Notícias
Reencontros, memórias e música marcam aniversário do Campus Maceió
Histórias, encontros, arte e uma atmosfera festiva marcaram o dia no Instituto Federal de Alagoas (Ifal) – Campus Maceió, nesta quarta-feira, 23 de setembro. A data celebrou os 117 anos de história do campus, com cerimônia realizada no Auditório Oscar Sátyro. A trajetória da instituição teve início em 23 de setembro de 1909, com a criação da Escola de Aprendizes e Artífices de Alagoas.
O dia começou com a composição da mesa de honra, formada por gestores do Instituto, e seguiu com uma apresentação cultural da Camerata Jovem e uma roda de conversa para a troca de experiências entre ex-coordenadores que fizeram parte da história do Campus Maceió ao longo dos anos.
A celebração foi marcada por relatos, memórias revisitadas e reencontros que movimentaram a comunidade acadêmica, reunindo estudantes, ex-alunos, servidores ativos e aposentados, gestores e ex-gestores, além de servidores de diferentes unidades do Ifal.
Conheça a história do Campus Maceió
Reencontros e reflexões
Para o anfitrião da celebração, o diretor do Campus Maceió, Givaldo Oliveira, comemorar o aniversário do Ifal Maceió representa mais do que celebrar a existência de uma instituição centenária. É também um momento de reconhecer as parcerias, o esforço coletivo e o empenho de quem constrói diariamente essa história.
Givaldo fez um agradecimento especial à equipe gestora do campus, destacou o papel das mulheres à frente de diretorias e departamentos e, emocionado, relatou desafios cotidianos enfrentados pela unidade, que, segundo ele, são superados graças à proatividade e à capacidade de articulação da equipe.
“Hoje, o Campus Maceió tem 130 servidores técnico-administrativos, enquanto nosso quadro já chegou a cerca de 200. Portanto, estamos falando de um déficit de aproximadamente 70 servidores. Em breve, teremos ainda cerca de 30 aposentadorias, o que torna urgente a recomposição do nosso quadro. Essa falta de servidores impacta diretamente o funcionamento do campus. Um exemplo é a área de patrimônio, que hoje conta com apenas um servidor responsável por uma demanda muito grande. Em nome dele e de tantos outros colegas que atuam sozinhos em seus setores, registro minha gratidão pelo esforço diário. É muito difícil administrar um campus dessa dimensão com equipes reduzidas”, relatou Givaldo, ao agradecer e destacar o empenho coletivo da equipe do Instituto.
O diretor também informou que essa realidade se repete em outras áreas. Segundo ele, servidoras e servidores assumem grandes responsabilidades, muitas vezes sozinhos, para garantir o funcionamento do campus. Na área de ensino, por exemplo, a equipe enfrentou o desafio de organizar um calendário que ficou seis meses diferente para algumas turmas. Mesmo diante das dificuldades, os servidores têm se empenhado para manter as atividades e atender às necessidades da comunidade acadêmica.
Na ocasião, o gestor também destacou a importância do aniversário para servidores aposentados e pensionistas, especialmente diante da assinatura e publicação do termo de rescisão do acordo com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que garante o retorno da gestão das aposentadorias e pensões para o Ifal. A medida foi formalizada com a assinatura do termo de rescisão em 21 de setembro.
“Recebo com muita satisfação o retorno da gestão das aposentadorias e das pensões para o Ifal. Essa é uma conquista importante para toda a nossa comunidade, especialmente para as servidoras e os servidores aposentados e pensionistas, que passam a ter novamente essa gestão vinculada à própria instituição. Cuidar de quem dedicou sua trajetória ao Ifal também é cuidar da nossa instituição e da nossa história. Essa conquista é fruto de um processo de diálogo, articulação e mobilização que envolveu nossos servidores“, celebrou o diretor do campus.
Referência secular
O reitor em exercício, Zoroastro Neto, destacou a importância de celebrar o aniversário do Campus Maceió como uma oportunidade de resgatar a memória da educação profissional em Alagoas e os momentos singulares vividos pela instituição ao longo de mais de um século de história.
“Nossa instituição cresceu, ampliou sua presença no estado e continua cumprindo uma missão social essencial: formar cidadãos, promover oportunidades e contribuir para o desenvolvimento de Alagoas. Mais do que comemorar o passado, este momento nos convida a reconhecer essa história e reafirmar o compromisso com os próximos anos.”
Zoroastro também parabenizou a equipe técnica e agradeceu ao diretor Givaldo Oliveira e aos servidores do campus, reforçando o papel dos professores como pilar fundamental desta “casa centenária”, referência em educação pública, gratuita e de qualidade.
Música e cultura na celebração
A programação cultural do aniversário contou com um pequeno concerto didático da Camerata Jovem do projeto Artifal, sob regência do maestro Almir Medeiros.
A apresentação reuniu peças de música clássica e popular em um repertório eclético, incluindo obras de Johann Sebastian Bach, Alceu Valença, um medley de Luiz Gonzaga e a música “Ponta de Lápis”, composta por Roberto Barbosa e Marcus Maceió e conhecida na voz do cantor Eliezer Setton.
Coordenadores, legado e trajetória no Ifal Maceió
Em um momento especial dedicado a professores com longa trajetória na instituição, os docentes José Martins, Rossana Gaia, Jorge Batista (Jorgito) e Antônio Cícero compartilharam lembranças, relatos e impressões sobre o período em que assumiram coordenações de cursos no campus.
Rossana Gaia, professora de Letras, Metodologia Científica e Design; José Martins, professor do curso de Edificações; e Antônio Cícero, professor de Inglês, também falaram sobre a nova rotina após a aposentadoria.
“São períodos muito produtivos e de grandes saberes e descobertas. Todo professor deveria ter a oportunidade de coordenar o curso onde atua, pois a experiência vai muito além da sala de aula. Precisamos entender um universo de demandas e situações que envolvem a vida dos alunos, a credibilidade da instituição e o desenvolvimento pessoal e profissional do professor”, concluiu Rossana, recentemente aposentada e que, na ocasião, também comemorou o reencontro com colegas de campus.
Já o professor Jorge Batista, conhecido como Jorgito, reviveu, em um relato emocionado, memórias de sua trajetória de quase 50 anos como docente de Eletrotécnica do Instituto. Jorgito foi aluno da então Escola Técnica Federal de Alagoas (ETFAL) entre 1971 e 1973 e retornou à instituição como docente em 1977. Seu pai já era professor do Instituto.
Ao longo de sua trajetória, Jorgito formou gerações de profissionais de Eletrotécnica, assumiu a coordenação do curso por vários mandatos e criou vínculos afetivos que ultrapassaram os limites da instituição, incluindo o seu próprio casamento. “Sou muito grato pelas oportunidades que aproveitei nesta casa. Ser profissional daqui me fez grande. Grande por conta do carinho dos alunos, das amizades que construí e do respeito das pessoas com quem convivi. Quando existe respeito recíproco, aquele grupo profissional passa a ser uma família e os laços ultrapassam o ambiente da escola”, relatou o professor, emocionado.
Ao recordar sua experiência como coordenador de curso, Jorgito foi enfático: “Coordenador de curso é a maior carga que se pode ter dentro do Instituto. Você aprende de tudo um pouco e ganha uma experiência de vida e de profissão tão marcante e gratificante que deixa muitas histórias”.
“São períodos muito produtivos e de grandes saberes e descobertas. Todo professor deveria ter a oportunidade de coordenar o curso onde atua, pois a experiência vai muito além da sala de aula. Precisamos entender um universo de demandas e situações que envolvem a vida dos alunos, a credibilidade da instituição e o desenvolvimento pessoal e profissional do professor”, concluiu Rossana, recentemente aposentada e que, na ocasião, também comemorou o reencontro com colegas de campus.