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Pioneirismo e tradição formam os tecnólogos em Laticínios de Alagoas

Carreira promissora: a cadeia do leite é a segunda maior geradora de emprego e renda do Estado

por publicado: 19/05/2016 08h21 última modificação: 24/05/2016 08h33

Adriana Cirqueira - jornalista

O Instituto Federal de Alagoas – Campus Satuba, antiga Escola Agrotécnica de Satuba, tem uma trajetória de 105 anos marcada pela busca da melhoria da vida do homem do campo e pela confiança da família alagoana na excelência da formação ofertada. Atuando em educação profissional para o primeiro setor, o IFAL Satuba implantou, em 2006, seu primeiro curso de educação superior, o Curso de Tecnologia de Laticínios.

Segundo o coordenador do curso, Wagner Wildey Silva de Melo, o curso tem como foco a formação de profissionais com competência técnica para atuar na cadeia produtiva do leite. “O tecnólogo em laticínios pode atuar na orientação dos produtores quanto aos aspectos necessários para a obtenção, armazenamento e transporte da matéria prima de forma adequada, atua na industrialização e controle de qualidade, assim como no gerenciamento desse agronegócio”, explica Wagner.

O desafio do ensino superior

O ingresso em um curso superior representa o início de um período marcado por expectativas e mudanças. Uma rotina de estudos ampliada, com mais tarefas e responsabilidades - o que altera o cotidiano dos jovens e requer dedicação e capacidade de adaptação ao novo ritmo, com a eleição de prioridades. Mesmo com uma perspectiva de aumento de trabalho, os estudantes de tecnologia de laticínios do Campus Satuba tem um diferencial que os auxilia nessa adaptação.

Alunos de diversas cidades alagoanas e de outros estados encontram no curso e no campus um ambiente hospitaleiro pois, mesmo contando com instalações específicas do curso – como prédio e laboratórios - compartilham professores e outros espaços com os estudantes do ensino técnico. O acesso aos professores e demais servidores do campus é fácil e cordial e pode ser percebido em grupos formados nos bancos sob as árvores e nos caminhos entre os diversos prédios do campus. Além disso, a escola centenária, que tem ares de fazenda, com seus prédios antigos, animais, plantações e muita área verde, que inclui uma reserva da Mata Atlântica, é um cenário pitoresco e acolhedor, incomum em instituições de ensino. O som do trem, que cruza a propriedade e serve de transporte para muitos alunos e servidores, se mistura ao cantar de diversos tipos de aves que povoam as árvores que ajudam a compor o bucolismo da paisagem.

Ensino, pesquisa e inovação

O curso tem 93 alunos, em sua maioria saído do ensino médio técnico. Boa parte deles pretende seguir carreira acadêmica, cursando um mestrado tão logo se forme. Este é o caso de Mylla Rafaelly da Silva Santos, aluna do 1º período. A arapiraquense de 20 anos fez o curso técnico em Agroindústria no Campus Ifal Piranhas, onde, ao se identificar com disciplinas da área e desenvolver projetos em cooperativas de produção de leite e derivados, desistiu de estudar odontologia e resolveu apostar no curso de Tecnologia de Laticínios. “O comércio de leite e derivados possui um grande potencial de mercado e existe uma carência de profissionais formados em Tecnologia de Laticínios, o que me incentiva ainda mais em dar prosseguimento à minha formação acadêmica” explica.

A técnica em alimentos, Claudia Rejane Correia dos Santos, 49 anos, outra caloura do curso, afirma que o curso veio preencher uma lacuna em sua formação. Para ela o curso tem uma grade curricular adequada e está dentro e suas expectativas. "A exceção é o laboratório de química, que poderia ser mais moderno. A excelência fica por conta do corpo docente", afirma. Empresária do ramo de alimentos, a futura tecnóloga pretende aperfeiçoar os pratos oferecidos e formular novas receitas com técnica e qualidade.

Claudia acredita no potencial do curso e da instituição como um todo. “Com a reestruturação dos espaços físicos e a criação de incentivos no esporte, na cultura, em projetos e oficinas nas áreas de cada curso, o Ifal Satuba pode ampliar o número de alunos motivados a permanecer e concluir seus cursos”, analisa.

Para o aluno do 3º período, Levi Almeida Cavalcante Lima, 18 anos, o curso atendeu todas as suas expectativas. "Eu esperava que fosse muito bom, com matérias com as quais me identificasse; e foi isso que encontrei: professores, disciplinas, estrutura, tudo. E a cada dia me identifico mais com o curso", revela Levi, que optou pelo curso por gostar da área de alimentos e do trato com animais, além das possibilidades de trabalho na indústria ou inspeção, fora do estado e até do país, ou seguir carreira acadêmica e prestar um concurso público. Pensa também em cursar Tecnologia de Alimentos no Campus Maceió.

Natural de Coruripe, onde reside, Sara dos Santos Nascimento, 23 anos, afirma que o curso foi uma importante oportunidade de formação - empenhada em sua pesquisa e elaborando seu relatório de estágio, a aluna afirma ter encontrado no curso um ambiente propício para seu aperfeiçoamento. “Participo de projeto de pesquisa financiado pelo CNPq e recebo bolsa de incentivo à pesquisa. Não posso dar detalhes pois é passível de patente”, complementa. Como a caloura Mylla, a concluinte Sara também pretende seguir carreira acadêmica.

Sara acrescenta que, além de uma sólida formação, o IFAL Satuba oportunizou um contato direto com a pesquisa na área e com prática na agroindústria, o que considera fundamental. “Hoje sei que o tecnólogo em laticínios é um profissional essencial a cadeia produtiva do leite. Além do trabalho em laticínios, o tecnólogo pode também atuar em outros seguimentos da indústria alimentícia”. Mesmo acreditando que não atuará especificamente na área, visto que pretende seguir carreira na academia, a aluna afirma que nunca pensou em desistir ou mudar de curso e que o tempo passado no Campus Satuba nunca será esquecido.

Libiana Mayara Oliveira dos Santos, aluna do 7º período, ao avaliar o curso, o faz sob três perspectivas: professores, espaço físico e equipamentos e utensílios. Quanto aos dois primeiros, Libiana afirma serem muito bons, principalmente os professores, que, além da excelente formação são orgulhosos do trabalho que realizam. Sua crítica fica na questão de equipamentos e utensílios. “Apesar do curso possuir os equipamentos, ficamos períodos sem meios de realizar análises químicas e microbiológicas por falta de material”, critica. A concluinte de 24 anos também é bolsista de pesquisa pelo Pibic e trabalha em um projeto de desenvolvimento de um novo produto: um iogurte com ingredientes regionais. Ao se formar, Libiana pretende ingressar no mestrado em nutrição da UFAL e lecionar.

Além das oportunidades de pesquisas os alunos frequentam aulas teóricas e práticas - em campo e em laboratórios. Participam também de visitas a estabelecimentos diversos para observação e análise. Sob orientação de professores, e com o auxílio de estagiários e funcionários terceirizados (entre eles ex-alunos), os alunos atuam ainda em todas as etapas da produção de diversos produtos derivados do leite nas dependências do campus, como doce, queijos e bebidas lácteas.

Qualidade para o mercado

Informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) atestam que a produção de leite no Brasil mais que dobrou em quinze anos de pesquisa, mantendo-se continuamente crescente, até 2015, quando registrou reversão nesse ritmo. Ainda assim, em 2015 foram mais de 24 milhões de litros de leite adquiridos e industrializadas em estabelecimentos sob inspeção sanitária no país. Deste total, 70 mil foram em Alagoas.

Em função da aptidão do estado de Alagoas, que tem como segundo pilar econômico a cadeia de laticínios, o Ifal Satuba foi pioneiro no nordeste ao implantar o curso de tecnologia em Laticínios que obteve conceito 4 (quatro) na avaliação do Ministério da Educação (MEC). Segundo Anselmo Lucio, diretor geral do Campus Satuba, além de preparar mão de obra para a cadeia do leite, a instituição forma seus alunos com uma visão estrutural do segmento, através de ensino, pesquisa e extensão. “Paralelo a isso fortalecemos a utilização de visitas técnicas devidamente monitoradas para aprimorar o olhar dos futuros profissionais nas questões relativas à realidade empresarial”, acrescenta.

Para Anselmo, a qualidade do curso tem como um de seus reflexos, o retorno de seus alunos como professores da instituição. “Temos três ex-alunos que retornaram para a instituição como docentes: o professor e coordenador do curso, Wagner Wildey, a professora Marciara Lucia dos Santos e a professora substituta Eriane Alves da Silva”, completa Anselmo.

Por ser uma instituição pública, o Ifal necessita passar por procedimentos específicos para compras e reformas, entre outras ações administrativas e isso leva tempo e exige profissionais nem sempre disponíveis com a velocidade que a demanda necessita. O diretor admite que existe muito a ser feito ainda, principalmente na ampliação e modernização dos laboratórios, mas analisa que os projetos estão sendo desenvolvidos, as melhorias necessárias gradualmente implementadas e corpo docente está em constante aperfeiçoamento, garantindo que a qualidade do curso seja mantida e, em alguns aspectos, ampliada.