Você está aqui: Página Inicial > Notícias > Estudantes são protagonistas de encontro que marca 18 anos da EJA-EPT no Ifal
conteúdo

Notícias

Estudantes são protagonistas de encontro que marca 18 anos da EJA-EPT no Ifal

Realizada nesta sexta-feira (16), no Campus Maceió, a quarta edição do evento reuniu histórias de vida, apresentações culturais, debates sobre educação e atividades de integração entre os estudantes
por Sâmia Cardeal — publicado: 16/10/2026 21h48, última modificação: 16/10/2026 21h50

O Instituto Federal de Alagoas (Ifal) promoveu, nesta sexta-feira (16/10), no Campus Maceió, o IV Encontro das/dos Estudantes da Educação de Jovens e Adultos integrada à Educação Profissional e Tecnológica (EJA-EPT). Com o tema “18 anos de saberes, resistências e vidas transformadas”, o evento reuniu estudantes, professores, gestores e representantes de instituições ligadas à educação para refletir sobre as experiências, os avanços e os desafios da modalidade no Ifal.

Organizado pela Pró-Reitoria de Ensino (Proen), por meio da Coordenação Sistêmica de Educação de Jovens e Adultos (Ceja), o encontro teve como propósito fortalecer a EJA-EPT, promover a integração entre os participantes e abrir espaço para que os próprios estudantes compartilhassem suas vivências e contribuíssem com propostas para a melhoria dos cursos.

A solenidade de abertura contou com a formação da mesa de honra, composta pelo reitor do Ifal, Carlos Guedes de Lacerda; pela pró-reitora de Ensino, Cledilma Costa; pelo chefe do Departamento de Educação Básica, Israel Crescêncio; e pela coordenadora sistêmica de Educação de Jovens e Adultos, Fátima Amorim. Também integraram a mesa o professor Regis de Sousa, representante da coordenação colegiada do Fórum Alagoano de Educação de Jovens e Adultos (Faeja), e a professora Marinalde Freitas Ferri, representante da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e do grupo de pesquisa Muleja.

Durante a abertura, a pró-reitora de Ensino, Cledilma Costa, reforçou o compromisso da instituição com a modalidade. “A EJA está prevista na lei de criação dos Institutos Federais. Portanto, temos uma responsabilidade institucional e a obrigação de garantir essa oferta em todos os campi”, destacou.

O reitor Carlos Guedes de Lacerda enfatizou o papel da educação pública na redução das desigualdades sociais e a importância da continuidade das políticas públicas educacionais. Em sua fala, também reconheceu o trabalho dos profissionais que contribuem para garantir oportunidades de formação à população.

“É uma alegria estar nesta instituição, que promove uma educação de qualidade e transforma a vida das pessoas que mais precisam. Vivemos em um país ainda muito desigual e precisamos manter a esperança e perseverar na continuidade das políticas públicas que contribuem para mudar essa realidade. Quero agradecer a Deus por viver este momento e por estar neste espaço de transformação. Minha gratidão também a todos os envolvidos nesse processo, especialmente aos professores e professoras que se dedicam diariamente à educação e à transformação de vidas. Precisamos preservar a memória e reconhecer aqueles que nos ajudam e colaboram nessa caminhada”, afirmou o reitor.

Educação que transforma e rompe barreiras

EstudanteUm dos momentos mais emocionantes da programação foi protagonizado pela estudante Maria de Jesus Oliveira, do curso técnico integrado ao ensino médio em Alimentos, na modalidade EJA-EPT, do Campus Maragogi. Ela apresentou o cordel “Um negro chamado Nando”, em uma declamação que convidou o público a refletir sobre o preconceito racial, a inclusão social e o papel transformador da educação.

A apresentação evidenciou como o acesso ao conhecimento pode contribuir para a mudança de mentalidades, o enfrentamento de preconceitos e a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. Uma educação que não se limita à sala de aula, mas que amplia horizontes, desperta a consciência crítica e liberta as pessoas de ideias e barreiras que historicamente alimentam a exclusão.

Educação para além da sala de aula

A programação também contemplou palestras voltadas a questões presentes no cotidiano dos estudantes, considerando os desafios de conciliar a formação escolar com o trabalho, a família e outras responsabilidades.

A professora doutora Maria do Socorro Ferreira Santos, do Campus Marechal Deodoro, ministrou a palestra “Conviver, dialogar e respeitar: relações saudáveis na família, no trabalho e na escola”. A atividade abordou a importância do diálogo, do respeito e da construção de relações saudáveis nos diferentes espaços de convivência, aspectos que também fazem parte do processo de formação humana.

Na sequência, o professor doutor Luis Eduardo Pereira de Andrade, do Campus Murici, conduziu a palestra “Entre estudos, trabalho e a vida: como organizar melhor o nosso tempo?”. A discussão trouxe para o centro do encontro uma realidade vivenciada por muitos estudantes da EJA-EPT: a necessidade de administrar o tempo diante das exigências da vida profissional, familiar e acadêmica.

As duas temáticas ampliaram as discussões sobre a Educação de Jovens e Adultos ao considerar que os processos de aprendizagem também são atravessados pelas condições de vida, pelas relações sociais e pelas responsabilidades assumidas pelos estudantes fora do ambiente escolar.

Outro destaque foi a mesa-redonda “Currículo integrado na prática: Projeto de Ensino Vidas que Contam”, que apresentou uma experiência pedagógica desenvolvida no Campus Marechal Deodoro. A atividade contou com a participação da professora Ingrid Tavares de Lima e do professor Marcos Antônio de Araújo Dias, ambos do campus, com mediação do professor José Victor César Batista de Oliveira.

Intitulado “Vidas que contam: memórias escritas na EJA/EPT”, o projeto articula conhecimentos dos cursos de Letras e Gastronomia, aproximando linguagem, memória, cultura alimentar e experiências de vida dos estudantes. A iniciativa evidencia possibilidades de integração curricular a partir da valorização das trajetórias pessoais e dos saberes construídos dentro e fora da escola.

Estudante Shirlayde AraújoPara a estudante Shirlayde Araújo, de 45 anos, a EJA-EPT significou uma oportunidade de retomar os estudos e transformar sua rotina. Aluna do curso de Gastronomia do Campus Marechal Deodoro, ela contou que decidiu ingressar na instituição após receber o incentivo de antigas colegas de escola. O que começou como uma maneira de ocupar a mente tornou-se uma experiência de aprendizagem que também despertou o desejo de compartilhar conhecimentos.

“Minhas amigas me convidaram para estudar na EJA e eu fui para ocupar a mente. O curso me transformou. Aprendi muitas coisas, mudei meu comportamento e hoje quero ensinar a outras pessoas o que aprendi. Estou muito feliz”, relatou.

A estudante também aproveitou a oportunidade para incentivar outras pessoas a retomarem a trajetória escolar. “Quem não terminou os estudos, venha para a EJA, porque a EJA abraça todos vocês”, convidou.

18 anos de histórias e transformações

A trajetória da EJA-EPT no Ifal também ganhou destaque com a exibição de um vídeo comemorativo aos 18 anos da modalidade na instituição. A produção reuniu imagens, histórias e momentos vivenciados por estudantes dos campi Maceió, Maragogi, Marechal Deodoro, Murici, Piranhas e Satuba.

Além de recuperar parte dessa trajetória, o material audiovisual trouxe reflexões sobre o cenário nacional da Educação de Jovens e Adultos, especialmente em relação às políticas públicas destinadas à modalidade e à importância de sua manutenção e fortalecimento na rede pública de ensino.

EstudanteEntre as histórias que ajudam a compreender a importância da modalidade está a de Manoel Pereira, de 79 anos, estudante da EJA-EPT do Campus Maceió. Apaixonado pelas atividades artísticas, ele encontrou na instituição oportunidades de desenvolver habilidades e ampliar seus conhecimentos. Sua trajetória também chama a atenção por mostrar que o desejo de aprender não está limitado à idade.

“Comecei pintando telas, depois tive uma iniciação em cerâmica e me apaixonei pelo artesanato em geral. Para mim, o Ifal é um universo de conhecimento. É uma escola que não tem idade para começar. O importante é o saber e ter a oportunidade de aprender”, destacou.

A participação estudantil ganhou espaço na roda de conversa “Que EJA queremos no Ifal?”, mediada pelo professor Manoel Santos da Silva, do Campus Satuba. A atividade propôs uma reflexão coletiva sobre a modalidade, abrindo espaço para que os estudantes compartilhassem experiências, apresentassem suas percepções e contribuíssem com sugestões para o aprimoramento da formação oferecida pela instituição.

A proposta reforçou a importância de ouvir aqueles que vivenciam diariamente a realidade da EJA-EPT, reconhecendo que suas experiências, necessidades e expectativas devem ser consideradas nas discussões sobre os caminhos da educação pública.

Além das atividades realizadas no campus, a programação contemplou um passeio cultural pela orla marítima de Maceió, com roteiro previsto para Jaraguá, Pajuçara e Ponta Verde. A iniciativa buscou proporcionar aos estudantes momentos de convivência, integração e contato com espaços históricos e turísticos da capital alagoana, ampliando as experiências do encontro para além do ambiente escolar.

Ao reunir diferentes experiências e colocar as histórias dos estudantes no centro das discussões, o IV Encontro da EJA-EPT destacou a importância de uma formação que reconheça os conhecimentos construídos ao longo da vida e respeite as diferentes trajetórias de quem retorna à escola ou encontra na educação uma oportunidade de ampliar suas possibilidades pessoais e profissionais.