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Menino de ouros: Leonardo Marinho deixa o Ifal com dezenas de medalhas conquistadas

por Jhonathan Pino - jornalista publicado: 29/12/2017 10h55 última modificação: 09/01/2018 09h43

Ele tem uma lista enorme de premiações em eventos nacionais: só este ano foi reconhecido onze vezes por eventos como olimpíadas de Matemática e mostras de foguetes. Entre suas últimas conquistas estão os ouros na Olimpíada Canguru de Matemática, organizada pela instituição francesa Kangourou sans Frontières, na 8ª Mostra Brasileira de Foguetes e na 20ª Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, esses dois últimos organizados pela Sociedade Brasileira de Astronomia, além de outros três ouros na 13ª Olimpíada Brasileira de Matemática e na Olimpíada Alagoana de Matemática, nos níveis Ensino Médio e Universitário.

É possível que na casa de Leonardo Marinho já não exista mais espaços na parede para pendurar os 29 troféus e medalhas conquistadas nos últimos quatro anos, mesmo tempo em que esteve no Instituto Federal de Alagoas (Ifal) como aluno do Campus Maceió. Foi no curso Integrado de Edificações que ele disse ter encontrado o seu caminho e de lá que ele conseguiu visualizar o seu futuro: a Matemática.Foram 29 premiações, entre eventos locais, nacionais e internacionais.JPG

“O Leo, já no primeiro bloco de aula, já se mostrava um aluno especial”, disse Valdir Soares, professor de Matemática do Campus Maceió, ao lembrar que tudo isso começou numa sala preparatória para o seu primeiro desafio, em 2013. Naquele ano, Leonardo conquistaria a Menção Honrosa da 9ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), organizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA).

De lá para cá foram inúmeras as aulas de preparação. À frente delas, estavam os professores Valdir, Gilmar e Anderson, ocorrendo semanalmente as quintas-feiras, mas podendo se estenderem para as sextas. De acordo com Valdir, esses mesmos professores já haviam participado das olimpíadas quando estavam no Ensino Médio e essa seria uma razão pelo qual muitos dos docentes buscariam participar delas, a outra razão seria a possibilidade de fazer pesquisas com o auxílio dos alunos.

Valdir Soares é apenas um do grupo de professores que o acompanhou ao longo desses anos.JPG“O que a Olimpíada promove é uma pesquisa numa escala menor. Isso já é enorme benefício. Passa a ter um conceito de autodidata. O aluno está sozinho e lê a matéria sozinho. O docente é o fio condutor, mas o esforço é realmente do aluno. Então em um primeiro aspecto o benefício é promover uma pesquisa numa escala menor, você consegue identificar boas ideias, tratar problemas de ordem da Matemática para fazer pesquisas. Aquele professor que é pesquisador, acaba tendo um celeiro de bons alunos, que acabam, num tempo muito rápido, virando pesquisadores nas Universidade”, enfatizou Valdir.

Indo para a Universidade como um foguete

Essa história, meio que começou com outro docente do Ifal, o hoje aposentado e professor voluntário do Instituto, Carlos Argolo. Foi ele quem trouxe para Alagoas a gana pelo desafio das olimpíadas e quem preparou as primeiras gerações. Foi ele também quem primeiro começou a realizar as primeiras mostras de foguetes e desenvolver nos alunos o gosto pela Astronomia. E foi uma competição destas que levou Leonardo à Bulgária, para participar do International Tournament of Young Mathematicians (ITYM), em 2015, juntamente com uma equipe do Ifal.

Alunos premiados com a diretora geral Jeane Melo, a diretora de ensino Gisele Loures e o professor orientador Carlos Argôlo..jpeg“É uma competição que reúne equipes de vários países. Cada ano é proposto uma lista de problemas, alguns em aberto que são propostos para gerar discussões, e as equipes têm até o dia do evento para tentar resolver o máximo possível. Então lá a competição se dá a partir de debates e confrontos entre as equipes. Participar desta competição foi muito importante para mim, pois me motivou a continuar estudando, principalmente para as olimpíadas científicas”, explicou Leonardo.

Foi também com o professor Argolo que Leonardo começou a fazer parte de um projeto de extensão, o Programa Independente Matemática Integrada (PIMI), desenvolvido nas redes estaduais e municipais de educação. Para ele, são nessas oportunidades em que mais cresce.

Seja atuando como monitor de Matemática do Ifal, ou participando das competições, o aluno de Edificações mantém contato com pessoas com as mesmas afinidades e que sempre o ajudam a resolver os problemas. “No início eu conheci alunos que já eram experientes nestas competições, o que acabou me motivando e eles serviram de espelhos para que eu pudesse crescer também. Alguns ex-alunos do Ifal, Davi Lima e Alan Anderson, que fizeram parte deste mesmo grupo do professor Argolo, em outra geração, me ajudaram bastante, por meio de orientação ao longo destes anos”, recordou.

Leonardo Marinho segura as duas últimas medalhas obtidas em eventos nacionale  internacional.JPGTambém foi esse elo entre as gerações, proporcionada pelo Argolo, que fez Leonardo, ainda no Ensino Médio, manter o contato direto com docentes do Instituto de Matemática da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). É para lá que ele deverá ir, em busca de se tornar um pesquisador na área, no próximo ano.

Para Leonardo, tudo isso só se tornou possível porque o tempo todo ele buscou equilibrar o os estudos com o seu tempo livre. “A parte do lazer e descanso é tão essencial quanto o esforço, pois se a parte emocional está abalada você não consegue produzir bem. Com relação a isso, levei bem tranquilamente e a questão de se dedicar a estas outras atividades não atrapalhou na vida social, consegui conciliar bem, basta administrar bem o tempo”, pontuou.

Então é melhor aproveitar bem o restinho desse fim de ano, porque se em quatro anos ele passou por tudo isso, imagina o que será dele a Universidade? A jornada está só começando.

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