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Funcionais, ecológicos e inovadores: desenhos da coleção “Porto de Pedras” são registrados no Inpi

por Gabriela Rodrigues - jornalista publicado: 11/04/2019 12h49 última modificação: 11/04/2019 12h49

A bela e pacata cidade de Porto de Pedras, localizada no litoral norte de Alagoas, foi a fonte de inspiração para ideias inovadoras, desenvolvidas por alunos do 6º período do Curso Superior Tecnológico de Design de Interiores, do Campus Maceió. Com a “missão” de desenvolver um micro móvel de cunho inovador, que agregasse aspectos sustentáveis, versatilidade e viabilidade de produção, os alunos do curso criaram produtos surpreendentes, como proposta da disciplina “Ateliê de Projeto e Produto”. Os projetos deram tão certo que originaram a coleção de micro móveis denominada Porto de Pedras, cujas peças produzidas em materiais sustentáveis e adaptáveis a pequenos espaços tiveram seus desenhos industriais depositados no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), em fevereiro passado.

Os produtos são micro móveis desenvolvidos com possibilidades diferentes de utilização, versáteis e adaptáveis, a espaços reduzidos, além de flexíveis para vários contextos, componíveis. “Há um diferencial no aproveitamento destes objetos, nos materiais sustentáveis utilizados e na criatividade de composição do usuário, para adaptá-lo às suas necessidades”, explica a coordenadora do projeto, Áurea Rapôso.

Além de Áurea, os professores Cleber Nauber e Hannah Melo auxiliaram os alunos no desenvolvimento dos desenhos. “A maior inovação reside justamente na proposta de um projeto integrador, multidisciplinar. A atividade fez parte da disciplina de Ateliê de Projeto e Produto, mas abrangeu as disciplinas de Ecodesign e Interiores e Comunicação Visual”, destacou.

Um olhar sobre a Rota Ecológica

Porto de Pedras encanta por suas belezas naturais, tranquilidade e por ser um polo da Rota Ecológica do Litoral Norte de Alagoas. Aspectos, como a costa dos corais, as praias paradisíacas, manguezais, coqueirais e a presença do peixe-boi foram características marcantes da cidade, que foram assimiladas durante o projeto multidisciplinar em Design Olhar Diversidades. A partir das percepções que obtiveram durante o projeto, os estudantes tiveram a inspiração para criar os três micro móveis sustentáveis da coleção Porto de Pedras.

As produções e as equipes idealizadoras ganharam nomes típicos, com sonoridade indígena e um toque regional: Aratu, + Açu e Tatuamunha.Claire, Elder e Franciele, do Aratu.jpg

Aratu, caranguejo típico da Rota Ecológica alagoana, dá nome ao micro móvel, cuja principal característica é a modularidade, fazendo com que seja possível montar e desmontá-lo facilmente, além de ser possível criar ou agregar outras funções, como estante, mesa lateral e banco. Além disso a embalagem do Aratu, uma bolsa de fibra, foi pensada para que, além de armazenar o produto, possa ser utilizada no dia a dia do usuário.

Os idealizadores do Aratu, Claire Houly de Sant’ana, Elder Duarte Santiago e Franciele Gonçalves de Medeiro contam que o produto foi desenvolvido após um levantamento fotográfico em Porto de Pedras, que serviu de base para aplicação de diversas técnicas de estímulo de criatividade, como brainstorming, mood board, mapas conceituais e mentais, dentre outros, culminando na elaboração de um conceito e posteriormente na criação plástica do micro móvel.

O Aratu é produzido em madeira de Pinus, uma madeira certificada, oriunda de plantio controlado e que tem como uma das principais características a leveza, o que facilita o transporte das peças deste micro móvel.

Martha e Swély, do Tatuamunha.jpgTambém produzido em madeira de pinus e com montagem por encaixe, sem a necessidade de cola ou parafusos, o micro móvel Tatuamunha leva o nome de uma das principais praias de Porto de Pedras. O produto apresenta roldanas, para melhor locomoção, e também foi pensado para ambientes com pouco espaço, no qual desempenhasse múltiplas funções, de trabalho, armazenamento de materiais, como para também para que o usuário possa comer, sentar e apoiar sobre ele.

A equipe desenvolvedora desta última peça, formada pelas alunas Martha Kristina Gomes Lima e Swély Teixeira dos Santos, destaca que o Tatuamunha foi pensado para ser um produto ecológico desenvolvido com o mínimo de materiais e resíduos. Tem como embalagem uma sacola em algodão cru, que o cliente poderá usar para outras finalidades.

Já o projeto do +Açu partiu da premissa de ser um produto “micro” que se transforma em “macro”, apresentando diversas possibilidades de uso, de acordo com as necessidades dos usuários. A inspiração do nome surgiu da visita ao projeto Peixe-boi, na cidade de Porto de Pedras, sendo Açu o nome de um dos peixes-boi que típicos do local.Ryanne, Vladimir e Míryan, do + Açu.jpg

A equipe do + Açu, formada pelos estudantes Ryanne Correia, Míryan Tenório e Vladimir Nolasco relata que o objeto foi desenvolvido com o intuito de promover a sustentabilidade, assim como a embalagem que o acompanha tem material proveniente dos resíduos da produção do micro móvel, evitando, assim, o desperdício. Agregado a isto, a embalagem se transforma em dois nichos que podem ser pendurados com cordas náuticas, que acompanham o produto, ou utilizados sobrepostos.

Desenvolvido com madeira de reflorestamento, o produto apresenta um design simples e de fácil manuseio. O usuário já recebe montado podendo utilizá-lo como mesa lateral, mesa de centro, banco e/ou baú para guardar. “Esta proposta possibilitou um leque de oportunidades no âmbito da nossa formação acadêmica, permitindo explorarmos outras formas de atuação profissional, além do projeto de interiores”, destacam os idealizadores do produto.

Para o grupo, o registro dos desenhos industriais foi uma forma de proteger suas criações. “Existem várias formas de proteger as ideias inovadoras, e uma delas é o registro, que protege o desenho industrial, a forma do produto. Mas é possível também gerar uma patente. A patente é um tipo diferenciado de proteção, pois protege o desenho e a forma, está voltando também à utilidade. A partir da ideia, temos a possibilidade de um protótipo, um produto de fato real e pronto para o uso”, explica Áurea.

Viabilidade dos produtos depende de parcerias

A coleção Porto de Pedras será exposta, em caráter experimental, em evento da Semana de Design, no Ifal Maceió. Prevista para o mês de agosto, a mostra será aberta a empresários do setor produtivo, que tenham interesse em parcerias de cooperação técnica entre o Ifal e de segmentos industriais para gerar um Mínimo Produto Viável – MPV, um protótipo que oferta reais condições de uso, além de sua comercialização.

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