”, disse a coordenadora.

Como no Ifal Murici ainda não há servidores com especialização em inclusão que sejam devidamente capacitados ao atendimento da aluna, uma parceria com a Prefeitura de Murici auxilia nessas questões. De acordo com Rafaella Viana, a aluna surda continua frequentando a sala de recursos do município e profissionais da secretaria disponibilizam professores para ministrar cursos e palestras aos alunos da turma que tem a aluna surda, inserindo-os na cultura surda e trabalhando o tema da inclusão. “Essa troca de experiência é deveras enriquecedora e todos estão satisfeitos com o andamento do projeto, que será encerrado apenas em dezembro de 2018”, afirmou.

Napne

O Napne está ativo no campus Murici desde 2015. Seus componentes participam de formações a nível nacional e têm publicações em capítulos de livros e revistas e apresentações de trabalhos em congresso e eventos da área, frutos de projetos de pesquisa, extensão e ensino desenvolvidos no campus Murici.

Além do Napne, o Ifal possui ainda o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Necessidades Específicas (Gepene), que está em processo de validação, e tem como líder a professora Rafaella Viana, que integra o Napne Murici, e o professor Flávio Anderson Pedrosa, que faz parte da coordenação do Napne em Palmeira dos Índios.

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