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Mestrado desenvolvido no Ifal produz cartilha e aplicativo para uso de plantas não convencionais

Material digital está disponível para sistemas Android e pode ser baixado pela Play Store

por Jhonathan Pino - jornalista publicado: 28/08/2019 12h29 última modificação: 30/08/2019 14h33

Na terça-feira, 20, uma das primeiras dissertações defendidas no Mestrado Profissional em Tecnologias Ambientais (PPGTEC), do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), resultou em dois produtos que pretendem familiarizar a população local com algumas espécimes vegetais de rico potencial nutritivo, mas que deixaram de ser consumidas, seja por falta de informação, ou pela perda de hábitos alimentares mais tradicionais, são as denominadas Plantas Alimentícias Não Convencionais (Panc).Chips de banana verde.jpg

Foi ao assistir uma entrevista na TV, com o criador da denominação Panc, Valdely Kinupp, que o engenheiro agrônomo Tadeu Patelo despertou seu interesse para o desenvolvimento do tema, em sua investigação de pós-graduação, que contou com a orientação do professor André Sueldo.

“Comecei a pesquisar sobre o tema e vi que era uma área muito importante para questões como sustentabilidade e soberania alimentar, mas que carecia muito de estudos científicos, principalmente aqui no estado de Alagoas”, recordou. Desde então, ele vem visitando feiras de alimentos orgânicos em Alagoas e visitando propriedades de agricultura familiar que vêm cultivando tais espécimes nos municípios de Murici e Maragogi.

Geleia de hibisco, ou mais conhecida como papoula.jpegUm ano de entrevistas e conversas com os produtores e comerciantes resultou na formulação de uma cartilha e de um aplicativo. Ambos dispõem de informações e receitas que utilizam destes alimentos como matéria-prima para produção de refeições. Tadeu explica que fez o material porque grande parte das pessoas sequer sabiam como utilizar culturas como a moringa, hibiscus e o ora-pro-nóbis.

“Geralmente as Panc são espécies que seu cultivo não requer muito trabalho, mais rústicas, e por essa razão em algumas situações são consideradas “mato”, ou espécies daninhas. Também se incluem na categoria das Panc subprodutos das espécies convencionais e que acabam sendo descartados, como as folhas do rabanete e as folhas da batata-doce”.Refogado com brotos (folhas jovens) de seriguela e folhas de batata-doce e flores alimentícias.jpg

O pesquisador também ressalta que os valores nutricionais dessas espécimes podem auxiliar na complementação alimentar, principalmente de populações mais carentes, ou em alguns casos servem como substitutos completos para plantas convencionais. Tadeu lembra que os seres humanos acabam consumindo um número restrito de culturas e que apesar de existirem mais de 30 mil espécimes disponíveis para a alimentação humana, apenas 20 delas são responsáveis por 90 % dos alimentos consumidos diariamente, o que pode ocasionar diversos problemas, já que a priorização de alguns espécimes pode levar a degradação do solo e inclusive inviabilizar a produção de alimentos na proporção vista atualmente.

Refogado de coração da bananeira, casca de banana e alguns temperos.jpeg“Apenas três espécies vegetais representam 45% do consumo alimentar humano, o que demonstra que nossa alimentação é muito monótona e dependente. Precisamos de alternativas, já que a gente não sabe até quando vai conseguir produzir alimentos nesse modelo agrícola predominante. O consumo de Pancs é capaz de trazer uma diversidade nutricional e até uma soberania alimentar, porque as comunidades mais carentes podem consegui-los uma forma mais barata, na sua própria região”, pontuou.

A cartilha traz informações sobre 11 espécies que são consideradas mais comuns e de mais fácil inserção na alimentação do dia a dia, em Alagoas, como o coração/mangará da bananeira e a taioba. Ela foi pensada para chegar aos próprios moradores dos assentamentos, já que eles têm condições sociais menos favoráveis e necessitam do material impresso.Suco feito à base de folhas de seriguela com um toque de limão.jpeg

Alguns exemplares da cartilha foram distribuídos nas comunidades visitadas, mas apesar dela não estar disponível para o público geral, na forma impressa, o conteúdo está disponível no aplicativo "Info Panc", que é acessível para sistemas Android e pode ser baixado pela Play Store. Além da maior facilidade de acesso, o uso desse recurso pelo pesquisador facilita o processo de atualização das informações.

“Esse aplicativo foi feito em parceria com o desenvolvedor mobile Felipe Lopes. O objetivo dessa ferramenta educacional foi difundir os resultados numa linguagem que atinja o público em geral, principalmente os jovens, já que o conhecimento sobre o uso e importância alimentar das Panc geralmente vem de gerações mais antigas, como os nossos avós. Assim, é algo repassado através da sabedoria familiar”, comenta Tadeu.

Durante a pesquisa, Tadeu Patelo e seu orientador, André Sueldo, realizaram oficinas com moradores do Assentamento Dom Hélder e estudantes, no município de Murici.jpegNo Ifal, além da investigação do Tadeu, há professores dos campi Murici e Maragogi que fazem pesquisas com as Panc, sob a coordenação do professor Valtair Veríssimo e André Sueldo, respectivamente.

Qualificação de servidor

Tadeu é assistente administrativo do Ifal e vem atuando na Coordenação de Infraestrutura, Manutenção e Transportes, na Reitoria, desde 2014 . Quando foi nomeado para o Instituto, ele já estava graduado há cerca de cinco anos, mas não tinha tido a oportunidade de continuar sua formação. Com o mestrado profissional, o servidor pôde conciliar o trabalho com o stricto sensu.

“Eu me graduei em 2009, em Agronomia, e tinha feito uma pós-graduação em Gestão Pública, mas voltado à área em que eu estava trabalhando, longe da minha área de formação, mas só agora que eu pude voltar para a minha área de origem. Como as aulas aconteciam no final de semana, então eu tive condições de conciliar com o trabalho”, detalhou.

Acesse a cartilha em PDF.

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