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“A Extensão aproxima o Ifal da sociedade”, afirma Gilberto Gouveia Neto, pró-reitor de Extensão do Ifal”
7 anos de Gestão
Por Thomaz Braga*
Nos últimos sete anos, o Instituto Federal de Alagoas (Ifal) consolidou, por meio da Pró-reitoria de Extensão (Proex), as atividades de extensão como uma ferramenta viva de transformação social, convertendo as diretrizes institucionais em ações práticas de impacto comunitário e impulsionando a diversidade cultural de ponta a ponta no estado.
O pró-reitor da Proex, Gilberto Gouveia Neto, acredita na união da tríade educacional: Ensino, Pesquisa e Extensão. “A Extensão tem uma função muito importante como processo educativo que, articulado de forma indissociável ao Ensino e à Pesquisa, viabiliza a interação dialógica transformadora entre o Ifal e a sociedade.
De acordo com o gestor, “na prática, essa aproximação se dá levando o conhecimento produzido na instituição para além dos nossos muros, seja através da oferta de cursos de qualificação profissional para a comunidade, da transferência de tecnologia, da difusão cultural ou do apoio direto aos produtores e empreendedores locais”.
O olhar para o mundo do trabalho e a inclusão econômica
A trajetória de inovação social ganhou um marco decisivo em 2021, com a implantação do Observatório do Mundo do Trabalho. Para potencializar a iniciativa, a gestão instituiu o Departamento de Extensão, Estágios e Egressos.
"Esse departamento nasceu justamente para articular e potencializar essas ações voltadas ao mundo do trabalho, aproximando cada vez mais o Ifal das empresas e gerando oportunidades reais para nossos estudantes através da oferta de vagas de estágio e aprendizagem profissional com foco na empregabilidade", explica o pró-reitor. Como fruto desse amadurecimento, o Observatório foi selecionado, em 2023, para integrar a VitrineGov, repositório de boas práticas do governo federal.
Os resultados convertem-se em histórias reais de inserção de alunos no mundo do trabalho. Um exemplo destacado pelo pró-reitor é o egresso de Química do Campus Maceió Allan Amorim, primeira pessoa surda a protagonizar campanhas de seleção da instituição e que, após formado, alcançou seu primeiro emprego formal na área técnica de estudos.
Economia solidária e sustentabilidade
Dando continuidade ao fortalecimento socioeconômico, a Proex instituiu, em 2023, a Incubadora Tecnológica de Economia Solidária. O projeto vem expandindo suas bases operacionais de forma acelerada, conforme aponta Gouveia Neto: “A Incubadora Tecnológica de Economia Solidária do Ifal foi criada com apenas cinco núcleos e, hoje, contamos com 15 núcleos, atuando em diversos territórios”. A consolidação do setor gerou ainda um programa institucional e um edital próprio, voltados a estruturar e financiar os empreendimentos econômicos solidários.
Um exemplo da ação é o projeto “Resíduos, Trabalho e Renda: Incubação de Associações de Catadores de Arapiraca no Contexto da Economia Solidária”, coordenado pelo professor Marcelo Diniz e executado com o protagonismo dos estudantes do Campus Arapiraca, unindo sustentabilidade ambiental à dignidade financeira local.
Para o público interessado em conhecer detalhadamente o impacto social e os bastidores desse projeto de catadores, vale a pena assistir abaixo, na íntegra, ao episódio do Na base, uma série audiovisual produzida pelo Departamento de Comunicação e Eventos (DCE) do Ifal.
Arte em Alagoas
A extensão também se consolidou como o coração cultural do Ifal. “O Ifal tem apoiado a cultura fortemente. Temos um programa de extensão chamado Artifal e um outro edital contínuo para os grupos artísticos e culturais (Artifal Contínuo), que totalizam mais de R$ 600 mil pagos em bolsas diretamente aos nossos estudantes”, enumera o pró-reitor de Extensão, revelando que a gestão trabalha na construção de uma minuta para institucionalizar as políticas de arte na instituição.
Em 2026, o instituto promove a 5ª edição do Festival de Arte do Ifal, unificando expressões artísticas e descentralizando o acesso à cultura. O legado do festival continua se renovando com a atuação do professor André Ferraz, atual coordenador de Arte e Cultura da Proex e docente da área de Artes Cênicas em São Miguel dos Campos, onde coordena o grupo Micaia.
Ferraz relembra que o evento evoluiu desde suas primeiras edições, em Maragogi (2017) e Maceió (2018), consolidando-se em Piranhas (2023). A trajetória recente do festival traz na memória o impacto da histórica edição realizada em Penedo, em 2024, que mobilizou a comunidade acadêmica e a população local.
Atualmente, o legado do festival continua se renovando com a atuação estratégica de servidores como André, que lidera a organização da Comissão para o próximo Festival de Arte do Ifal, junto ao professor Sérgio Teixeira, garantindo que a engrenagem cultural não pare de girar. Ele adianta que “agora vai acontecer com um formato bem interessante e desafiador também, que é a integração com a Mostra de Extensão”.
A Extensão como geradora de oportunidades
Com programas consolidados, a Extensão alcançou marcas históricas de interiorização. “Com nossos programas, projetos e cursos de extensão, conseguimos alcançar aproximadamente 70% dos municípios alagoanos, impactando mais de 40 mil pessoas”, celebra o pró-reitor.
Este indicador é o reflexo direto de um planejamento estratégico focado na captação de recursos orçamentários junto a ministérios federais através de Termos de Execução Descentralizada (TED), somando mais de R$ 5 milhões para o custeio de atividades. Também houve a expansão dos programas de Bolsa-Formação, suporte fundamental para a qualificação de cidadãos por meio de cursos como o Aquicultura e o Energife.
Além disso, a Proex consolidou a Mostra de Extensão, que chegou à sua 10ª edição em 2025 e realizou a retomada histórica da Revista Extifal, um canal essencial para a divulgação e o registro científico das ações de diálogo com a comunidade.
Para Palloma Darling, egressa de 2021 do curso técnico integrado em Administração, as ações de extensão da Proex foram determinantes para expandir seus horizontes. Seu envolvimento com o projeto “Xadrez nas Escolas”, que levou o ensino da modalidade à comunidade quilombola do Alto do Tamanduá e a escolas estaduais, rendeu-lhe o primeiro lugar na Feira Nordestina de Ciência e Tecnologia (Fenecit), categoria Ciências Sociais.
“Foi o ponto de partida para uma trajetória marcada por experiências amplificadoras da minha visão de mundo e de mim mesma”, afirma.
Posteriormente, sua atuação no projeto de Educação Financeira, ministrando workshops no município de Carneiros, fez a diferença no processo seletivo que lhe concedeu uma bolsa de intercâmbio internacional em uma escola de ensino médio (high school) na Itália. “Toda a bagagem prática que adquiri por intermédio dos projetos do instituto impulsionou meu interesse por economia, inflação e mercados”. Esta experiência pesou no currículo e, em 2023, a ex-aluna do Ifal obteve sua aprovação no curso de Economia da Universidade de São Paulo (USP).
Palloma foi estudante do Ifal no período em que o pró-reitor Gilberto Gouveia Neto foi diretor-geral do Campus Santana do Ipanema, por dois mandatos consecutivos. “Como educador e gestor, o sentimento é de dever cumprido e de profunda gratidão ao ver que a instituição não fica restrita aos muros da escola, mas chega na ponta e muda a vida das pessoas na prática, transformando de fato as realidades mais vulneráveis do nosso estado”, destaca o pró-reitor.
Transição de gestores
Gilberto Gouveia Neto assumiu a Proex em 2023, quando teve início o segundo mandato do reitor Carlos Guedes. Antes dele, outros dois servidores ocuparam o cargo de pró-reitor de Extensão durante a primeira gestão de Guedes.
“A Proex contou com a liderança do professor Abel Coelho e, em seguida, com a da professora Elisabete Duarte. A transição ocorreu de forma muito tranquila e colaborativa, e aproveito a oportunidade para parabenizá-los pelo excelente trabalho desenvolvido à frente da Pró-Reitoria, sempre conduzido com muita dedicação e zelo”, ressalta Gouveia Neto.
7 Anos de Gestão
Esta reportagem faz parte de uma série especial comemorativa aos 7 anos da gestão do reitor Carlos Guedes e das áreas sistêmicas à frente do Instituto Federal de Alagoas. Ao longo da série, apresentaremos as conquistas, avanços e os bastidores das ações que consolidaram o Ifal como uma instituição pública de excelência, inclusiva e socialmente referenciada em Alagoas e no Brasil.
*Sob a supervisão de Alexandre Abreu, jornalista
