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Aquecimento global pode reduzir produção agrícola no semiárido alagoano, mostram pesquisas do Ifal

Estudos conduzidos pelo professor Stoécio Malta analisam impactos em seis cidades alagoanas e em outros estados do Nordeste

por Acássia Deliê publicado: 25/10/2018 12h43 última modificação: 25/10/2018 13h41
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Professor Stoécio em pesquisa de campo no semiárido

Estudos realizados pelo Instituto Federal de Alagoas (Ifal) durante os últimos três anos mostram que as mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global podem reduzir a produção agrícola no semiárido nordestino. Até agora, as pesquisas se concentraram em seis cidades de Alagoas (Santana do Ipanema, Delmiro Gouveia, Pariconha, Batalha, Inhapi e Traipu), além de cidades na Paraíba e na Bahia.

Quem coordena os estudos é o professor Stoécio Malta, do Ifal - Campus Marechal Deodoro. As análises têm sido feitas junto com estudantes e em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). O professor explica os estudos buscam responder duas perguntas principais: Qual o impacto do aquecimento global sobre o nosso ecossistema, mais especificamente sobre o solo? E qual a contribuição da agricultura no semiárido nordestino para o aquecimento global?

Professor Stoécio, em entrevista à TV GazetaNa última terça-feira (23), ele concedeu à TV Gazeta sobre o tema, no programa Bom Dia Alagoas. 

"Ainda estamos tentando responder, mas os resultados até agora são preocupantes. Ele nos permitem estimar que, se o aquecimento global continuar acontecendo, a emissão de gases de efeito estufa do solo vai se elevar em até 15% no semiárido alagoano, o que é muito representativo", afirmou Stoécio. "E se as práticas agrícolas continuarem as mesmas diante deste cenário, perderemos até 26% de carbono do solo, ou seja matéria orgânica. Isso pode ter impacto crucial sobre a produção agrícola e a produtividade do semiárido".

O professor ressalta que, apesar de as pesquisas terem referência a área rural, os impactos serão sentidos por toda a sociedade, já que o problema é global. "Mas já existem práticas e técnicas alternativas, como rotação de cultura, sistemas agroflorestais, sistemas agroecológicos, agricultura orgânica, são sistemas que tendem a reduzir esse impacto e até reverter", pondera o pesquisador, que possui doutorado e pós-doutorado na área de ciências agrárias.

Stoécio Malta é atualmente professor do curso superior tecnológico em Gestão Ambiental do Ifal – Campus Marechal Deodoro e um dos coordenadores da sub-rede Agricultura da Rede Clima (Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais), ligada ao governo federal. 

Professor Stoécio em pesquisa de campo no semiárido