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Gestão Ambiental: a nova carreira para jovens antenados em sustentabilidade

Curso superior do Ifal – Marechal Deodoro forma profissionais capacitados em soluções sustentáveis para empresas de Alagoas

por Acássia Deliê publicado: 06/05/2016 09h44 última modificação: 09/05/2016 19h46

Acássia Deliê- jornalista

Escolher uma carreira é uma fase naturalmente difícil para a maioria dos jovens. Imagine então quando a escolha sai das opções tradicionais para entrar em um caminho novo, ainda desconhecido da maior parte da população. Esse é um dos maiores desafios enfrentados pelos alunos do curso superior de Gestão Ambiental do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), no Campus Marechal Deodoro, que estão ajudando a construir uma nova história para as práticas ambientais em Alagoas.

O primeiro curso de Gestão Ambiental do Brasil foi criado em 2002 na Universidade de São Paulo (USP). Quatro anos depois, de olho na crescente demanda em Alagoas, o Ifal também abria suas portas para a nova carreira, criando o curso superior de Tecnologia em Gestão Ambiental, na cidade metropolitana de Marechal Deodoro. A novidade atraiu jovens de várias partes do estado, curiosos e também receosos sobre o mercado de trabalho para a nova profissão.

No início do curso a gente fica com aquela insegurança, ‘será que teremos trabalho?’”, declarou Jaqueline Lopes, ao colar grau em março de 2016. “Mas o importante é acreditar naquilo que você faz. Assim que terminei o curso, já fui chamada para trabalhar”, diz a nova gestora ambiental, que agora atua em uma cooperativa no estado de Pernambuco.

O fim do curso superior de Gestão Ambiental também representou um recomeço imediato para Ana Karine Pimentel. “A qualidade de ensino do Ifal e a especificidade do curso é uma novidade bem-vinda para o mercado de Alagoas. O gestor ambiental é um profissional cada vez mais necessário e que consegue se adequar em diversos segmentos, do Turismo à Engenharia, da iniciativa privada a empresas públicas”, explica a gestora ambiental, aprovada em um concurso público municipal.

Aprofundando debates ambientais

Com um corpo docente formado integralmente por mestres e doutores, o curso de Gestão Ambiental do Ifal foi reconhecido e classificado pelo Ministério da Educação com um conceito 4, numa escala onde a nota 5 é considerada excelência. O curso tem duração de dois anos, sendo dividido em quatro módulos semestrais, com aulas pela manhã.

Entre as 38 disciplinas oferecidas, os estudantes se deparam com um misto das áreas Biológicas, Exatas e Humanas. Após a formação, os gestores ambientais saem capacitados para atuar em órgãos públicos ou na iniciativa privada, encontrando soluções sustentáveis ao meio ambiente, aplicando a legislação ambiental em vigor no país e sempre priorizando o uso de tecnologias mais limpas.

Para o estudante Waldemir Júnior, "o curso permite uma visão crítica sobre a administração de empresas e sobre a própria sustentabilidade". Com o apoio de professores, por exemplo, Waldemir está iniciando uma discussão mais aprofundada sobre a PEC 65/2012, em tramitação no Senado, que pretende mudar as regras para licenças ambientais de obras no país.

A lei hoje vigente garante que o empreendimento se dê de uma forma onde os interesses particulares não se sobreponham aos interesses públicos e ao meio ambiente. Precisamos levar esse debate adiante, porque isso impacta diretamente nosso trabalho como gestores ambientais”, afirma Waldemir, que também se interessa por projetos de Educação Ambiental, outra área de atuação dos profissionais formados pelo curso. “Hoje estou curtindo as possibilidades acadêmicas que o curso oferece”, diz Waldemir.

Pesquisa e Extensão para o Meio Ambiente

O curso superior de Gestão Ambiental no Ifal – Marechal Deodoro abre 80 vagas por ano, divididas em duas turmas, uma por semestre. No último vestibular, uma das vagas foi preenchida pelo jovem Jackson Filipe, de 24 anos, ex-aluno do curso técnico de Cozinha no instituto. A mudança de área surpreendeu colegas e professores.

Muita gente me pergunta: o que é que cozinha tem a ver com Gestão Ambiental?”, relata Filipe, já respondendo à questão: “Eu digo que tem tudo a ver. Primeiro porque um gestor ambiental precisa ser capaz de atuar nos mais diferentes segmentos empresariais. Segundo porque com o conhecimento de cozinha que eu tenho, eu sei que precisamos cuidar melhor dos alimentos que consumimos. No curso de Gestão Ambiental, quero pesquisar formas de reduzir o uso e o consumo de agrotóxicos, melhorando a minha vida e a dos demais”, explica.

As ações de extensão também recebem a atenção dos alunos do curso. Joseneide de Oliveira e Josenir Santos participam de um projeto que está melhorando a renda de moradores de Marechal Deodoro a partir de uma prática sustentável: a reutilização do óleo de cozinha usado por barracas e restaurantes da cidade turística. O material é usado para fabricar sabão caseiro. O projeto já está capacitando a segunda comunidade de Marechal.

Temos esse projeto como se fosse um filho. Aqui no curso, por meio da extensão, temos a oportunidade de criar a consciência ambiental nos empresários e na comunidade. O óleo que seria jogado no meio ambiente agora já serve para gerar renda entre moradores”, explica Joseneide.

E muitos estudantes também sonham com a carreira acadêmica. Por isso, o campus Marechal Deodoro também abriu uma pós-graduação em Educação e Meio Ambiente, que já está em sua segunda turma. A arquiteta Jhersyka Barreto, de 24 anos, voltou à sala de aula por acreditar que o planejamento urbano deve estar diretamente associado a políticas de meio ambiente.

Acredito que não há como separar uma coisa da outra. Nós precisamos conhecer bem os impactos da urbanização sobre o Meio Ambiente para podermos desenvolver as cidades investindo em tecnologias compensatórias. Na universidade, senti falta dessa base técnica voltada para o meio ambiente e decidi continuar os estudos para poder atuar com responsabilidade”, conta Jhersyka.