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Excelência no serviço: a meta dos futuros profissionais de Alimentos, Hotelaria e Turismo

Alunos de três cursos de graduação tecnológica do Ifal contam como se preparam para atender às exigências do mercado de trabalho
por Roberta Rocha - jornalista publicado: 03/06/2016 09h45 última modificação: 03/06/2016 09h45

Fazer um curso superior em um ramo que permite muitas possibilidades de atuação é um desafio que tem atraído jovens estudantes para as graduações tecnológicas ofertadas pelo Instituto Federal de Alagoas - Ifal. Alguns oriundos de cidades do interior alagoano, outros até de fora do estado, eles ingressam no Campus Maceió em busca de uma formação capaz de aumentar suas chances de inserção no mercado de trabalho. Daí em diante, enfrentam dificuldades pessoais e estruturais, abraçam as oportunidades que surgem.

Nesta edição da série especial "Primeiros Passos", futuros tecnólogos em Alimentos, em Gestão de Turismo e em Hotelaria, que estão em formação no Ifal, revelam: não se decepcionaram com a escolha do curso! Eles prometem usar muita criatividade para atingir o nível de excelência exigido pelo setor de serviços e pela indústria na atualidade.

Ao sabor da inovação

Atenta aos desafios da graduação, a estudante Raquel Vasconcelos, do 3º período de Tecnologia em Alimentos, diz que o profissional da sua área deve se empenhar em surpreender as expectativas da indústria alimentícia. “Nós atuamos com pesquisa e desenvolvimento de produtos. Aprendemos a empregar as tecnologias disponíveis para formulação de novos alimentos. Por isso, é necessário ter o perfil inovador”, aponta.

Mas não é só isso. O curso, com duração de três anos e meio, contempla outros aspectos da cadeia de processamento de alimentos na grade curricular. “Envolve desenvolvimento de embalagens, controle de qualidade, auditoria, vendas e marketing de produtos. Somos capazes de atuar em todo o processo de produção, desde a chegada da matéria-prima na fábrica até o produto final estar posto na mesa do consumidor”, emenda a estudante.

Prestes a concluir o curso, o aluno do 7º período de Alimentos, Cristian Bernardo da Silva, considera promissor o mercado alagoano para quem se forma na área. “O estado é abastecido com produtores que não têm muito domínio da parte técnica. Trabalhar com consultoria, dar assistência a esse público, pode ser um bom caminho”, sugere. Na opinião dele, a apicultura também é uma vertente viável de atuação para os tecnólogos em Alimentos. “Dessa atividade, deriva a produção de mel, cera e própolis, uma resina fabricada pelas abelhas que possui propriedades medicinais. Então a demanda é grande pelo processamento adequado desses itens”, afirma o formando.

Em relação às expectativas para o futuro, tanto Cristian quanto Raquel têm interesse em seguir a carreira acadêmica e estão se preparando para isso por meio da prática da pesquisa. Nem mesmo a distância entre os lugares em que moram e a unidade de ensino onde estudam os impede de exercer a atividade científica no instituto.

A garota mora em União dos Palmares e diariamente percorre 2h de viagem para chegar ao Campus Maceió. É a certeza de que está na área correta que faz Raquel superar o cansaço. Ela já fez o curso técnico em Agroindústria no Ifal Murici e daí surgiu a motivação para eleger Alimentos no nível superior. “No curso técnico, me engajei em projeto de extensão com a comunidade e fiz estágio na indústria. Ambos foram decisivos para eu querer continuar na área. Vi o quanto me identificava com isso e também tive muitos professores tecnólogos que deram o maior apoio à minha escolha”, conta.

Já Cristian vem do município de Rio Largo, fazia curso técnico em Análises Clínicas e então percebeu a afinidade que tinha com a área. Escolheu o curso de Farmácia da Universidade Federal de Alagoas como primeira opção no processo seletivo de ingresso no nível superior, mas foi convocado para o curso de Alimentos, sua segunda opção. No primeiro semestre de aulas, o rapaz iniciou como voluntário em um projeto de pesquisa. Não parou mais! Nem mesmo quando teve a chance de entrar no curso de Fármacia, com a segunda chamada.  

"A vantagem aqui é que a relação aluno-professor é diferenciada em comparação à universidade. Há mais proximidade e muita parceria. Sem contar que são profissionais com experiência na indústria, eles possuem uma vivência no ramo. Na sala de aula, sempre têm um evento do dia a dia da profissão para exemplificar a teoria", destaca o estudante. Raquel confirma a espontaneidade do vínculo estabelecido com os docentes e o suporte dado por eles. "Conseguem realmente trazer esse acúmulo da prática profissional para as aulas", reforça. 

Outro ponto positivo da formação oferecida pelo Ifal tem a ver o apoio para a participação em eventos, o que contribui, nas palavras de Cristian, para estabelecer contato com professores de outras instituições, possíveis orientadores de projetos que os estudantes venham a desenvolver em programas de pós-graduação país afora. 

O jovem pesquisador encerra sua análise das perspectivas que a graduação oferece em tom animador. "O curso em si é bom, eu recomendaria. É um curso que lança o profissional pronto para o mercado, abrange bastante coisa, é amplo e ainda te permite seguir a vida acadêmica". Um depoimento compatível com a trajetória de dedicação dele dentro da instituição. Recentemente,  o estudante publicou, com docentes e outros colegas de curso, um artigo científico sobre biossensores em uma revista internacional classificada como Qualis A1 pela Capes, que é um padrão referente à alta qualidade da produção intelectual.

Desvendando a hotelaria

Implantado em 2009 e com uma duração de 2 anos e meio, o curso de Tecnologia em Hotelaria também oferece diversas possibilidades de atuação. É esse o olhar dos estudantes Ravignan Santos de Oliveira, do 5º período, e Desirée Quintino, do 2º período da graduação. "A gente tem a opção de trabalhar com eventos, contabilidade e gestão hoteleira, recreação e lazer, além de intérprete, porque estuda língua estrangeira com afinco", detalha a aluna.

Para o concluinte Ravignan, o leque de alternativas é ainda maior. Ele, graduado em Marketing e Comunicação, vê na Hotelaria a base ideal de conhecimentos para conciliar com as formações que já possui e empreender. "Pode ser com gerenciamento de alimentos e bebidas, pode ser com meio ambiente ou tecnologia culinária. O que vale é criar nichos de mercado. É isso que se espera de um profissional da área, que seja proativo, esteja antenado tecnologicamente e produza inovação. E o Ifal dá as condições para isso", explica.

Graças ao seu desempenho acadêmico, o estudante foi um dos contemplados para realizar um ano de intercâmbio em uma universidade portuguesa, em 2015, com o apoio da instituição. Nesse período, cursou disciplinas relativa à hotelaria, na cidade do Porto, e garante que a experiência expandiu sua mente, trouxe crescimento pessoal e profissional. "Abriram até as portas para estágio. Já recebi convite de quatro hotéis aqui em Maceió e estou aguardando concluir algumas disciplinas para escolher entre eles".

Inspirada na mãe, que se formou em Hotelaria, Desirée, que é natural de Santa Catarina, também tem perspectivas profissionais bastante positivas para quem termina a graduação na área. "O mercado alagoano absorve bem nas esferas de recepção e governança hoteleira. É relativamente baixo o risco de quem quer atuar nessas especialidades ficar desempregado", acredita.

Entre os benefícios de estudar em um curso tecnológico do Ifal, ela cita a grade curricular, que por ser focada consegue envolver o aluno não importa seu ramo de preferência, e elogia o corpo docente do instituto. "São professores bem preparados, com conhecimento amplo, mas que são acessíveis", esclarece a jovem, que tem em mente se dedicar ao campo acadêmico e um dia atuar como docente na instituição.

Caminhos do turismo

Na hora de escolher a carreira, também não falta quem fique de olho na vocação econômica do local onde vive, pois quanto mais consolidada a atividade na região, maiores as chances de conquistar espaço na área. Foi assim que o jornalista Alain Lisboa Gonçalves pensou quando optou por fazer uma nova graduação e ingressou no curso de Tecnologia em Gestão de Turismo.

"Tenho a possibilidade de aliar uma formação à outra: investir na gestão do turismo, agregando os domínios de Relações Públicas e Jornalismo", expõe o aluno matriculado no 3º período do curso ofertado em sete módulos semestrais.

Desde 2009 em funcionamento no Campus Maceió, o curso prepara profissionais para se inserirem nos setores de eventos, gastronomia, hotelaria ou em agências de viagens. O cenário de atuação também pode ser diversificado. "Maceió, por exemplo, é conhecido por sol e mar, mas tem grande potencial para o turismo cultural e de aventura", destaca José Felipe da Silva, também do 3º período do curso. "Só falta interesse e investimento do poder público para fazer essas áreas crescerem", aposta Alain.

Colega de classe da dupla, a discente Cristiane Alves Braga escolheu o curso graças às referências de amigos que trabalhavam com turismo. "Fui pesquisar a respeito e me encantei. Posso dizer que a cada período eu cresço mais, consigo me expressar melhor e lidar com diversos públicos, sendo cuidadosa com as necessidades de cada um. Disciplinas como Psicologia, Etiqueta e Gestão de Eventos foram muito importantes nesse processo", ressalta. O ganho nas relações interpessoais por meio dos estudos não é comentário exclusivo dela.

Felipe veio de Ibimirim, cidade do interior pernambucano, para se profissionalizar na área e narra com convicção o quanto os aprendizados em sala de aula contribuem para o desenvolvimento humano do tecnólogo. Segundo ele, os avanços podem ser notados na oralidade e comunicação em geral, ou mesmo na habilidade para gerenciar conflitos. Com notável envolvimento com a instituição, o aluno é representante de turma, já foi beneficiado pelo programa de assistência estudantil, teve experiência extensionista e agora está estagiando no Centro de Atendimento ao Turista do Aeroporto Zumbi dos Palmares.

Engajamento parece ser a palavra de ordem para os estudantes que querem se sobressair na atividade profissional. Cristiane e Alain também sabem aproveitar os espaços de aperfeiçoamento que a graduação dispõe. A jovem realiza estágio no Sesc Guaxuma e o rapaz nos museus do Comércio de Alagoas e da Tecnologia do século 20, vinculados à Associação Comercial de Maceió. "Além de tudo, faço bom proveito da oportunidade de progredir no conhecimento de línguas estrangeiras, com os mecanismos aqui existentes, a exemplo do My English OnLine”, acrescenta o jornalista.

Dificuldades comuns

Mas nem só com elogios as graduações tecnológicas do Ifal são avaliadas pelos estudantes. O principal entrave relatado diz respeito ao olhar da sociedade para os cursos. Como é o caso mencionado por Cristian e Raquel, da falta de reconhecimento dos empregadores do tecnólogo em Alimentos como um profissional de nível superior. "A indústria não nos reconhece como graduados, mas como técnicos, isso por falta de informação mesmo. As pessoas ainda têm uma certa ressalva com o curso", declara Raquel. "Não sabem a capacidade que um profissional como nós tem e de como estamos habilitados para atuar em diversas atividades do segmento", complementa o colega de curso.

Em relação à graduação em Hotelaria, Desirée compartilha a mesma percepção. Ela ressalta que a instituição é reconhecida, mas o o curso ainda não é tão valorizado. "As pessoas têm preconceito, acham que é uma atividade fácil, que não precisa de tanto estudo para desenvolvê-la. Mas não é bem assim. Estudar em uma instituição federal tem um peso, porque é referência em ensino. Os professores não são benevolentes, no sentido de facilitar a aprovação a qualquer custo. São exigentes. Então os alunos têm que correr atrás. Aqui as opções são: ou estuda ou reprova. E isso acaba fazendo um bom profissional", avalia a futura tecnóloga.

Felipe vê outro desafio para a sua formação em Turismo: o mercado costuma absorver pessoas que não são da área. "Na hora em que vamos assumir o posto, encontramos alguns entraves por conta disso", revela. 

Entre as dificuldades comuns aos cursos de tecnologia do Ifal Maceió, o número limitado de laboratórios ainda é obstáculo a ser vencido. "Algumas práticas são comprometidas porque exigem um recurso físico que o campus ainda não tem", alega Alain. "É necessário expandir".

Cristian e Raquel também sentem falta de uma estrutura de laboratórios específica para a área de Alimentos, que atualmente compartilha as instalações do curso de Química. Essa deficiência, no entanto, não é apontada como algo capaz de detê-los na busca de crescimento profissional. "Com as últimas aquisições, hoje operamos equipamento de ponta. Temos uma visão completa do processo de produção, da ideia à execução. Temos uma vivência com pesquisa aplicada, que faz com que a gente consiga sair na frente", diz o estudante, referindo-se às ferramentas que, com o estímulo institucional, lança mão para se tornar mais competitivo no mundo do trabalho.