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Projeto do Campus Santana do Ipanema prepara alunos de escolas públicas para a OBFEP
Acostumado a revelar talentos para a Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas (OBFEP), o Campus Santana do Ipanema do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) agora foi além. Em maio de 2025, deu início a um projeto inclusivo cujo objetivo é preparar estudantes de instituições da rede pública de ensino para a competição, considerada uma das mais desafiadoras e respeitadas do país.
Sob a coordenação do professor José Carlos da Costa, o “Física em Cena: Ciência que se Move!” já beneficiou dezenas de alunos, não só os de Santana do Ipanema, mas também os de municípios vizinhos. Trata-se de um projeto vinculado ao Programa de Iniciação Científica Júnior (PIC Jr/OBFEP), que busca potencializar a preparação dos estudantes do Sertão alagoano por meio da produção de conteúdos digitais acessíveis e atrativos, como videoaulas curtas com experimentos de baixo custo, além da realização de palestras e rodas de conversa sobre olimpíadas científicas.
“O projeto se alinha ao espírito da OBFEP ao incentivar o protagonismo estudantil, a divulgação científica e o fortalecimento da cultura de participação em olimpíadas. Através dele, pretendemos estimular o estudo colaborativo e contínuo, conectando alunos de diferentes escolas públicas com conteúdos programáticos abordados na competição”, afirma Costa.
A iniciativa surgiu, segundo o docente, por conta da baixa participação de estudantes de escolas públicas em olimpíadas científicas, motivada, muitas vezes, pela ausência de uma preparação sistemática, dificuldade de acesso a materiais de estudo e falta de contato prévio com situações-problema similares às abordadas nas provas.
Diante deste contexto preocupante, o “Física em Cena: Ciência que se Move!” veio para suprimir uma lacuna, aproximando e popularizando a Física entre jovens estudantes sedentos por conhecimento. Entre maio de 2025 e janeiro de 2026, bolsistas do projeto se dedicaram à produção de materiais didáticos e audiovisuais, trazendo conteúdos que costumam ser cobrados na OBFEP.
Além de visitas a escolas estaduais e municipais para apresentação do projeto e estimular a participação dos estudantes, foram realizadas palestras e rodas de conversa, explicando o que é a OBFEP, sua importância e como se preparar adequadamente.
Para falar diretamente com o público jovem, foi criado, inclusive, um perfil no Instagram. Por meio deste canal, a equipe do projeto vem democratizando e popularizando a Física de um jeito simples e didático, com a publicação de resoluções detalhadas de exercícios que já caíram em provas da OBFEP, de vídeos explicativos de experimentos que contemplam diferentes temáticas e, claro, dos bastidores bem-humorados das gravações, cujos protagonistas são os próprios bolsistas do projeto e medalhistas da edição 2024 da competição: Carlos Eduardo Vieira de Abreu Azevedo, Gabriel de Oliveira Cavalcante e Alerrandro Alexandre Feitoza Barros.
A iniciativa deu tão certo que os números mostram um crescimento vertiginoso no número de participantes, num comparativo entre as edições 2024 e 2025 da OBFEP. Conforme dados fornecidos pelo próprio Ifal Campus Santana do Ipanema, que é um dos Centros de Aplicação das provas da 2ª fase, foram 15 alunos inscritos em 2024 e 59 em 2025.
“Esses dados são referentes à quantidade de alunos que avançaram para a 2ª fase, por isso, se considerarmos os estudantes inscritos desde a 1ª fase, esse número pode ser muito maior”, comemora o professor José Carlos da Costa.
Destaque em Alagoas
A trajetória do “Física em Cena: Ciência que se Move!” é digna de aplausos. Em maio de 2025, época de sua submissão e aprovação, contava com uma bolsa mensal de R$300,00, concedida pelo PIC Jr/OBFEP 2024. Contudo, naquela oportunidade, o projeto acabou sendo o único aprovado no estado de Alagoas e acabou ficando com as três bolsas que inicialmente seriam destinadas a projetos distintos. Com isso, Carlos Eduardo, Gabriel e Alerrandro tronaram-se bolsistas remunerados, um reconhecimento ao brilhantismo e aos resultados do trio na OBFEP 2024, e também à relevância social do projeto concebido no Ifal Campus Santana do Ipanema.
“Este projeto visa não apenas preparar tecnicamente estudantes da região para a olimpíada, mas também despertar vocações científicas e promover a inclusão educacional por meio da divulgação da Física de forma democrática e atrativa”, ressalta Costa.
O professor explica que a submissão do projeto só foi possível porque o Ifal Campus Santana do Ipanema teve estudantes medalhistas na edição 2024 da OBFEP. Conforme o regulamento da competição, somente alunos premiados com medalhas de ouro, prata ou bronze e regularmente matriculados em escolas públicas podem participar do PIC Jr/OBFEP.
Naquele ano, Carlos Eduardo foi bronze nacional e ouro estadual, Gabriel conquistou a prata em nível estadual e Alerrandro obteve o bronze estadual. Além deles, também em 2024, Murillo Kennedy Freitas de Assis ganhou a prata estadual, e Agnnos Nobre e Matheus Araújo ficaram com o bronze estadual.
Fazendo a diferença
A participação dos três bolsistas foi crucial para o êxito do projeto. Além de competidores experientes e acostumados aos desafios da OBFEP, Carlos Eduardo, Gabriel e Alerrandro atuaram com bastante protagonismo no processo de execução do “Física em Cena: Ciência que se Move!”, contribuindo para que estudantes de escolas públicas pudessem ter a oportunidade de se prepararem adequadamente para a competição.
“O nosso projeto é fundamental para o desenvolvimento dos alunos da rede pública. Buscamos, através de postagens interativas e explicativas, divulgar a OBFEP, que, na minha opinião, é uma competição que não possui a devida visibilidade, mas é de extrema importância para formação dos estudantes, além de proporcionar grandes oportunidades de ingresso em uma faculdade, com a nota obtida pelo exame”, avalia Gabriel, que trabalhou na produção e edição dos vídeos de experimentos e auxiliou a equipe na divulgação do material, na criação de roteiro e no design do projeto.
Responsável pela roteirização dos posts audiovisuais e pelas explicações físicas dos experimentos, Carlos Eduardo afirma que divulgar a OBFEP e popularizar a Física é o que move o projeto.
“O ´Física em Cena: Ciência que se Move!´ se faz importante dentro da sociedade por causa do seu poder de divulgação e de sua acessibilidade aos alunos que nunca ouviram falar ou estão interessados em se jogar em olimpíadas do conhecimento como a OBFEP”, destaca.
Já Alerrandro acredita que o projeto do Ifal Campus Santana do Ipanema teve um peso importante em sua formação acadêmica, além de ajudar outros alunos de escolas públicas da região a terem contato com o mundo da Física.
“O projeto é relevante porque democratiza a educação, ao postar questões, resumos e vídeos educativos. Além, é claro, da bolsa de estudos, que me permitiu participar do projeto e conciliar os estudos com a vida pessoal”, argumenta o bolsista, que ficou com a missão de montar os resumos e gravar os vídeos presentes no Instagram do “Física em Cena: Ciência que se Move!”.