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História

por admin publicado 21/05/2015 14h08, última modificação 10/03/2017 17h27

O Instituto Federal de Alagoas (IFAL), Câmpus São Miguel dos Campos, iniciou as suas atividades a partir da aula inaugural realizada no dia 08 de setembro de 2010, onde contou com a presença do Diretor do Câmpus, Prof. José Hélio dos Santos, e do então Coordenador de Ensino, Prof. José Lins de Oliveira, nas dependências da Escola Municipal Mário Soares, localizada na Rua Visconde de Sinimbú, nº 32, Centro. Essa ocasião deu início a um importante momento para história de São Miguel dos Campos, uma vez que o município sofre com as incongruências geradas numa região tomada pela indústria canavieira, diferente do que se poderia esperar numa região que se produz riqueza, acometida pela miséria e a falta de oportunidades. Desse modo, o IFAL desde sua instalação tem por desafio melhorar às condições socioeconômicas que afetam a maioria da população local, e que padece com a baixa qualificação em funções laborais que exigem uma melhor especialização profissional, de maneira que os profissionais que assumem cargos de melhor remuneração, normalmente, são indivíduos alocados das regiões mais prósperas do Estado, como Maceió e/ou de Arapiraca.

O IFAL São Miguel dos Campos e outros campi surgem da ocasião da lei 11.892/08 que cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, buscando ampliar e qualificar a força de trabalho brasileira num período histórico favorável a economia nacional; pois o Brasil até então não conseguia formar trabalhadores que atendessem as novas necessidades do mercado mundial em curto prazo, visto que a educação não conseguiu acompanhar o salto desenvolvimentista da economia das últimas décadas, levando muitas empresas a ocupar determinados cargos com mão de obra estrangeira. Isso significava, de certa maneira, um crescimento econômico que não beneficiava como deveria os trabalhadores brasileiros e, por conseguinte, pouca estratificação social ascendente para estes cidadãos.

Antes disso, até 2005, [...] a rede federal contava com 144 unidades distribuídas entre centros de educação tecnológica e suas unidades de ensino descentralizadas, numa universidade tecnológica e seus campi, escolas agrotécnicas e escolas técnicas vinculadas a universidades federais, além do Colégio Pedro II/ RJ” (PACHECO; REZENDE, 2009, p. 8). De acordo com Pacheco e Rezende, os debates realizado gerou a publicação da supracitada Lei em 29 de dezembro de 2008 que [...] cria no âmbito do Ministério da Educação um novo modelo de instituição de educação profissional e tecnológica. Estruturados a partir do potencial instalado nos Cefet, escolas técnicas e agrotécnicas federais e escolas vinculadas às universidades federais, os novos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia geram e fortalecem condições estruturais necessárias ao desenvolvimento educacional e socioeconômico brasileiro. (Ibidem, p. 8).

O objetivo do Governo Federal ampliou significativamente as unidades de ensino predispostas a trabalhar com a formação técnica e tecnológica, cuja intenção coaduna com os interesses do mercado emergente brasileiro, demonstrando enorme credibilidade para os investimentos do capital externo, sobretudo dos países centrais. Esse desenvolvimento da economia nacional é percebido claramente em eventos como a copa do mundo de 2014 e a olímpiada de 2016, que dá ainda mais visibilidade a investimentos futuros.

Essas medidas econômicas das últimas décadas caracterizam as políticas neoliberais que exigem uma reestruturação produtiva em todos os setores da economia, seja este primário, secundário ou terciário. Isso implica numa formação acadêmica que forçosamente atenda as necessidades do mercado frente à crise capitalista contemporânea, mais notória nalguns países europeus que há bem pouco tempo não apresentavam com tanto rigor os problemas de desemprego, de previdência social e de miséria.

Entende-se que a política que move as ações dos Institutos Federais procurou/procura além de formar cidadãos para o trabalho, como versa a Lei de Diretrizes da Educação Nacional (LDBEN), Lei 9.394/96, também se preocupa com a justiça social, a equidade, o desenvolvimento sustentável e a produção de novas tecnologias sem com isso retroagir a uma formação tecnicista como se configurava essa modalidade de educação nas décadas de 1960-1970. A preocupação localiza-se, especialmente, numa formação que possa “[...] responder de forma ágil e eficaz às demandas crescentes por formação profissional, por difusão de conhecimentos científicos e de suporte aos arranjos produtivos locais” (Ibidem, p. 8). De forma que cada campus do Instituto atenda às características produtivas do local que está instalado. Para Pacheco e Rezende: os institutos federais podem atuar em todos os níveis e modalidades da educação profissional, com estreito compromisso com o desenvolvimento integral do cidadão trabalhador, devendo articular, em experiência institucional inovadora, todos os princípios fundamentais do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE): visão sistêmica da educação; enlace da educação com o ordenamento e o desenvolvimento territorial; aprofundamento do regime de cooperação entre os entes federados em busca da qualidade e da equidade. (Ibidem, p. 8).

 

A motivação dos Institutos Federais constitui-se, deste modo, através de projetos pedagógicos que pretendem assumir uma posição distinta de uma educação tecnicista, já citada anteriormente, adotando em suas diretrizes a pesquisa e extensão como caminhos que aproximam os educandos da capacidade de não só reproduzir conhecimentos, mas também produzi-los, numa relação dialética constante com a realidade. Nesta feita, os educandos não somente se apropriam do saber fazer da produção como também adquirem os conhecimentos científicos que caracterizam a formação politécnica do IFAL; além disso, a extensão possibilita aos alunos compartilhar os conhecimentos apreendidos com a comunidade, integrando a educação numa perspectiva de formação que não se restringe meramente ao aspecto técnico-profissional; logo, prioriza o desenvolvimento cultural, político e crítico dos cidadãos que estão sendo formados, em todos os níveis e modalidades de ensino que a instituição oferece. Conforme o parecer das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Profissional:  A qualidade da oferta da tríade Educação Básica, formação profissional e aprendizagem ao longo da vida contribui significativamente para a promoção dos interesses individuais e coletivos dos trabalhadores e dos empregadores, bem como dos interesses sociais do desenvolvimento socioeconômico, especialmente, tendo em conta a importância fundamental do pleno emprego, da erradicação da pobreza, da inclusão social e do crescimento econômico sustentado. (grifo do autor). (BRASIL, 2012, p. 11).

 

Portanto, os Institutos Federais percebe a educação como elemento fundante de transformação dos indivíduos e da sociedade, com a possibilidade de colaborar expressivamente para reduzir às carências ainda encontradas no país, que apesar de já vir superando índices sociais negativos está muito distante de se equiparar a países que nos últimos tempos tem apresentado um alto desenvolvimento socioeconômico como resultado de investimentos e políticas educacionais conciliadas a atual necessidade do mundo do trabalho contemporâneo. Por isso, assim como os Institutos Federais pensam a formação de adolescentes também possui em sua vocação à formação continuada de trabalhadores que por diversos fatores estão fora do mercado de trabalho, ou pretendem garantir sua permanência. Porquanto, os IFs reconhecem os saberes empíricos e envolve os conhecimentos sistemáticos da educação formal na vida de seus educandos.

Dentro desse contexto apresentado na criação da Lei 11.892/2008, o Instituto Federal de Alagoas começa suas atividades em São Miguel dos Campos na Escola Municipal Mário Soares Palmeira, mesmo em condições bastante desfavoráveis, com apenas três salas concedidas: uma para o setor administrativo e professores, uma para o laboratório de segurança e outra para aula. Assim iniciavam as aulas no Câmpus no segundo semestre de 2010 com 80 (oitenta) alunos (40 alunos para o turno vespertino e 40 alunos para o noturno) para o curso técnico de Segurança do Trabalho, selecionados, nesse primeiro momento, por sorteio, dadas as circunstâncias que necessitavam a urgência na seleção dos candidatos. Já a entrada de alunos nos semestres subsequentes foi realizada mediante exame de seleção, sempre com a entrada de 40 (quarenta) alunos por turno e dois processos seletivos por ano.

Embora com deveras dificuldades estruturais, por ainda se localizar de forma provisória na Escola Municipal Mário Soares, com o passar do tempo, o Instituto Federal de Alagoas, São Miguel dos Campos, ganhou características que apontam para ações que beneficiarão com mais eficiência às necessidades da comunidade miguelense. Para isso, em 3 de julho de 2012 foi autorizada a ordem de serviço que possibilitou o início da obra em 28 de agosto do mesmo ano. As expectativas indicam que o ano letivo de 2014 já inicie em sede própria, localizada na Rua Projetada, S/N, bairro Hélio Jatobá 3.

 

Renalvo Cavalcante Silva

Pedagogo