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Alunas de Química Tecnológica relatam como suas pesquisas atendem aos interesses sociais

por Jhonathan Pino - jornalista publicado: 25/05/2016 09h36 última modificação: 31/05/2016 09h08

No momento em que o Departamento de Comunicação e Eventos (DCE), do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), procurou Eleine Batinga e Jailma Letícia para concederem entrevista sobre sua visão diante da Pós-graduação em Química Tecnológica, as duas não seguravam a alegria. É que naquele momento, numa tarde chuvosa de uma sexta-feira de 14 de abril, que elas souberam da notícia de que o reagente utilizado em suas pesquisas tinha acabado de chegar. A felicidade literalmente vinha por encomenda e se chamava Àgar Müeller Hinton.

Ao longo da tarde as duas explicaram que faziam três meses que o Ifal havia solicitado o reagente, mas o fornecedor não o tinha em seu estoque e que por isso interromperam uma das etapas da pesquisa, realizada nos laboratórios do curso. Dias depois elas perceberam que apesar de estar na nota fiscal, os reagentes não haviam sido enviados pelo fornecedor. Ambas juram que esse foi o único problema que tiveram ao longo de suas jornadas, na pós, e olha que elas já tinham um longo tempo na instituição.

Jailma, por exemplo, foi aluna do curso Tecnologia de Alimentos, a partir de 2008, e não perdeu a oportunidade de voltar para o Instituto, quando o Ifal abriu a especialização. Já Eleine, fez graduação em Licenciatura em Química por aqui e no mesmo mês em que colou o grau, emendou a graduação com a pós. Juntas, as duas apresentam pesquisas semelhantes. Orientadas pelo professor Demetrius Morilla, elas utilizam plantas indicadas pela Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao Sistema único de Saúde (Renisus) para descobrir quais delas são capazes de combater bactérias responsáveis por diversos males, entre os brasileiros.

Eleine explica que esses espécimes já são conhecidas pelos saberes populares, devido aos seus poderes medicinais, no entanto, ainda faltam comprovações de sua eficácia, em determinadas enfermidades. Ela, por exemplo, faz análises microbiológicas e antioxidantes na Arrabideae Chica, ou como é mais conhecida na região Nordeste, o Crajiru. A estudante busca saber se esta planta, em forma de chá, pode ser utilizada para tratar de inflamações, infecções urinárias, anemia férrea e até no combate ao câncer. "Não se sabe se ela atua de forma 100%, no tratamento destas doenças, por isso a necessidade de estudá-la de forma aprofundada", pontuou.

Jailma faz os mesmos procedimentos sobre a Equisetun Arvense, ou o Cavalinho. Suas análises são realizadas com a intenção de compreender as potencialidades antimicrobiológicas, cicatrizantes, antioxidantes e diuréticas da espécime. A partir dos estratos destas plantas, é possível verificar se elas realmente são eficazes no combate as bactérias e no tratamento das doenças.

Os trabalhos das duas são similares, porque Jailma e Eleine fazem parte da Linha de Pesquisa de Produtos Naturais, uma das três que formam a Especialização: as outras duas são Meio Ambiente e Tecnologia de Alimentos. "No decorrer do curso, você pode estar mudando a sua linha", comentou Eleine.

As atividades da pós são realizadas no Campus Maceió e contam com os laboratórios de Microbiologia, Bioprocessos e Análise Instrumental. Jailma e Eleine, que fazem parte da segunda turma, disseram que no primeiro semestre as aulas acontecem todas as noites, pois são disciplinas comuns para todos os alunos, mas a partir do segundo semestre, os alunos são divididos entre as três turmas, para que assistam às disciplinas específicas de cada área. Além disso, a partir do segundo ano, as duas passaram pelo menos quatro horas por dia fazendo análises nos laboratórios. Dependendo do trabalho, as vezes essas análises se estendiam pelos três turnos, no Ifal.


Entre o mestrado e a especialização

Mesmo com essa carga horária puxada, Jailma diz que vale a pena todo o esforço. Ela relata que conseguiu conciliar o seu Mestrado, em Ciências Farmacêuticas, na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), com a especialização no Ifal. A grande vantagem do curso, segundo a pós-graduanda, é que o tempo de atividades práticas nos laboratórios, muitas vezes é maior do que a do próprio mestrado.

Outra oportunidade citada pelas duas, é a possibilidade de contarem com os laboratórios e docentes do Ifal, para dar andamento aos seus projetos de pesquisa nos mestrados. Eleine, por exemplo, tem como seus coorientadores de Mestrado, Demétrius e Alan John Duarte, docentes da especialização do Ifal. O mesmo acontece com Jailma, que tem como seu coorientador, na Ufal, Johnnathan Duarte, também do Instituto.

"No meu projeto de pesquisa de lá, tem colaboração com o Instituto: então, só apenas um teste da minhas pesquisas é realizado lá, os outros, eu faço aqui, no próprio Instituto. Até meu coorientador também é daqui. Mas tudo isso foi coincidência, tanto é que eu entrei primeiro aqui, só que, como eu quero seguir a vida acadêmica e a gente sabe que a maior parte das universidades, hoje, não quer só a especialização, então, quanto mais você estuda, mas fácil fica de entrar em um concurso, tanto para professor, como para técnicos", acredita Jailma.

Eleine, que também faz mestrado em Ciências de Materiais, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), reforça que a especialização também dá oportunidades para que os pós-graduandos tenham acesso a equipamentos, que em outras instituições são restritos aos técnicos, e ainda os coloca em contato com os alunos dos cursos técnicos do Ifal, como parte do Estágio Docência.

O programa existe desde 2013 no Campus Maceió, mas também reúne docentes dos campi Marechal Deodoro, Murici e Satuba, totalizando 10 professores na Especialização. Nesse tempo foram ofertadas três turmas, cada uma com a entrada média de 21 alunos.

O curso é realizado em um período de 18 meses e é voltado aos portadores de diploma de Graduação nas seguintes áreas: Tecnólogos em Alimento, Laticínio ou Gestão ambiental; Graduados em Nutrição, Bioquímica, Biologia, Agronomia, Farmácia, Química Bacharel, Químico Industrial, Química Licenciatura, Biomedicina, Engenharia Química, Engenharia Agronômica, Engenharia de Produção, Engenheiro de Alimentos, Engenheiro Agrícola, Engenheiro Ambiental e Zootecnia. Existem mais informações na página do Ifal.