Notícias
Alunos do Ifal Campus Santana do Ipanema são destaque nacional na OBFEP 2025
Por Alexandre Abreu
O ano de 2026 não poderia ter começado melhor no Campus Santana do Ipanema do Instituto Federal de Alagoas (Ifal). Três alunos da unidade de ensino conquistaram o bronze nacional e o ouro estadual na edição 2025 da Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas (OBFEP), na categoria C, que reúne estudantes da 3ª e 4ª séries do Ensino Médio. O resultado oficial foi divulgado na última quinta-feira (8).
Alunos do Ensino Médio/Técnico Integrado, Carlos Eduardo Azevedo, Murillo Kennedy de Assis e Alerrandro Barros foram os únicos estudantes de Alagoas entre os 85 premiados em todo o país na categoria C. Ao todo, o Ifal Campus Santana do Ipanema participou da OBFEP 2025 com 122 alunos, sendo 95 na categoria B (para estudantes das 1ª e 2ª séries do Ensino Médio) e 27 na C.
O trio já havia sido destaque na edição de 2024, o que torna o desempenho de 2025 ainda mais especial, segundo o professor José Carlos da Costa, responsável pela preparação dos estudantes no Campus Santana do Ipanema.
“Em 2024, Carlos Eduardo conquistou medalha de bronze em nível nacional e ouro em nível estadual, tornando-se o primeiro aluno do campus a alcançar esse feito. Na mesma edição, Murillo Kennedy foi medalhista de prata estadual e Alerrandro Barros recebeu medalha de bronze estadual. Com esses resultados, o campus alcançou um marco histórico em 2024: seis medalhas estaduais e uma nacional em uma única edição da OBFEP. Em 2025, os três alunos evoluíram de forma notável. Carlos Eduardo repetiu o feito nacional, tornando-se o primeiro aluno do campus a conquistar medalha nacional e ouro estadual por dois anos consecutivos. Já Murillo Kennedy e Alerrandro melhoraram seus desempenhos, avançando do pódio estadual para o nível nacional, também conquistando ouro estadual. É um resultado que evidencia maturidade acadêmica, dedicação e constância”, avalia o docente.
Para o diretor-geral do Campus Santana do Ipanema, professor Thales Pantaleão, os resultados obtidos na OBFEP 2025 são uma “vitória coletiva” e ratificam o compromisso de todos com uma educação pública capaz de transformar vidas.
“Estas medalhas na Olimpíada Brasileira de Física são, antes de tudo, uma vitória coletiva. Elas refletem a dedicação dos nossos estudantes, a excelência do trabalho dos professores José Carlos [Costa] e Aroaldo [Santos], e o compromisso de todos os nossos professores, técnico-administrativos e terceirizados com uma educação pública de qualidade, inclusiva e transformadora. Mais do que um prêmio, esse resultado consolida o Ifal Santana do Ipanema como referência em ensino público no Estado e mostra que, com investimento e esforço, nossos jovens podem competir e brilhar em qualquer cenário nacional”, destaca.
Conforme a comissão organizadora da OBFEP 2025, a partir do dia 31 de janeiro, serão divulgados os resultados das categorias A (9º ano do Ensino Fundamental) e B (1ª e 2ª séries do Ensino Médio). Já as cerimônias de premiação em todo o Brasil estão previstas para ocorrer a partir de abril.
Trabalho que dá certo
Resultados como estes, obtidos na edição 2025 da OBFEP, definitivamente não caem do céu. Levam tempo e é preciso planejamento, estratégia e dedicação para que os estudantes possam render o máximo possível em olímpiadas do conhecimento, No Campus Santana do Ipanema, esse trabalho tem sido feito há pelos menos oito anos pelo professor José Carlos Costa, que atua tanto na organização e aplicação das provas como também na mobilização e preparação dos alunos da unidade de ensino que desejam participar de competições estudantis.
“Sempre tive como principal motivação oferecer aos nossos alunos a oportunidade de vivenciar uma olimpíada científica de alcance nacional, desafiadora e extremamente formativa. A OBFEP permite que os estudantes coloquem em prática seus conhecimentos de Física, desenvolvam o raciocínio científico e percebam que são plenamente capazes de competir em igualdade com alunos de todo o país.Todos os anos realizo visitas às salas de aula para apresentar a olimpíada, explicar seu funcionamento e, principalmente, despertar o interesse dos alunos por meio de experimentos simples e motivadores. Não há um processo seletivo prévio, qualquer estudante interessado é convidado a participar. A adesão acontece de forma espontânea, e o entusiasmo demonstrado pelos alunos mostra como iniciativas como a OBFEP são fundamentais para aproximar os jovens da ciência e da Física”, detalha Costa.
O professor conta que, para a OBFEP 20025, a preparação dos alunos foi realizado de forma contínua ao longo do ano letivo, sempre buscando equilibrar teoria, prática e resolução de problemas. Inclusive, destaca que desenvolveu uma proposta pedagógica especialmente com esta finalidade, batizada por ele de “Estratégias de Estudos Coletivos”.
“Esta proposta pedagógica é pensada especificamente para atender às demandas da 1ª e da 2ª fase da olimpíada. Durante esse processo, os estudantes participaram de momentos de estudo teórico, resolução de questões de provas anteriores e atividades experimentais, que ajudam a conectar os conceitos físicos ao cotidiano.Trabalhamos muito a interpretação de problemas, o raciocínio lógico e a autoconfiança dos alunos. Essa abordagem investigativa e colaborativa foi essencial para que eles se sentissem mais seguros e preparados no momento das provas”, explica.
Para 2026, Costa adianta que a ideia é ampliar o trabalho que já vem sendo desenvolvido no Campus Santana do Ipanema, no que diz respeito à mobilização e preparação dos alunos. O excelente retrospecto nas duas últimas edições da OBFEP, por exemplo, é um dos trunfos do professor, que pretende utilizar as conquistas recentes como fonte de inspiração para que mais estudantes possam participar da olímpiada.
“Também buscamos ampliar o suporte pedagógico, oferecendo mais momentos de estudo, atividades práticas e experiências investigativas. O objetivo é que cada vez mais estudantes se sintam confiantes, motivados e preparados para enfrentar desafios científicos de alto nível”, acrescenta.
Superação
As provas da OBFEP 2025 foram bastante exigentes, fazendo jus ao perfil de uma das competições acadêmicas mais desafiadoras e respeitadas do país. Na 1ª fase, de acordo com o professor José Carlos Costa, foram explorados conteúdos como Conceitos fundamentais de Mecânica; Termologia e Termodinâmica; Óptica geométrica e fenômenos da luz; Pressão, densidade e hidrostática; e Astronomia e Geofísica, em nível conceitual. Para a 2ª fase, o foco foi em assuntos como Mecânica Clássica; Termodinâmica; Eletricidade e Magnetismo; Óptica; e Física Moderna.
“As provas da OBFEP, tradicionalmente, apresentam diferenças bem definidas entre a 1ª e a 2ª fase. Na 1ª fase, o foco principal é avaliar a compreensão conceitual, a capacidade de leitura e interpretação de textos, o raciocínio lógico e a habilidade de relacionar a Física com situações do cotidiano e com outras áreas do conhecimento. É uma prova mais acessível do ponto de vista matemático, permitindo uma ampla participação dos alunos.
Já a 2ª fase apresenta um nível significativamente mais elevado. Trata-se de uma prova claramente seletiva, que exige maior domínio matemático, capacidade de modelagem física, integração entre diferentes áreas da Física e uma leitura científica mais madura”, avalia.
E foi neste contexto desafiador que o trio medalhista do Campus Santana do Ipanema mostrou competência e capacidade de superação. Carlos Eduardo Azevedo, por exemplo, foi o primeiro estudante da unidade de ensino a conquistar o bronze nacional e o ouro estadual em 2024, repetindo a façanha agora em 2025.
Natural de Palmeira dos Índios (AL), o jovem de 19 anos, do curso técnico integrado em Administração, considera que as provas da edição 2025 foram bastante trabalhosas e apresentaram um nível médio de dificuldade. Para superar o desafio, ele dá a dica:
“É necessário ter um conhecimento teórico prévio para compreender a linha de raciocínio da questão e um bom contato com a linguagem matemática para saber progredir nas questões”.
Já Murillo Kennedy de Assis e Alerrandro Barros, ambos de 18 anos e alunos do curso técnico integrado em Agropecuária, melhoraram seus desempenhos em 2025, em comparação com 2024, saindo, respectivamente, da prata e do bronze e conquistando, enfim, o ouro estadual, além, é claro, do bronze em nível nacional.
Apesar de a pedra no sapato ter sido a temida Óptica Geométrica, os dois acreditam que não existe uma fórmula mágica para se dar bem. O que vale é dedicação e preparação para superar os desafios e realizar sonhos.