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Bate-papo, música e depoimentos marcam encerramento do Setembro Amarelo no Ifal Piranhas

por Roberta Rocha - jornalista publicado: 27/09/2019 16h13 última modificação: 27/09/2019 17h50
Exibir carrossel de imagens Estudante dá seu relato de aceitação e superação do bullying sofrido no início da adolescência

Estudante dá seu relato de aceitação e superação do bullying sofrido no início da adolescência

As atividades do Setembro Amarelo no Campus Piranhas do Instituto Federal de Alagoas - Ifal encerraram na última quarta-feira (25) com um evento de mobilização articulado por estudantes e pela professora Daniele Maciel, representante do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas.

Psicóloga Dúnia de Cássia comentou as consequências do uso exacerbado das redes sociaisA docente iniciou um diálogo sobre como as redes sociais criam a ilusão de que a "vida perfeita" existe e o impacto disso para o aumento de transtornos psíquicos como ansiedade e depressão. "Sem contar que estamos cada vez mais conectados com a vida digital e desconectados da vida real", complementou a psicóloga do campus, Dúnia de Cássia.

Outro tópico abordado na ocasião foi o papel da atividade física no alívio de efeitos depressivos. "Pode contribuir na melhoria da autoestima, diminuição da insônia, maior disposição para atividades diárias, para amenizar a ansiedade e na melhoria do humor, por meio da liberação de hormônios ligados à sensação de prazer e bem-estar", enumerou o professor da área Ivis Claudino.

Membros do CorIfal que também se envolveram na organização do eventoA programação da culminância do Setembro Amarelo contou com apresentação musical do Corifal, com um repertório de canções motivacionais preparadas exclusivamente para o evento, além da leitura de textos da temática de valorização da vida e de prevenção ao suicídio, sessão de depoimentos dos participantes e divulgação do resultado do concurso de desenhos.  

Em primeiro lugar na disputa, ficou a arte de autoria do estudante Antonio Ananias Oliveira, do curso de Agroecologia. De acordo com o vencedor, o conceito da obra é de que sempre é possível florescer depois da tempestade. Quem faturou o segundo lugar foi o Rafael Afonso da Silva, do curso de Agroindústria. E em terceiro lugar, veio a Joice Rodrigues Silva, graduanda de Engenharia Agronômica. Confira as imagens premiadas aqui.

Para a professora Daniele Maciel, a entrega e participação do alunos foi ponto positivo do evento, por possibilitar aos estudantes serem sujeitos ativos na instituição. "Precisa usar o espaço da escola para discutir a depressão, outros transtornos psíquicos, o suicídio. É uma oportunidade de sensibilizá-los, de dar voz a eles também e de criar um diálogo para que eles se sintam acolhidos. A gente tem tantos jovens passando por esses problemas de saúde mental e a gente fala tão pouco sobre isso.  É um tema muitas vezes subestimado", destacou a profissional.

Relatos pessoais - Um dos motes da campanha de conscientização sobre os cuidados com a saúde mental diz respeito à importância de pedir ajuda quando estiver se sentindo em situação de fragilidade emocional, falar do que sente e não se isolar. O público presente no evento de mobilização fez exatamente isso e utilizou o espaço para relatar suas experiências de aceitação e superação da dor.

Depoimento da estudante Regina PaulinoVisivelmente emocionada, a estudante de Agroindústria Regina Paulino falou da importância de aproveitar o momento presente com as pessoas amadas e tratar com afeto aquelas que estão sofrendo por transtornos psíquicos. "'Um avião só vira notícia quando cai' e assim também é na vida. Só nos damos conta de algo, quando o triste acontece. Não podemos esperar por isso para dizer que amamos, para abraçar, para beijar, para valorizar a presença de alguém. Não vamos esperar que alguém vá embora ou se suicide para vermos a falta que ela nos faz. Vamos valorizar o hoje, agora, enquanto temos", defendeu.

A aluna Kalênia Laura, do 4º ano de Agroindústria, vivenciou uma situação de intenso sofrimento que a fez pensar em suicídio e se colocou como exemplo de que é possível buscar ajuda e seguir em frente. O episódio ocorreu na última escola onde ela estudou, com pessoas consideradas amigas. A partir de um desentendimento, onde Kalênia resolveu seguir a recomendação da professora, ela passou a sofrer represália dentro e fora da sala de aula. "As meninas passavam na frente da minha casa gritando, buzinando. Usavam as redes sociais para mandar recado, falar mal de mim. De um dia para o outro, fui completamente excluída e esse período foi uma bola de neve. Meu psicólogo estava tão devastado que acabei ficando doente mesmo, minha imunidade baixou demais, emagreci muito", contou.

A adolescente se via sozinha e sem saída, mas conseguiu superar o momento difícil com ajuda profissional e da família. "Eu estava tão desesperada que eu tinha desejo de colocar fim nisso de uma forma ou de outra e eu tinha duas opções, ou eu me matava ou eu contava para alguém. E eu escolhi minha mãe para falar. Eu desabafei com ela e ela sempre ficou disposta a me ajudar. E daí foi uma jornada de psicólogos, psiquiatras. Com a mudança de escola, foi como uma libertação pra mim".

Kalênia destacou que já não precisa mais usar remédios e fez novos amigos. O que mais a ajudou a se reerguer? "Fazer exercícios, tentar me comunicar o máximo possível, escrever quando eu me sentia sufocada e não queria falar com ninguém e respeitar  meu tempo. Eu nunca me cobrei demais para ficar melhor. Foi um processo longo, mas que hoje vale muito a pena falar sobre e ajudar outras pessoas", apontou a discente.