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Abril Indígena traz reflexões políticas e sociais acerca do tema

por Monique de Sá publicado: 26/04/2018 12h15 última modificação: 26/04/2018 12h15

Uma aula viva acerca da cultura indígena. É assim que pode ser definida a apresentação artística (Toré) da tribo Xucuru Kariri, ocorrida durante a realização da primeira edição do Abril Indígena, evento realizado durante toda esta quinta-feira, 25, no Instituto Federal de Alagoas (Ifal), campus Palmeira dos Índios. Palestras, exposição fotográfica, dança e mostra de artesanato fizeram parte da programação.

20180425_161204.jpgO auditório cheio foi a prova de que o evento vem para consolidar-se no calendário acadêmico da instituição. “Tivemos um bom retorno já que os alunos mostraram-se atentos às apresentações, que foram mediadas pelo professor de História do campus, Roberto Idalino. O debate foi tão rico que partiu até para um viés político”, diz Daniel Cavalcanti, professor de Artes e um dos idealizadores do Abril Indígena.

DSC_0479.JPGPela manhã, os alunos contaram com a participação da filósofa e indígena, Graciliana Selestino. Ela é membro do Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena (ITC). À tarde, foi a vez da apresentação artística de cunho religioso Toré. Durante todo o evento, os alunos puderam conhecer objetos da cultura indígena, como colares, cocares, chocalhos - trazidos pela tribo de Palmeira dos Índios, Xucuru Kariri. Além disso, foi montada uma exposição fotográfica elaborada pela professora de Geografia, Flora Pidner.

20180425_155939.jpg“São fotos minhas de quando realizei uma aula de campo na Aldeia Mata da Cafurna e também de Lucas Zenha. Entrei em contato com o fotógrafo Ricardo Stucker para que este cedesse alguns trabalhos para nossa mostra. Resolvi fazer um contraste escolhendo as fotos dele em preto em branco e as minhas coloridas. São retratos de crianças indígenas feitos por Stucker que mostram a questão da esperança para as futuras gerações e também retratos de anciãos – pessoas que denotam sabedoria e respeito nessas tribos”, explica Flora.

DSC_0552.JPGEm sua fala, os membros da tribo Xucuru Kariri ressaltaram a questão do respeito e da igualdade entre os povos. Logo após, o professor Amaro Hélio Leite, campus Maceió, tratou dos índios na História de Alagoas. “É importante desmistificarmos a imagem que temos do índio. Muitos podem ter estranhado os que aqui estão, mas é preciso compreender a história para entender o processo de resistência desses povos. A cultura é dinâmica e não estática. Por que eles não podem mudar e nem por isso deixarem de ser índios?”, questionou o professor ao fazer uma reflexão acerca dos índios e o uso de tecnologias.

20180425_170859.jpgIndígena, Cássio Júnior faz mestrado em Antropologia pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Ele aproveitou a oportunidade e abordou a relação entre a Justiça e os índios, trazendo dados desses povos na cidade de Palmeira dos Índios. “Somos 3500 índios, distribuídos em oito aldeias. Lutamos por três eixos reivindicatórios: terra, educação e saúde”, enfatizou.

20180425_164116.jpgPor fim foi a vez do professor da rede estadual de educação de Alagoas, Gênisson Amorim. Ele inclusive leciona em uma escola indígena, por isso trouxe como tema para debate a questão da educação indígena (avanços e retrocessos). “Para dar aula é necessário que o docente esteja inserido nesta realidade. Não temos uma estrutura boa para dar uma aula diferenciada (salas pequenas, faltam livros e materiais), mas fazemos o possível”, ressaltou.

Além de Daniel e Flora, participaram da articulação para o Abril Indígena, os professores: Arthur Lima (Sociologia), Rosania de Almeida (Português), Luiz Domingos do Nascimento (História) e Edneide Ferreira (Português). O evento é uma realização do Grupo de Estudos Memória, Tecnologia e Etno-História de Alagoas (GEMTEH), do qual Daniel faz parte.