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Professor do Ifal é o único da Rede Federal premiado em cerimônia da OBFEP

José Carlos da Costa, do Campus Santana do Ipanema, foi agraciado juntamente com seus alunos medalhistas da edição 2025
por Alexandre Abreu publicado: 08/06/2026 16h07, última modificação: 08/06/2026 16h07

O Campus Santana do Ipanema está em festa. Além dos seis estudantes medalhistas na edição 2025 da Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas (OBFEP), a unidade de ensino comemora também a premiação do professor de Física José Carlos da Costa, único docente da Rede Federal em Alagoas agraciado na cerimônia regional organizada pela coordenação local da competição, realizada na última quarta-feira (3), no auditório da Reitoria da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

A premiação docente da OBFEP é concedida aos professores cujos estudantes obtêm desempenho de destaque na olimpíada. Trata-se de um reconhecimento ao trabalho desenvolvido na formação e no incentivo dos alunos para participarem da competição. Dos 12 medalhistas do Ifal no ano passado, cinco conquistaram o bronze; dois, a prata; e cinco, o ouro. Metade das medalhas vem do Campus Santana do Ipanema, sendo três ouros, uma prata e dois bronzes.

Os professores, diferentemente dos estudantes, não recebem medalhas. A deferência ocorre por meio de uma homenagem oficial realizada pela organização da olimpíada.

“É uma forma de valorizar o papel do professor na construção dessas conquistas acadêmicas”, explicou José Carlos da Costa, que pela primeira vez é premiado pela organização da OBFEP. 

Por isso, segundo ele, trata-se de um momento muito especial em sua trajetória profissional. 

Professor José Carlos é apaixonado pela Física desde a infância“Recebo essa premiação com enorme gratidão, mas também com a consciência de que ela é resultado de um trabalho coletivo, envolvendo estudantes, famílias, colegas professores, gestão do campus e toda a comunidade escolar. Vejo isso como um reconhecimento ao trabalho que vem sendo desenvolvido no Ifal Campus Santana do Ipanema ao longo dos últimos anos. Mais do que uma conquista individual, considero que esta homenagem pertence também aos nossos estudantes, que aceitaram o desafio da olimpíada e se dedicaram intensamente aos estudos.”, disse.

Ele lamentou a ausência da família, que não pôde estar presente na cerimônia de premiação, mas ressaltou o apoio recebido da esposa e dos filhos durante toda a sua trajetória.

“Minha família sempre foi minha maior fonte de apoio e motivação. Porém, mesmo a distância, sei que torceram e comemoraram comigo. Levo cada um deles no coração, assim como carrego todos os meus alunos, especialmente aqueles que tornaram possível esta conquista por meio de seu esforço, dedicação e amor pela ciência”, declarou.

Clichês à parte, é como se um filme, desses com final feliz, passasse pela cabeça de José Carlos. De origem humilde, ele é filho de pais agricultores, que também atuavam como feirantes vendendo arroz, feijão, milho, fubá e açúcar em cidades como Palmeira dos Índios, Maribondo e Arapiraca.

Apesar da baixa escolaridade, tanto o pai quanto a mãe de José Carlos sabiam muito bem que o caminho mais seguro era investir na educação dos filhos. Um esforço que o tempo mostrou ter mesmo valido muito a pena.

“Meus pais batalharam bastante para que os filhos tivessem oportunidades que eles próprios não tiveram. Eles sempre nos incentivaram a estudar, mesmo diante das dificuldades financeiras. Tudo o que conquistei academicamente carrega um pouco do esforço, dos ensinamentos e dos sacrifícios deles”, reconheceu.

Carreira marcada pela dedicação

José Carlos tem 40 anos. É natural de Palmeira dos Índios, mas se considera um “santanense de coração”. Foi em Santana do Ipanema que construiu sua trajetória profissional no Ifal. Lá, estabeleceu laços importantes e viveu experiências que marcaram profundamente sua vida como educador.

A paixão pela Física não surgiu por acaso. Vem da curiosidade científica que ele nutre desde a infância. Inquieto, o ainda menino José Carlos sempre tentava encontrar uma explicação plausível para as coisas que aconteciam ao seu redor.

José Carlos prepara estudantes para as provas da OBFEP“Eu gostava de tentar entender como as coisas funcionavam e me encantava com fenômenos do cotidiano que, muitas vezes, passavam despercebidos pelas pessoas. Com o tempo, os experimentos científicos despertaram ainda mais meu interesse. Eu percebia que a Física tinha a capacidade de explicar o mundo ao nosso redor de maneira lógica e fascinante. Foi essa curiosidade constante, aliada ao prazer de investigar e descobrir, que me levou a escolher a Física como profissão”.

Hoje, ele procura transmitir aos seus alunos exatamente esse sentimento: mostrar que a Física não é apenas um conjunto de fórmulas, mas uma ferramenta poderosa para compreender a natureza e desenvolver o pensamento crítico.

José Carlos ingressou como professor efetivo em 2017, no Ifal Campus Santana do Ipanema. De lá para cá, vem desenvolvendo um trabalho que vai além da transmissão de conteúdos, buscando despertar nos estudantes o interesse pela ciência, pela pesquisa e pela construção do conhecimento.

Não à toa, há quase uma década, ele vem se dedicando à preparação dos estudantes do Campus Santana do Ipanema para a OBFEP, uma das competições de conhecimento mais desafiadoras do país. Sua principal motivação sempre foi mostrar aos alunos que eles são capazes de competir em igualdade de condições com estudantes de qualquer região do Brasil.

“Muitas vezes, os jovens do interior não têm dimensão do próprio potencial. A OBFEP surge como uma oportunidade extraordinária para desenvolver raciocínio científico, autonomia intelectual e confiança. Quando um estudante percebe que consegue resolver problemas desafiadores, ser reconhecido por seu desempenho e conquistar uma medalha, sua visão de futuro muda. É exatamente essa transformação que me motiva a continuar incentivando a participação dos alunos na olimpíada”, afirmou.

“O Ifal me deu a oportunidade de desenvolver projetos, incentivar a participação em olimpíadas científicas e acompanhar o crescimento acadêmico de muitos jovens talentosos. Sempre acreditei que a educação transforma vidas, especialmente em regiões do interior”, concluiu.

Estudantes do Campus Santana do Ipanema medalhistas na OBFEP 2025:

Thiago Manoel Lemos Barbosa (1ª série) - Bronze

Gustavo Henrique Coelho Santos Maciel (2ª série) - Bronze

Alerrandro Alexandre Feitoza Barros (3ª série) - Ouro

Carlos Eduardo Vieira de Abreu Azevedo (3ª série) - Ouro

Geandyson Melo Vanderlei (3ª série) - Prata

Murillo Kennedy Freitas de Assis (3ª série) - Ouro

Ifal Campus Santana do Ipanema é destaque na cerimônia de premiação da OBFEP 2025