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Dia Mundial do Autismo: mãe de uma criança autista, esposa de docente do campus compartilha sua história

O professor Élcio Santos e sua esposa Tatiana Santos são pais do pequeno Luís Henrique, diagnosticado com autismo desde os 2 anos

publicado: 02/04/2019 16h24, última modificação: 02/04/2019 16h24

Hoje, 2 de abril, é o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. Você sabe o que é o Transtornos de Espectro Autista? Sabia que esse transtorno no desenvolvimento do cérebro afeta cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo? O professor do Ifal Piranhas, Élcio Gonçalves dos Santos, tem um filho autista e sua esposa, Tatiana Santos, compartilhou conosco o relato de sua experiência com seu filho Luis Henrique para que as pessoas entendam melhor sobre o autismo e para ajudar outras mães que enfrentam a mesma situação que eles.

O Luís foi diagnosticado com 2 anos e 8 meses. Até os 2 anos, ele tinha um desenvolvimento normal para sua idade, mas depois os pais começaram a perceber um retrocesso no seu desenvolvimento. Ele foi ficando menos sociável, falando menos e apresentando características do Transtorno do Espectro Autista. Nessa mesma época, o professor Élcio foi aprovado em um concurso e mudou-se para Roraima. Ao procurar uma pediatra, a médica pediu que os pais encaminhassem o Luís a um neuropediatra, pois ele apresentava traços de autismo. Como acontece com todos que passam por isso, Élcio e Tatiana sentiram o impacto do diagnóstico naquele fim de ano de 2014. Quando a médica falou em autismo, a ficha deles caiu e eles tiveram receio de como seria a vida do seu filho a partir desse diagnóstico. Mas saber o que estava acontecendo com o Luís foi fundamental para lutar por ele e poder ajudá-lo.

Logo, marcaram o neuropediatra que confirmou o diagnóstico e indicou que o Luís fosse para uma escola para estimular a socialização e também que fosse acompanhado por terapeuta ocupacional, psicoterapeuta e fonoaudiólogo. Os pais fizeram de tudo pelo tratamento de Luís. Élcio, na época, estava em Roraima, enquanto sua esposa estava com Luís Henrique em Campina Grande, fazendo as terapias. Mesmo distante, Élcio ia à Campina para acompanhar o tratamento do filho e para estar perto da família dando todo o suporte emocional necessário. Pela saúde do filho, Élcio lutou muito para ir para mais perto de Campina Grande e conseguiu vir para o Ifal, onde pode estar mais presente para sua família. Tatiana conta que, mesmo com a distância, Élcio é um pai muito presente e o Luís é muito apegado a ele. Ela acredita que o envolvimento de toda família é fundamental para o desenvolvimento da criança.

“A partir desse diagnóstico, a vida da gente mudou completamente. Foi como se o mundo girasse de cabeça para baixo, todos os nossos sonhos e objetivos caíssem, porque você fica pensando o que vai ser da vida do seu filho, como ele vai ser aceito, como ele vai progredir e o que é que vai acontecer. É difícil receber esse diagnóstico, porque há um luto. Morre uma mãe com seus antigos ideais e morrem alguns sonhos, mas também, a partir desse luto, você consegue criar forças e coragem, que você nem imaginava ter, para conseguir cuidar do seu filho e fazê-lo progredir”, explica Tatiana.

Com o tratamento, Luís já evoluiu muito. Ele é uma criança feliz, que gosta de abraço, beijo e carinho, consegue olhar nos olhos das pessoas e, apesar de não verbalizar, se comunica de outras formas. “Eu vejo o quanto ele vem progredindo com as terapias e a gente vê que ele capaz de ter uma vida independente se a gente tiver coragem, lutar por isso, não se vitimar, nem vitimar nosso filho, porque o autismo não é doença, é um transtorno. A gente nunca escondeu que nosso filho é autista, não deixamos de fazer nada com ele, ele sai para todos os lugares, vai para festas e a gente não quer que ele se modifique para o mundo, a gente quer que o mundo veja ele com olhos diferentes. Ele tem suas diferenças como qualquer outra criança que tem suas dificuldades e diferenças, mas isso não impede que o Luís vá para escola, que ele se divirta, que leve sua vida o mais próximo possível da vida de uma criança normal”, desabafa a mãe.

Tatiana explica que o autismo não é um final, ele é apenas o recomeço de um sonho. “O autismo fez com que a gente enxergasse o mundo de uma forma diferente. As pessoas não entendem o que é o autismo e há muito preconceito.Luís Henrique O que a gente quer é que o mundo também enxergue essas crianças e não as trate como deficientes, como loucas, retardadas mentais, pois o autismo é apenas uma forma de olhar a vida e o mundo diferente. Vejam nossos filhos como crianças normais, que tem suas particularidades e dificuldades, mas não os vejam como doentes. São crianças que com suporte, terapia e apoio familiar podem se tornar adultos funcionais. É isso que a gente quer e é por isso que a gente luta”, relata a mãe do pequeno Luís Henrique.