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Ciclo de Palestras discute suicídio e violência sexual

Evento movimentou Campus no dia 17 de outubro

publicado: 18/10/2017 09h41, última modificação: 18/10/2017 09h51
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Auditório lotado para o Ciclo de Palestras

Suicídio

Os dados são alarmantes: a taxa de suicídio entre os jovens cresce a cada ano no Brasil. Segundo o Mapa da Violência (2017), do Ministério da Saúde, entre 2002 e 2014, houve um crescimento de 10% na taxa de suicídios cometidos pelos jovens. No mundo inteiro, uma pessoa comete suicídio a cada 40 segundos. Os números reforçam a necessidade de uma política educacional voltada para a conscientização sobre o tema e a escola tem papel crucial no desenrolar desse processo.

Num país que alcança 5,6 mortes a cada 100 mil habitantes na faixa etária entre 15 e 29 anos, muito precisa ser feito. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o 113º país do planeta em percentual de suicídios e 8º em números absolutos, ainda abaixo da média mundial, que é de 11,3 mortes a cada 100 mil habitantes. O mês de setembro foi inteiramente dedicado à sensibilização sobre o tema. O "Setembro Amarelo" tenta evitar que histórias tenham o mesmo desfecho das que vitimaram duas adolescentes em novembro de 2013. Na ocasião, as jovens cometeram suicídio depois que fotos e vídeos íntimos foram divulgados na internet, expondo a privacidade de modo criminoso.

Nesta terça-feira, dia 18, o Campus Santana adentrou no tema, dando continuidade às ações iniciadas no último mês. Na nossa coluna "Fala, professor!", o psicólogo do Campus, Emerson Lins, já havia esclarecido pontos importantes no combate ao suicídio. Ontem foi a vez de continuar a conscientização com uma palestra esclarecedora sobre o tema, num momento de diálogo que reforça o compromisso social do Campus Santana. Num ano em que casos graves como o da "Baleia Azul"  levam crianças e jovens a se suicidarem, o trabalho educacional sobre o tema parece ser um dos melhores mecanismos no combate à prática.

"O papel da educação é conectar conhecimento com a realidade e necessidade dos alunos, num modelo de educação cidadã".  Ana Lady da Silva, Professora e Orientadora do Projeto de Ensino "Poéticas Feministas".

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Violência Sexual

A cena é das mais bárbaras e chocou a população de Castelo do Piauí, cidade a 190km de Teresina, capital do estado. Na tarde do dia 27/05/2015, quatro garotas foram brutalmente agredidas e estupradas por cinco homens, após terem saído da cidade para fazer fotos num ponto turístico. Encontradas amarradas e com graves ferimentos nos corpos, as vítimas precisaram ser levadas para a UTI do Hospital de Urgência em Teresina. Era tarde. 10 dias depois, uma adolescente de 17 anos não resistiu: o esmagamento facial, o traumatismo torácico e as lesões pelo pescoço lhe tiraram a chance de prosseguir um longo e promissor caminho.

Esse caso é só um dos milhares que acontecem num país em que a violência sexual é o segundo maior tipo de violência na faixa etária de 0 a 14 anos, segundo levantamento do Ministério da Saúde, divulgado em 2011. Quando considerado o crime de estupro, mais um dado alarmante: 70% das vítimas são crianças e adolescentes, sendo 15% deles cometidos por mais de um autor. O medo e o desconhecimento são fatores que contribuem para a subnotificação dos casos, que precisam vir à tona para que as providências sejam tomadas. Estima-se que a cada 11 minutos um caso de estupro seja notificado no Brasil e que estes representem apenas de 30 a 35% do número total desse crime bárbaro. Em pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em 2013, ficou constatado que 70% dos crimes de estupro são cometidos por parentes, amigos, namorados, muitas vezes dentro da própria casa. 

É preciso frear esse avanço da violência sexual. Como medida de informação e combate a esse tipo de violência, também aconteceram no Campus Santana, duas palestras de conscientização, realizadas nos turnos matutino e vespertino. Na primeira delas, o Conselho Tutelar de Santana do Ipanema, representado pelos conselheiros Manuel Belarmino, Cristiano Silva e Michele Rodrigues, explicaram a importância da vítima denunciar as agressões sofridas e o papel do Conselho no apoio a quem sofre esse tipo de crime. O Disque Direitos Humanos, Disque 100, foi destacado como canal da sociedade civil com o poder público, enquanto medida de proteção a crianças e jovens no enfrentamento da violência sexual. O serviço ouve, orienta, encaminha e registra a denúncia, sendo decisivo para o combate a esse tipo de crime.

Para fechar o Ciclo de Palestras, a Promotora de Justiça, Viviane Karla da Silva Farias, traçou a importância da justiça na erradicação da violência sexual. A garantia da prioridade absoluta e do superior interesse da criança servem para garantir o desenvolvimento pessoal em todos planos, em condições de liberdade e dignidade.

A iniciativa é da Professora Ana Lady da Silva, de Língua Portuguesa, e nasceu após a implantação do projeto de ensino "Poéticas Feministas", onde assuntos como machismo, feminismo, patriarcalismo e as formas de violência contra as mulheres são abordados. Após a aplicação de um questionário anônimo veio a sinalização da necessidade de falar sobre o tema. Ana destaca o resultado da iniciativa: "O resultado da ação foi excelente, com momentos de comoção e de conscientização, onde os jovens se impressionaram com as informações, slides, e as questões dos crimes virtuais, num trabalho que contou com o envolvimento dos demais professores", pontuou a professora. A Psicóloga Gabriela Izidro encerrou o evento com um momento de acolhimento e diálogo com os alunos.

Idealizadora da ação, Professora Ana Lady.Com o sucesso do primeiro ciclo de palestras, a ideia é reforçar ações como essas, que destacam o papel social da escola. "Educação é interdisciplinariedade, é dialogar com outros setores da sociedade, como a justiça, a saúde, e trazer para dentro do ambiente escolar profissionais especializados para abordar informações de interesse dos jovens, com a segurança de quem entende do assunto. O papel da educação é conectar conhecimento com a realidade e necessidade dos alunos, num modelo de educação cidadã", destacou Ana Lady, que em setembro contou sua história de vida, na série "Inspiração", que você pode REVER AQUI.

O projeto de ensino "Poéticas Feministas", conduzido pelos professores Ana Lady e Jonatas Xavier, segue acontecendo até dezembro, com encontros semanais às terças-feiras.