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Ensino de ponta leva migração da escola particular para federal

por Bartolomeu Honorato publicado: 23/02/2018 09h52 última modificação: 23/02/2018 09h52

Até os 14 de idade, Karen Cristina de Araújo Porto só estudou em escola particular. Ela saía de Maragogi (AL) para cursar o ensino fundamental em Barreiros, litoral sul de Pernambuco. O orçamento apertado na casa da adolescente fez com que a educação privada desse lugar à pública. Outro fator que pesou na decisão familiar foi a qualidade do ensino na rede federal. A partir do próximo mês, Karen vai cursar Agroecologia integrado ao ensino médio no Instituto Federal de Alagoas (Ifal), campus Maragogi.

Todos os meses a mãe de Karen gastava R$ 510 com custeios da mensalidade escolar, transporte de Maragogi a Barreiros, entre outras despesas que a balconista Cícera Karla de Araújo, 39 anos, tinha com a filha. “A escola não estava nem tão cara, mas quando somava com o transporte, saía uma quantia alta, que acabava pesando no orçamento de casa e a gente teve de cortar alguns gastos”, declarou.

Essa foi umas das causas que levaram a mãe a cancelar a matrícula na escola particular de Barreiros e inscrever a filha no processo seletivo para novos alunos do Instituto Federal de Alagoas, em Maragogi. A adolescente passou no certame em dezembro de 2017 e conseguiu uma vaga no curso técnico em Agroecologia.

Com o orçamento doméstico mais enxuto, a recepcionista Jaqueline Maria de Assis, 40 anos, precisou refazer contas do lar e retirou despesas com educação privada da filha Rayssa Victória de Assis, 14 anos. “Não temos muitas condições financeiras. Se não tivesse colocado Rayssa no Ifal, teria de ir para outra escola pública em Maragogi. Eu gastava uns R$ 500 por mês para manter minha filha no colégio”, afirmou. A adolescente fará o técnico de Hospedagem.

A educação de qualidade ofertada pela rede federal no ensino médio é outro atrativo que levou a migração de estudantes da rede particular para a federal de ensino. O campus Maragogi, por exemplo, é uma única escola da rede federal que funciona no litoral norte de Alagoas. A unidade dispõe de professores com mestrado, doutorado, equipe de saúde, e oportunidades para os alunos participarem de projetos de pesquisa e atividades esportivas e culturais. Só na área de extensão, por exemplo, são 12 projetos que envolvem participação de professores e alunos, segundo dados da coordenação de extensão do campus.

A recepcionista Jaqueline Maria de Assis já teve outra filha que cursou Hospedagem no Instituto. “Eu percebi em casa o quanto minha filha aprendeu. Ela mudou a cabeça e cresceu na profissão. Hoje tem 23 anos e está empregada na mesma pousada em que começou a estagiar quando era aluna do campus. Desejo agora que Rayssa também tenha as mesmas oportunidades de estudo e de emprego. Sei que no Instituto ela pode ter isso”, contou.

Conforme o diretor do campus Maragogi, Dácio Camerino, a procura de estudantes pelo Instituto é grande desde que ele começou a funcionar em 2010, seja oriundos de escola particular ou pública. Para ele, isso ocorre porque o Ifal é referência na educação profissionalizante e tem infraestrutura para atender o aluno que reside na região norte de Alagoas.

“Damos ao aluno a possibilidade de inserção no mercado profissional. Sai do campus uma mão de obra qualificada, que atende a vocação da região para o turismo e agricultura familiar. É uma escola profissionalizante que desperta o interesse. Se o aluno fizer o ensino médio numa escola convencional, ele pode passar ou não no vestibular. Aqui, ele também pode ou não passar, mas já sai com uma profissão”, analisou.