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Primeira edição do Seminário em Educação de Jovens e Adultos do Ifal Piranhas tem sucesso de público

publicado: 09/05/2019 19h43, última modificação: 14/05/2019 18h46

Pesquisadores, gestores, educadores e estudantes oriundos de diversas cidades alagoanas e de estados vizinhos estiveram reunidos na quarta-feira, 8, no Campus Piranhas do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), dentro da programação do 1º Seminário em Educação de Jovens e Adultos, para discutir desafios e propostas de atuação na modalidade. O evento contou com mais de 220 participantes.

Seminário EJA 2019Antes de iniciar os debates, integrantes da mesa de abertura do evento falaram da importância da busca pelo "inédito viável", categoria trazida por Paulo Freire em seus livros Pedagogia do Oprimido e Pedagogia da Esperança e escolhida como tema central desta edição do seminário. Para o professor Jailson Costa, coordenador da iniciativa, é preciso superar a visão da EJA como uma educação de segunda classe e isso já se concretiza, segundo ele, quando levado em conta o número significativo de pessoas inscritas no evento e interessadas em refletir o tema.

"O aspecto quantitativo foi surpreendente. Mas do ponto de vista qualitativo também ficamos muito satisfeitos, uma vez que as temáticas tiveram excelente aceitação do público", avaliou Jailson. 

De acordo com o coordenador do curso técnico integrado em Alimentos da modalidade Proeja, Fábio Marques, a educação de jovens e adultos é um instrumento de resgate social. Seu pronunciamento na ocasião enfatizou a ideia de que não há idade nem limites para o aprendizado. "Sou filho de uma mãe que concluiu o ensino médio através da EJA, depois dos 40 anos. Aí conseguiu passar em um concurso e terminar de criar seus filhos", contou o docente.

O potencial da modalidade deu também a tônica da fala do diretor-geral do Ifal Piranhas, Iatanilton Damasceno. O dirigente apresentou dados da EJA no campus (representa 17% do total de matrículas), em Alagoas (representa 2,9% do total de matrículas) e na Rede Federal ( representa 2,4% do total de matrículas) para defender a capacidade transformadora desse modelo. "Educar jovens e adultos é dar a essas pessoas uma nova perspectiva de vida, um novo ponto de partida", disse.

Seminário EJA 2019Além das autoridades mencionadas, compuseram a mesa diretora do evento o chefe do Departamento Acadêmico do campus, Randrikson Gonçalves, o coordenador de Extensão da unidade de ensino, Pablo Fabrício da Conceição, o coordenador de Pesquisa Michelângelo de Oliveira e a representante do Fórum Alagoano de Educação de Jovens e Adultos, Sônia Maria Viana. Após a abertura oficial do seminário, todos apreciaram a apresentação do Corifal Piranhas, que emocionou a plateia ao mesclar poesia e músicas do cancioneiro popular brasileiro. 

O "inédito viável" nas mesas-redondas

Seminário EJA 2019Convidados de renome no mundo acadêmico compartilharam suas experiências e estudos da EJA ao longo do dia. A palestrante Maria de Fátima Amorim trouxe dados do quadro de ensino da modalidade no Campus Marechal Deodoro e relatou sua pesquisa referente aos fatores que levam à permanência do alunado da EJA na instituição. "Pesquisar evasão é focar no fracasso e em motivações individuais do estudante. Pesquisar a permanência dá a possibilidade de intensificar e expandir ações que proporcionaram esse resultado", defendeu. A estudiosa sustentou ainda que ser professor da EJA é um posicionamento político, uma militância. "Nós estamos trabalhando com minorias". 

Mediada pelo mestrando Anderson Marques, essa mesa contou com a participação de outra pesquisadora do tema. A professora Divair Maria de Lima fez reflexões sobre práticas pedagógicas no contexto das juventudes atendidas pela EJA. Em sua explanação, ela argumentou que a educação de jovens e adultos "não pode ser vista como um acréscimo, um adendo" à oferta regular da instituição de ensino. 

Seminário EJA 2019O debate seguinte, coordenado pelo professor Antônio Freitas, reuniu a docente da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Marinaide Queiroz Freitas e o professor da Universidade do Porto, em Portugal, Paulo Marinho. As discussões contemplaram o cenário das lutas coletivas a partir de situações-limite em busca do "inédito viável" na EJA bem como a intencionalidade dos métodos avaliativos aplicados na modalidade, com ponderações dos dois especialistas acerca do processo de ensino-aprendizagem na educação de jovens e adultos e do feedback dessa aprendizagem. "Não se trata de capacitar adultos escolarmente defasados, mas de formar a pessoa cidadã", pontuou Marinaide, durante a exposição do conteúdo.

Seminário EJA 2019

O 1º Seminário em Educação de Jovens e Adultos do Ifal Piranhas foi uma ação integrada com a Ufal, a Secretaria Municipal de Educação de Piranhas e a 11ª Gerência Regional de Educação. Segundo os organizadores, a próxima edição do evento está prevista para maio de 2020.