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Projeto BemVô disputará a grande final do Programa Trilha Nacional de Pré-Incubação Brasil Inovador

Etapa nacional da competição ocorrerá no dia 18 de junho, em Brasília (DF)
por Alexandre Abreu publicado: 11/06/2026 16h52, última modificação: 11/06/2026 16h52

Brasília, no Distrito Federal, é o próximo destino da equipe IFive, idealizadora do BemVô, projeto vencedor da etapa regional do Programa Trilha Nacional de Pré-Incubação Brasil Inovador. O grupo, formado por cinco estudantes do curso técnico integrado em Administração do Campus Santana do Ipanema, representará o Instituto Federal de Alagoas (Ifal) e a região Nordeste na grande final da competição, que ocorrerá no dia 18 de junho, durante o IV Encontro Nacional de Inovação e Empreendedorismo na Educação Profissional e Tecnológica (InovEPT).

O Trilha Nacional de Pré-Incubação Brasil Inovador é um programa financiado pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec/MEC) e prevê o apoio a propostas que estimulem o empreendedorismo de base tecnológica e tradicional, contribuindo para a geração de trabalho, renda e desenvolvimento regional.

No edital nacional, foram contempladas 15 instituições, das regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. Ao todo, foram selecionadas 155 equipes, reunindo mais de 460 estudantes.

Depois de passar por este funil e ser selecionado no âmbito do Ifal, ao superar outros sete projetos, oriundos dos campi Arapiraca e Maceió, o BemVô avançou à etapa regional e disputou vaga na fase nacional, realizada de forma remota, com outros dois concorrentes de peso: Aqualitas, do Instituto Federal do Ceará (IFCE); e Raízes Tech, do Instituto Federal do Maranhão (IFMA).

BemVô, campeão do NordesteA vitória veio após uma apresentação impecável da IFive. O grupo ainda foi sabatinado pela banca avaliadora, momento que serviu apenas para confirmar a relevância da proposta do BemVô, uma solução tecnológica e sustentável que permite a conexão de informações por meio de um relógio inteligente integrado a um ecossistema de monitoramento remoto, utilizando tecnologias de conectividade sem fio para comunicação em tempo real entre o usuário e sua rede de apoio.

“Sem dúvida, um dos diferenciais da equipe que levou à vitória foi a clareza nas informações levantadas e respaldadas, com uma solidez, quase impecável, tanto na apresentação quanto na arguição. Além disso, um dos pontos-chave do projeto é o entendimento profundo do público-alvo, que pode ter sido um dos definidores da classificação”, avaliou Haniel Apolinário Souza, um dos integrantes da IFive.

O público-alvo a que se refere o estudante são os idosos em situação de vulnerabilidade econômica.  Por isso, o protótipo do Bemvô prevê o uso de carcaça de PET reciclado, pulseira de couro de cacto (Palma), valorizando a identidade regional alagoana, e reaproveitamento de até 50% de componentes eletrônicos (e-waste) de dispositivos descartados.

“O relógio inteligente é integrado a um aplicativo onde é possível cadastrar, por exemplo, informações sobre o usuário, lembrete de medicamentos, e todas essas informações são transcritas e enviadas ao relógio, para que seja feito o alerta, e o remédio seja administrado no horário correto. O sistema possui medidores que também detectam quando o idoso sofre uma queda, acionando automaticamente o socorro mais próximo”, detalhou Haniel.

Além dele, integram a Ifive os estudantes do curso técnico integrado em Administração do Campus Santana Maycon Douglas Felix Oliveira, Vinicius Silva Teles, Emanuel Brandão Cavalcante Aleixo e Erick Ruan Vieira de Melo. 

O grupo revelou que está bastante confiante e acredita que mais uma vitória está por vir, desta vez, em nível nacional. Motivos para isso não faltam.

“Os pontos fortes do nosso projeto são o problema, o entendimento do público-alvo, o diferencial de mercado e outros fatores estruturais”, afirmaram os estudantes.

O poder transformador da educação

Para Ana Maria Jerônimo Soares, professora da disciplina Empreendedorismo e Inovação e coordenadora do BemVô, o voo alçado até aqui pelo projeto vai além do âmbito da competição.

“Esse resultado representa muito mais do que uma classificação, pois simboliza o potencial transformador da educação pública, técnica, científica e tecnológica desenvolvida dentro dos Institutos Federais. Não estamos representando apenas o Ifal ou um campus do médio Sertão alagoano [Campus Santana do Ipanema], mas, sobretudo, o potencial de inúmeras instituições públicas brasileiras, de educação profissional e tecnológica, que produzem pesquisa, ciência e inovação da mais alta qualidade, muitas vezes sem a visibilidade e as oportunidades que merecem”, ressaltou.

Professora Ana Maria destaca o poder transformador da educação na vida dos estudantesEmocionada, a docente fez questão de destacar a importância da participação de seus pupilos em espaços de inovação e empreendedorismo. Segundo Ana Maria, oportunidades como esta estão sendo possíveis graças à educação profissional e tecnológica.

“A educação profissional e tecnológica vem permitindo que estudantes de diferentes realidades percebam que podem produzir ciência, tecnologia e impacto social. Alguns dos nossos alunos, por exemplo, nunca viajaram de avião. Agora, eles se preparam para representar o Ifal em Brasília, em uma etapa nacional. Isso tem um preço inestimável para uma professora que acredita tanto na educação e nessa grande ´casa do saber´ que é o IF”.

Ana Maria sabe que tudo o que foi conquistado até aqui é de fundamental importância para a autoestima da equipe IFive. O grupo está bastante confiante e vai à Brasília cheio de expectativas na bagagem. Segundo ela, independentemente do resultado, a jornada dos meninos de Santana do Ipanema na competição já é digna de comemoração.

“Chegar à etapa nacional já é, por si só, uma grande vitória. Estamos confiantes e conscientes da responsabilidade de representar o Ifal em nível nacional. O trabalho continua, estamos nos preparando cada dia mais. Nossa expectativa é mostrar não apenas o projeto BemVô, mas também a força da educação pública e do protagonismo estudantil alagoano/nordestino. Afirmo, seguramente, que, independentemente do resultado final, os meus orientandos estão desenvolvendo e defendendo essa proposta com muita excelência e comprometimento. Só me resta ter muito orgulho e gratidão por essa parceria com esses meninos, meu seleto grupo IFive”, concluiu.

O que esperar do campeão do Nordeste

João Cabral, coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), setor ligado à Pró-reitoria de Pesquisa Pós-Graduação e Inovação (PRPPI) do Ifal, frisou que desde a seleção do BemVô como vencedor da etapa local da Trilha Nacional de Pré-Incubação Brasil Inovador, o trabalho foi direcionado ao aprimoramento do modelo de negócio do projeto. Segundo ele, foi realizada uma força-tarefa que contou com consultorias estratégicas e realização de bancas preliminares com foco na capacitação dos alunos. 

Preparação contou com consultorias internas e externas“Foram momentos muito ricos que contaram com a parceria de profissionais do próprio instituto, além de colaborações externas como as do Sebrae [Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas] e do Porto Digital”, disse.

Cabral também está confiante e acredita que o BemVô chegará muito bem para a competição nacional, no dia 18 de junho, em Brasília. O coordenador do NIT afirmou que, além de uma estrutura de negócios forte e validada, o projeto leva propósito e cuidado humano. 

“Tudo isso com pertencimento cultural e foco no desenvolvimento sustentável, uma vez que a solução técnica utiliza materiais elétricos recicláveis, além de componentes típicos da cultura nordestina, como a fibra de cacto na composição da pulseira do relógio. Certamente, todos esses diferenciais farão do BemVô um forte concorrente”, observou.

Na grande final do Programa Trilha Nacional de Pré-Incubação Brasil Inovador, o BemVô, campeão do Nordeste, disputará o prêmio de melhor projeto do Brasil, competindo com os representantes das regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste.

Além da certificação nacional emitida pelo Setec/MEC, o projeto vencedor contará com o apoio técnico e consultoria especializada para que a ideia se torne, de fato, um negócio a ser incubado institucionalmente. No caso do BemVô, esse processo de incubação seria feito pelo Ifal, explicou Cabral. 

“Nosso objetivo também é prepará-lo para outros editais, como o Centelha 3 [programa de fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas], que prevê recursos de até R$80 mil para a implementação dos projetos”, revelou o coordenador do NIT.

Assista ao vídeo abaixo e conheça mais sobre o projeto BemVô, do Ifal Campus Santana do Ipanema: