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“O Ifal é muito mais científico agora”, afirma Eunice Palmeira, pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação
7 anos de Gestão
Por Thomaz Braga*
Em um período de 7 anos, o Instituto Federal de Alagoas (Ifal) transformou a pesquisa científica em uma engrenagem para o desenvolvimento regional. Conduzida pela pró-reitora Eunice Palmeira, a Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (PRPPI) construiu uma sólida política de incentivos para pesquisadores e grupos de pesquisa.
Após trilhar um caminho ascendente dentro do próprio Ifal, de estudante a professora, Eunice quebrou uma barreira histórica na instituição ao se tornar a primeira mulher a ocupar o cargo de pró-reitora. “Na verdade, toda a gestão era masculina. E eu fui a primeira mulher a assumir uma pró-reitoria.” Neste ano, a cientista da computação completa 21 anos de contribuição no Ifal, transformando sua paixão pelo desenvolvimento científico em uma cultura institucional.
Para a pró-reitora, a missão da PRPPI é “desenvolver políticas na área de pesquisa, de promoção à pesquisa científica, desde a educação básica até a pós-graduação, além de ofertar cursos de pós-graduação. E também a internacionalização”. Mas ressalta que tornar a pesquisa sustentável é imprescindível, através do despertar da vocação científica desde a educação básica.
Incentivo ao pesquisador e a grupos de pesquisa
Embora os programas da instituição, como o Mestrado Profissional em Tecnologias Ambientais e o Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica, tenham iniciado suas atividades em períodos anteriores à gestão do reitor Carlos Guedes, o grande mérito da PRPPI foi o fortalecimento da pesquisa.
Para superar a falta histórica de recursos próprios para pós-graduação e grupos de pesquisa, a gestão criou uma política específica e introduziu o “Cartão Pesquisador”, permitindo que os líderes comprem diretamente os insumos essenciais para seus projetos.
A pesquisadora Clara Crisóstomo dedicou 14 anos à ciência, do ensino técnico ao mestrado em Tecnologias Ambientais - todos no Ifal. Ela acumulou 19 artigos publicados e sete patentes depositadas, consolidando o papel da instituição no desenvolvimento regional. Para ela, o Cartão Pesquisador foi decisivo.
“É fundamental destacar que ferramentas como o Cartão Pesquisador foram viabilizadores práticos de toda essa produção. Foi através desse investimento direto na bancada e do acesso a equipamentos de ponta que conquistamos a autonomia necessária para desenvolver novos materiais e gerar inovação real, culminando no depósito das nossas sete patentes”, celebra Clara, que agora se prepara para levar a ciência alagoana a um prestigiado congresso científico na Costa Rica.
A PRPPI também atuou firmemente para garantir a melhoria contínua dos índices de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o aperfeiçoamento dos editais de ingresso. Essa dedicação estrutural transformou os programas de mestrado profissional em instrumentos definitivos de qualificação técnica e pedagógica para servidores da instituição e profissionais externos, consolidando a excelência na formação continuada.
Sob esta administração, os programas de pós-graduação do Ifal alcançaram um marco histórico ao subirem a nota de avaliação da Capes para 4, o que qualifica e credencia oficialmente a instituição a ofertar o seu primeiro programa próprio de doutorado.
Por meio de uma reestruturação estratégica e do foco no mestrado em Tecnologias Ambientais, o Ifal superou concorrências pesadas e garantiu, pela primeira vez, um montante expressivo e altamente disputado de R$11,4 milhões junto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
“Pela primeira vez, nós conseguimos uma aprovação em um edital desse, porque é concorridíssimo por universidades e institutos. Submetemos uma proposta, uma única proposta ambiciosa, e conseguimos ser contemplados com R$11,4 milhões, e uma outra submissão com R$1,8 milhão para manutenção de equipamentos, também conseguimos”, destaca a pró-reitora Eunice Palmeira.
Impulsionado por parcerias estratégicas, como as firmadas com a Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal) e com uma plataforma institucional automatizada (Integra), e pelo aumento de bolsas de iniciação científica, o Ifal consolidou a mudança de seu perfil em direção a uma forte produção científica.
“Nós estamos muito mais científicos. A partir desses editais, a partir dessas parcerias e a partir de outros projetos, eu penso que essa organização que a gente conseguiu fazer dentro da PRPPI, nesses últimos anos, possibilitou ter mais pesquisas”, afirma a gestora.
Consolidação da cultura maker
Um dos marcos mais visíveis dessa administração foi a disseminação da cultura maker, por meio da implantação estratégica dos Espaços 4.0, Laboratórios IFMaker, Colab (Laboratório Compartilhado de Pesquisa e Inovação) em diferentes campi. Esses ambientes foram projetados para funcionar como polos avançados de criatividade, prototipagem e inovação industrial, impulsionando a autonomia intelectual dos estudantes.
“A ideia é que o estudante possa chegar lá e aprender fazendo. Por isso, [a denominação] espaços makers”, ressalta Eunice.
O surgimento dessa rede de laboratórios modernos contou com o empenho direto das gestões locais da instituição. Essa infraestrutura maker expandiu-se de maneira coordenada pelo interior do estado. No Campus Viçosa, por exemplo, o cotidiano dessa transformação tecnológica é vivenciado sob a coordenação do professor Lucas Pajeú, responsável direto pelo gerenciamento do Espaço Maker 4.0 local. À frente do projeto há três anos, o bacharel em Sistemas de Informação impulsiona atividades que transformam a realidade local através de cursos, oficinas e iniciativas marcantes, e a preparação de estudantes para grandes eventos nacionais, a exemplo da WorldSkills.
“Somos o único espaço de inovação e tecnologia com essas características em nosso entorno, o que nos confere um papel de enorme relevância na democratização do acesso a tecnologias. O Espaço 4.0 proporciona aos estudantes e visitantes uma experiência prática, imersiva e transformadora, por meio do contato direto com equipamentos que, muitas vezes, estariam fora de seu alcance,” afirma.
7 Anos de Gestão
Esta reportagem faz parte de uma série especial comemorativa aos 7 anos da gestão do reitor Carlos Guedes e das áreas sistêmicas à frente do Instituto Federal de Alagoas. Ao longo da série, apresentaremos as conquistas, avanços e os bastidores das ações que consolidaram o Ifal como uma instituição pública de excelência, inclusiva e socialmente referenciada em Alagoas e no Brasil.
*Sob a supervisão de Alexandre Abreu, jornalista
