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Trabalho do Ifal é selecionado para conferência que contará com a participação do Papa Leão XIV

Experiência de educação climática desenvolvida com estudantes do Campus Batalha será apresentada no dia 15 de outubro, em Roma, pelo professor Cosme Rogério Ferreira
publicado: 30/09/2026 15h54, última modificação: 30/09/2026 15h54

O professor Cosme Rogério Ferreira, do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), Campus Batalha, apresentará uma experiência de educação climática desenvolvida com estudantes alagoanos durante a Conferência Internacional de Sustentabilidade de 2026. Promovido pela Universidade Villanova, o encontro acontecerá de 12 a 15 de outubro, em Roma, na Itália, e contará com uma programação especial em Castel Gandolfo, da qual participará o Papa Leão XIV. 

Intitulado “Educação territorial para a ecologia integral no Semiárido brasileiro”, o trabalho foi selecionado para apresentação no dia 15 de outubro, na Aula Minor do Pontifício Instituto Patrístico Agostiniano, vinculado à Pontifícia Universidade Lateranense. A comunicação integrará a sessão internacional “Educação e Pedagogia para a Sustentabilidade”, ao lado de pesquisas e experiências desenvolvidas nos Estados Unidos, na Nigéria, no Peru e em outros países. 

A pesquisa sistematiza uma experiência pedagógica realizada com estudantes do ensino médio integrado do curso técnico em Biotecnologia ofertado pelo Campus Batalha. O estudo demonstra como uma educação climática vinculada ao território pode promover alfabetização científica, diálogo entre diferentes formas de conhecimento e participação cidadã. 

Com o tema “Respondendo ao clamor da Terra e ao clamor dos pobres”, a conferência reunirá pesquisadores, educadores, lideranças religiosas, organizações sociais e representantes de instituições de diferentes países. A programação abordará as relações entre sustentabilidade, pobreza, justiça social, saúde ambiental, educação, tecnologia, espiritualidade e participação comunitária. 

Experiência nascida no Semiárido 

Professor Cosme Rogério Ferreira, do Ifal Campus Batalha, estará na Conferência Internacional de Sustentabilidade de 2026O trabalho que será apresentado pelo professor Cosme Rogério Ferreira parte da realidade do Semiárido brasileiro, onde a degradação da Caatinga, os processos de desertificação, as dificuldades de acesso à água e as desigualdades sociais tornam especialmente visíveis as consequências da crise climática. 

A pesquisa defende que a educação ambiental não pode se limitar à transmissão de informações científicas. Ela precisa reconhecer que os problemas ecológicos e sociais estão interligados, valorizar os conhecimentos produzidos pelas comunidades e criar condições para que os estudantes participem das decisões relacionadas ao futuro de seus territórios.

O núcleo da experiência analisada é a Mini COP30, simulação de uma conferência climática realizada em 2025 no Campus Batalha. Depois de estudarem documentos científicos, ambientais e éticos, os estudantes foram organizados em cinco grupos, representando países, organismos científicos, movimentos sociais, povos tradicionais e instituições públicas. 

Durante quatro encontros, os participantes apresentaram posições e negociaram propostas sobre acesso à água, agroecologia, transição energética, proteção da Caatinga, políticas públicas e defesa dos territórios. 

“A experiência demonstrou que a educação climática se torna mais relevante quando parte do território vivido e reconhece estudantes e comunidades como sujeitos do conhecimento. Levar esse trabalho a uma conferência internacional significa dar visibilidade à Caatinga, à juventude sertanejo-alagoana e à contribuição da escola pública para o enfrentamento da crise socioambiental”, afirma Ferreira. 

A participação do professor do Ifal insere uma experiência produzida no sertão alagoano em um espaço internacional de diálogo científico, ético e social. O trabalho evidencia como a educação territorial pode transformar estudantes em protagonistas da reflexão e da participação pública diante dos desafios climáticos contemporâneos.

Carta da juventude alcançou espaços nacionais 

Um dos principais resultados da Mini COP30 foi a elaboração da Carta da Juventude Sertanejo-Alagoana pela Caatinga, documento que reuniu diagnósticos e propostas dos estudantes para a proteção do bioma e a promoção da justiça climática. 

A Carta ultrapassou o espaço escolar, foi registrada na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados e recebeu manifestações de ministérios e outras instituições governamentais, da Presidência da República e da Presidência da COP30. 

A experiência integra um itinerário institucional que articula ensino, pesquisa e extensão por meio do estudo da Caatinga, da memória comunitária, dos saberes indígenas e tradicionais, da bioética e da comunicação pública. 

Conferência reunirá referências internacionais 

Entre os conferencistas anunciados estão o sociólogo norte-americano Robert Bullard, reconhecido internacionalmente como um dos fundadores do campo da justiça ambiental; a ambientalista queniana Wanjira Mathai, diretora para a África e Parcerias Globais do World Resources Institute e presidente da Fundação Wangari Maathai; e o cardeal Michael Czerny, prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. 

A programação também contará com painéis sobre sustentabilidade e inteligência artificial, habitação sustentável, justiça social, parcerias internacionais e práticas comunitárias de enfrentamento à crise climática. 

Papa Leão XIV participará de cerimônia em Castel Gandolfo 

Um dos momentos centrais da conferência ocorrerá no dia 13 de outubro, quando os participantes seguirão para o Borgo Laudato Si’, em Castel Gandolfo. A programação incluirá visita guiada ao local e a cerimônia de entrega da primeira Medalha Papa Leão XIV para a Sustentabilidade, marcada para as 17h30min. 

A honraria será entregue pelo próprio Papa Leão XIV. Criada pela Universidade Villanova, a medalha reconhecerá pessoas e organizações cuja atuação articule proteção ambiental, justiça social, cuidado com as populações vulneráveis e desenvolvimento humano integral. A distinção será concedida a cada dois anos.

A Universidade Villanova é uma instituição católica de tradição agostiniana e mantém uma ligação particular com o Pontífice. O então Robert Francis Prevost graduou-se em Matemática pela universidade em 1977 e recebeu da instituição o título de doutor honoris causa em Humanidades em 2014.