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Primeira dissertação em Tecnologias Ambientais propõe plano de descarte de medicamentos

por Jhonathan Pino - jornalista publicado: 10/05/2019 17h42 última modificação: 16/05/2019 10h50

Katty Pollyanni Ferreira é o nome da primeira aluna a defender uma dissertação, no Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias Ambientais, do Instituto Federal de Alagoas (Ifal). A importância do momento e da temática abordada por ela, “Eliminação e devolução de drogas farmacêuticas: proposta de diretrizes operacionais para um programa de recolhimento de resíduos de medicamentos pós-consumo no Brasil”, chamou a atenção do reitor pro tempore Sérgio Teixeira, do coordenador do programa, Stoécio Malta, de toda a equipe da Pró-reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação (PRPPI), como também do deputado federal Max Beltrão, que estiveram presentes a defesa, ocorrida na manhã desta sexta-feira, 10, na sala de Reuniões da Reitoria.

Sob a orientação de Josealdo Tonholo, Katty fez toda uma contextualização do aumento da produção de lixo e especificamente de medicamentos em todo o mundo, como parte de um processo que tende a ser agravado, a medida em que se dá o envelhecimento da população. Ela alertou para a falta de orientação sobre descarte o correto daqueles resíduos.Ao lado do antigo pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação, Carlos Henrique Alves, Josealdo Tonholo enfatizou o empenho de docentes e alunos do Mestrado.png

Fiz um estudo sobre as normas relacionadas ao processo de descarte pós-consumo e de gerenciamento de resíduos de Serviços de Saúde, a partir da legislação existente, tanto da  [Associação Brasileira de Normas Técnicas], como da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]. Também fizemos um comparativo entre os dispositivos legais, vigentes e propostos no país, com a experiência de outros países, como a Austrália”, detalhou Katty.

A mestranda opinou que a criação de um plano para o encaminhamento correto dos medicamentos utilizados deveria vir atrelada ao desenvolvimento da Educação Ambiental, em todas as graduações, independente da área dos estudantes, além da necessidade de aproximação dos legisladores com a academia.

É necessário ouvir os pesquisadores que estão voltados à discussão do tema. É algo que eu acho importantíssimo, trazer os profissionais para participar da atualização das leis”, sugeriu Katty.

Após a apresentação, o deputado Max Beltrão fez um convite para que Katty e os professores envolvidos na pesquisa participassem de uma audiência pública, na Comissão de Saúde e Meio Ambiente, em Brasília, para auxiliar na criação de um Projeto de Lei (PL).O deputado federal Max Beltrão e o Reitor Sérgio Teixeira parabenizaram os resultados da pesquisa realizada na dissertação de Katty Ferreira.jpg

“Para mim é um prestígio estar aqui. É a primeira vez que participo de uma banca de mestrado e coincidentemente a primeira banca do Ifal. Eu acredito que essa pesquisa vai contribuir para o meu trabalho, lá em Brasília, onde fui indicado para relatar a PL que trata a Logística Reversa dos medicamentos”, enfatizou o parlamentar.

Mestrado profissional

O reitor também parabenizou o trabalho apresentado. Para ele, a dissertação seguia o direcionamento dado pelo programa, de desenvolvimento de um conhecimento aplicado à sociedade. “Temos uma preocupação de produzir pesquisas que deem resultado mais imediato a comunidade e o domínio do assunto que Katty possui, como uma profissional da área, que busca modificar a realidade em que está inserida, é a prova de que estamos seguindo nessa direção”, pontuou Sérgio.

Inspetora da Equipe de Medicamento e Cosmético da Vigilância Sanitária Municipal e farmacêutica do quadro permanente da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas, Katty faz parte da primeira turma o Mestrado Profissional em Tecnologias Ambientais, que teve início em 2017, com a proposta de atrair profissionais que tenham o interesse em propor soluções para a área do Meio Ambiente. 

“Esse é um momento histórico que vem de um processo longo, até chegar a aqui. Tudo teve início, ainda em 2012, quando fizemos uma primeira proposta, para a área das Agrárias, que foi negada. Logo após, fizemos outra proposta na área de Ciências Ambientais, em 2015, que também foi negada, mas no ano seguinte, após a reestruturação da proposta, conseguimos a aprovação. Hoje, estamos iniciando a seleção da terceira turma. Trata-se de uma jornada nada fácil”, pontuou Stoécio.

Além do reitor e do deputado Max Beltrão, que estavam como convidados, participaram da banca Josealdo Tonholo, Irinaldo Diniz, André Leite e Daniel de MagalhãesO coordenador pontuou que nesse tempo, o curso tem pensado em soluções diversas para a área que se propõe a estudar, como reaproveitamento de cinzas de resíduos sólidos para a pavimentação; telha ecológica, com conchas de sururu e sensores para monitoramento de enchentes em tios alagoanos, em em tempo real. Parte dessa diversidade temática se deve ao próprio perfil diversificado  do Mestrado, que possui professores de oito diferentes campi e áreas de conhecimento do Ifal, além de contar com a participação docente da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Josealdo Tonholo.

O programa é formado para pessoas que estão devotas ao desenvolvimento do nosso país. Os alunos trabalham durante o dia e a noite assistem as aulas, sem bolsas. Além disso, os professores não recebem nada por isso, pelo contrário, eles têm mais horas-aulas e pesquisas para orientar”, lembrou o orientador da pesquisa.

Para Katty, o Ifal abriu uma oportunidade em sua vida, com a iniciativa do mestrado. "Vocês não sabem o quanto esse momento é importante para mim. Eu tenho a honra de estar aqui, como aluna do Instituto Federal de Alagoas. Sonhava com esse dia, tentei a seleção, fui reprovada na primeira vez, entrei com recurso e fui chamada. Hoje estou concretizando esse momento, porque tive a oportunidade e sei quantos profissionais desejam passar por isso também".

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